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Um dos municípios pioneiros na produção
de cachaça no país, Vitória
de Santo Antão, a 51 km do Recife, também
é uma terra rica em episódios e
pontos importantes da nossa História.
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Conhecida nacionalmente
por ser o lugar onde se fabrica a legítima
cachaça nordestina, Vitória
de Santo Antão, a 51 km do Recife,
é um dos principais centros de produção
de destilados do país.
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É a terra dos engenhos de aguardente.
E mais: a cidade também é rica em
episódios e pontos históricos -
alguns regionais, outros de importância
nacional. Por tudo isso, Vitória faz parte
do roteiro obrigatório de quem pretende
conhecer a História e curtir as belezas
do interior do Estado.
A produção sistemática de
cachaça em Vitória de Santo Antão
teve início em meados do século
17, nos antigos engenhos do período açucareiro.
Muitos desses engenhos, como o Cachoeirinha ou
o Engenho Velho, são hoje atrações
turísticas abertas ao público. Mas,
a produção de cachaça, agora,
acontece em modernas unidades industriais que
distribuem o produto em todo o mercado brasileiro
e ainda exportam para vários países.
É a tradicional pinga pernambucana cruzando
fronteiras.
Entre as construções antigas do
centro urbano de Vitória de Santo Antão,
uma das mais importantes é, sem dúvida,
a sede do Instituto Histórico e Geográfico
da cidade. O prédio, que hoje abriga um
acervo de aproximadamente cinco mil peças,
foi construído em 1851 e já teve
vários tipos de ocupação.
Serviu, inclusive, para hospedar o imperador Dom
Pedro II e a sua família, quando de uma
visita a Pernambuco em 1859. Atualmente, é
um local muito procurado pelos turistas que vão
à cidade.
O principal centro de visitação
turística em Vitória de Santo Antão
é, também, um dos locais mais representativos
para a História pernambucana: trata-se
do Monte das Tabocas, local onde, em 1645, foi
travada a primeira batalha entre os holandeses
e os luso-brasileiros.
Os holandeses foram batidos e, depois dessa primeira
derrota, ocorreriam novas batalhas no Recife,
em Goiana e Jaboatão dos Guararapes. Atualmente,
o Monte das Tabocas é um parque histórico
estadual. (Veja texto abaixo).
Vitória de Santo Antão é,
ainda, uma terra de muitos artistas e intelectuais
de grande importância no cenário
cultural brasileiro. Entre estes, estão,
por exemplo, o escritor Osman Lins, autor de “Lisbela
e o Prisioneiro”, e jornalista, escritor
e compositor Nestor de Holanda, criador de grandes
sucessos da MPB. (Veja textos abaixo)
Parque Tabocas
O Parque Histórico Estadual das Tabocas
foi criado pelo governo de Pernambuco, a 09-11-1978,
no local onde, a 03 de Agosto de 1645, foi travada
a primeira batalha entre os holandeses e portugueses
e brasileiros, episódio que deu início
a retirada dos holandeses do Brasil. Localizado
a 54 Km do Recife, PE, no município de
Vitória de Santo Antão cujo nome
se deve à vitória na Batalha do
Monte das Tabocas.
Tem área total de 9,33 hectares, em torno
do monte onde, em 1945, foi erguida uma capela
à Nossa Senhora de Nazaré - cumprindo-se,
assim, a promessa feita, três séculos
antes, pelo governador da capitania de Pernambuco
e um dos comandantes das tropas luso-brasileiras,
João Fernandes Vieira, de que ali construiria
uma igreja caso os holandeses fossem derrotados.
Osman da Costa Lins
Escritor, nasceu na cidade de Vitória
de Santo Antão, a 05 de julho de 1924,
filho do alfaiate Teófanes da Costa Lins
e de Maria da Paz Melo. Aos 16 anos de idade,
mudou-se para o Recife, onde fez o curso de finanças
na Faculdade de Ciências Econômicas
de Pernambuco.
Foi também funcionário do Banco
do Brasil. Estreou na literatura em 1952, com
a publicação do romance "O
Visitante". Em 1961, passou um ano na Europa,
como bolsista da Aliança Francesa, e, em
1962, fixou residência em São Paulo.
Morreu a 08 de julho de 1978.
Além de contos e romances, também
escreveu textos para teatro ("Lisbela e o
Prisioneiro", por exemplo) e um ensaio sobre
o escritor Lima Barreto, de quem era grande admirador.
Nestor de Holanda
Jornalista, escritor e compositor, Nestor de
Hollanda Cavalcanti Neto nasceu a 1º de dezembro
de 1921, em Vitória de Santo Antão,
Pernambuco, filho do farmacêutico Nestor
de Hollanda Cavalcanti Filho e da médica
Maria de Lourdes Galhardo de Hollanda Cavalcanti.
Quando seu pai morreu aos 22 anos, Nestor tinha
apenas 2 anos de idade e sua irmã Nelby,
apenas seis meses de nascida.
Em 1929, mudou-se com a família para o
Recife, aonde sua mãe veio trabalhar na
Repartição Estadual do Algodão
(Em 1931, a mãe de Nestor de Holanda ingressou
na Faculdade de Medicina do Recife, concluindo
o curso em 36, e exerceu a medicina até
morrer, 1955, no Rio de Janeiro. Um detalhe: ela
foi a primeira mulher que tirou carteira de motorista
em Pernambuco, em 1925, tendo sido forçada
a impetrar mandado de segurança para isso.)
Nestor de Holanda fez seus estudos no Recife
e, quando ainda cursava o ginasial, com um grupo
de amigos fundou e dirigiu o semanário
A Fama, que acabou apreendido e proibido de circular,
por motivos políticos. Em seguida, ingressou
no jornalismo, sendo sua primeira função
“aprendiz de suplente de revisor”.
Trabalhou na Gazeta do Recife, Jornal Pequeno,
Jornal do Comércio e Diário da Manhã.
Aos 17 anos, fez parte de um grupo de jovens
que fundou a editora Geração, através
da qual Nestor publicou livro de poemas, “Fontes
Luminosas, que consideraria depois "uma brincadeira
de criança". Integravam o grupo: Guerra
de Holanda, Paulo Cavalcanti, Mário Souto
Mayor, Sousa Leão Neto, Raul Teixeira,
Aristóteles Soares, Dagoberto Pires e outros.
Nessa época, participou, com a peça
“Mais tem Deus...”, de concurso de
teatro promovido pelo Governo do Estado, mas sua
foi proibida e os originais sumiram.
Ainda no Recife, com o apoio de Valdemar de Oliveira
e Luiz Maranhão, Nestor de Holanda escreveu
várias peças teatrais, muitas delas
comédias. Iniciou a carreira de compositor,
criando, entre outros, os seguintes frevos-canção:
Fala, Pierrô, em parceria com Levino Ferreira;
Barafunda, com Ernani Reis; O Frevo é Assim,
com Nelson Ferreira; e Não Deixe a Minha
Companhia, com João Valença.
Em 1941, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde
foi redator de A Cena Muda, Revista da Semana,
Brasilidade, Vida, Deca, e das rádios Vera
Cruz, Transmissora e Educadora. Convocado para
o Exército, esteve em operações
de guerra e chegou a sargento. Deixou o Exército
depois da guerra, voltando as suas atividades
intelectuais.
Trabalhou em diversos jornais: Folha Carioca,
Democracia, O Imparcial, A Noite, Folha do Rio,
Shopping News, Diário Carioca, Última
Hora e Diário de Notícias. Revistas:
Manchete, A Noite Ilustrada, Carioca. Estações
de Rádio: Clube Fluminense, Cruzeiro do
Sul, Clube do Brasil, Globo, Nacional e Ministério
da Educação e Cultura, da qual é
redator. Emissoras de televisão: Continental,
Excelsior, Rio.
No Rio de Janeiro Nestor de Holanda escreveu
várias peças de teatro, romances
e contos. Compôs, com vários parceiros,
mais de uma centena de canções populares,
entre as quais Seu Nome Não é Maria,
Xém-ém-ém (que fez parte
da trilha sonora de um filme de Walt Disney ),
Periquito da Madame, Último Beijo e outras.
Entre os seus parceiros, estavam Ari Barroso,
Ismael Neto, Haroldo Lôbo, Jorge Tavares,
Valzinho, Luiz Gonzaga e outras feras da MPB.
De estilo bem-humorado, Nestor de Holanda foi
um dos escritores do seu tempo que mais venderam
no Brasil. Alguns dos seus livros: “Diálogo
Brasil-URSS, O Mundo Vermelho”, “Sossego
- Rua da Revolução”, “Jangadeiros”,
“A Ignorância ao Alcance de Todos”,
“Itinerário da Paisagem Carioca”,
“Telhado de Vidro” etc. Recebeu o
título de Cidadão Carioca, por decisão
da Assembléia Legislativa do Estado da
Guanabara. Nestor de Holanda foi casado, desde
1947, com dona Kezia Alves de Hollanda Cavalcanti,
e o casal teve dois filhos, o compositor Nestor
de Hollanda Cavalcanti e Maria Marta.
Morreu no Rio de Janeiro em 14 de novembro de
1970.
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