turismo Tracunhaém: a cidade onde o barro vira santo ou panela
 



 
 
 

Localizada na Zona da Mata, a 63 quilômetros do Recife, a cidade de Tracunhaém é um dos mais importantes pólos de cerâmica do Estado. Ali, praticamente metade da população sobrevive, direta ou indiretamente, da transformação do barro em peças utilitárias ou em obras de arte.

São os trabalhadores anônimos que atuam nas olarias do município ou os vários artesãos famosos da cidade, alguns deles conhecidos até mesmo fora do Brasil.

Os ceramistas dedicam-se, especialmente, a imagens de santo em barro, de tamanhos variados. Entre seus principais artesãos estão Zezinho de Tracunhaém, Nilton Tavares, José Joaquim da Silva e o Mestre Nuca.

Outro artista que tem ligações com o pólo é Thiago Amorim, residente em Olinda, mas que ganhou notoriedade como ceramista em Trachunhaém, entre os anos 1975/1985. Os santos produzidos pelos artesãos locais são famosos nacionalmente.

Tracunhaém tornou-se tão marcante como pólo artístico que alguns dos seus artesãos acabaram adotando como sobrenome o próprio nome da cidade e só desta forma são identificados. A cidade viveu a sua época de glória entre os anos 1970/80, quando era visita obrigatória de intelectuais e artistas brasileiros que passavam pelo Estado.

Quando esteve no Recife, em 1980, o Papa João Paulo II levou uma imagem de Nossa Senhora do Carmo produzida em Tracunhaém. Consta que os primeiros artesãos locais foram os índios tupis, que modelavam cachimbos de barro. Além da cerâmica, a outra principal atividade econômica do município é a agroindústria canavieira.

Severino de Tracunhaém

Severino Gomes de Freitas (1916-1965) foi um dos mais representativos ceramistas de Trachunhaém, cidade onde nasceu e onde trabalhou nos engenhos de cana-de-açúcar até casar com Lídia Vieira, na época uma das mais famosas ceramistas nordestinas (faleceu em 1974).

De tanto observar a mulher modelando seus bonecos, deixou o trabalho na agricultura e entrou para o negócio do barro. Logo desenvolveu estilo próprio e ganhou fama como artista popular. Esculpia bichos e figuras estranhas, frades, beatas, estatuetas de Padre Cícero e outros.

Suas peças, em geral medindo entre 30cm e 50cm, integram coleções particulares e acervos de alguns museus pernambucanos. Morreu em decorrência de esquistossomose adquirida na zona rural onde viveu.

Zezinho de Tracunhaém

Ceramista, José Joaquim da Silva, conhecido como Zezinho de Tracunhaém, nasceu em 1939, em Vitória de Santo Antão. Até os 20 anos de idade, trabalhou na agricultura, cortando cana. Depois, mudou-se para Nazaré da Mata, onde foi ajudante de pedreiro.

Certa ocasião, ao passar por Tracunhaém, interessou-se pelo trabalho nas olarias e, desse contato com o barro, surgiu o primeiro boneco -um casal de namoradas- que vendeu na feira de Nazaré.

Incentivado por amigos, dedicou-se exclusivamente à cerâmica e, em 1968, fixou residência em Tracunhaém. No princípio, fazia bonecos semelhantes aos do Mestre Vitalino, de Caruaru, para vender nas feiras-livres. Depois, especializou-se em santos e ganhou fama. Já participou de dezenas de exposições em todo o Brasil e tem trabalhos em museus de vários países.

Além de sua técnica, os santos do artesão impressionam pelo tamanho -alguns têm dois metros de altura. A modelagem é toda à mão, com o emprego de uma espátula de madeira e outra de metal. Produz, também, figuras estranhas, como grandes jarras com cabeça de gente e outras.


 
 
 
 
 
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