|
A fé e a devoção do povo
pernambucano deram origem à construção
de vários santuários e à
organização de tradicionais romarias
e festas religiosas em municípios do interior
do Estado.
 |
Um dos mais significativos
desses santuários está em
Solidão, cidade que você vai
conhecer agora, em mais um capítulo
da viagem que o pe-az está fazendo
para mostrar as belezas naturais e a força
cultural do interior de Pernambuco.
|
O Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
está localizado na área urbana de
Solidão, num dos pontos mais altos da cidade
(subida com 58 degraus) onde estão duas
imagens: as de Nossa Senhora de Lourdes e a de
Santa Bernadete. Diariamente, o santuário
recebe a visita de fiéis de todo o Nordeste.
 |
Mas, é na terceira
semana de outubro, quando acontece a Festa
dos Romeiros, que a cidade é invadida
por um grande número de visitantes.
Nessa época, cerca de 15 mil pessoas
vão à Solidão pagar
promessas, fazer pedidos à santa
ou simplesmente conhecer o local considerado
sagrado.
|
A história do santuário de Solidão
começou em 1945, quando o padre francês
Carlos Luís Cottart, que atuava no sertão
pernambucano, decidiu colocar uma imagem de Nossa
Senhora de Lourdes numa gruta do então
arruado que se chamava Conceição
e pertencia ao município de Afogados da
Ingazeira.
Durante a construção do pedestal
para a imagem, surgiu, entre as paredes rochosas
da gruta, um olho d’`água que ninguém
havia notado antes. Os moradores atribuíram
o fato a um milagre e logo se espalhou a informação
de que aquela água tinha poderes curativos.
 |
Antes mesmo de terminada
a construção do santuário,
começaram a acontecer ali várias
celebrações religiosas. O
local passou a ser visitado por pessoas
da redondeza, que chegavam para acender
velas à santa, pagar promessas ou
coletar um pouco da água milagrosa.
|
As notícias de graças alcançadas
se espalharam e, pouco a pouco, o povoado passou
a receber visitantes de todo o território
pernambucano. Entre as décadas de 1950/70,
o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes
viveu um período de intensa movimentação,
com milhares de fiéis vindos de todo o
Nordeste brasileiro.
Milagres e castigo
Entre as muitas histórias de milagres,
os moradores de Solidão costumam lembrar
um caso ocorrido na década de 1940, com
o pedreiro Quintino Vicente Barbosa (seu Tintino),
que trabalhou na construção do santuário.
Um filho do pedreiro, de nome José, de
cinco anos, que era paralítico e surdo-mudo,
passou a andar e ouvir apenas 24 horas depois
de banhado com a água que escorria da gruta.
Mais recentemente, em 1979, uma criança
de 11 anos e uma jovem de 18, moradoras da cidade
de Arcoverde e ambas mudas, passaram a falar depois
de rezar algumas horas aos pés da santa.
Há, também, histórias de
cegos que passaram a enxergar; pessoas que nasceram
com os pés ou braços tortos e ficaram
curadas após uma simples lavagem com a
água milagrosa; e muitas outras. Hoje,
a água milagrosa já não jorra
mais da gruta de Solidão e os sertanejos
têm uma explicação: depois
que muita gente passou a recorrer ao local, alguns
gananciosos começaram vender a água
e, por castigo, a fonte secou.
Nem por isso, os fiéis deixaram de comparecer
ao santuário. Nos dias da Festa dos Romeiros,
mais de cem ônibus chegam a Solidão
trazendo os devotos.
|