turismo Salgueiro: tradição e cultura sertanejas
 



 
 
 

A viagem do Pernambuco de A/Z para mostrar a força cultural do interior do Estado tem uma nova parada: é Salgueiro, um dos mais representativos municípios de todo o Sertão pernambucano.

Localizado entre serras que hoje atraem desportistas aventureiros, Salgueiro já foi rota de passagem para figuras como Lampião (o Rei do Cangaço) e Padre Cícero que ali procurou abrigo quando fugiu do Ceará.

O município também guarda histórias como a de ter sediado a reunião que deu origem à Sudene. Tem, entre seus filhos ilustres, alguns dos melhores artesãos do Estado e é um importante sítio arqueológico do Nordeste brasileiro.

Além disso, Salgueiro abriga em um dos seus distritos – Conceição das Crioulas- a mais organizada comunidade negra, remanescente dos Quilombos, que resiste em território pernambucano.
Enfim, o município de Salgueiro é uma excelente opção para o turismo cultural.

Em Conceição das Crioulas, a raça e a resistência negra

Quem quiser conhecer um pouco da história e da cultura dos negros brasileiros não pode abrir mão de uma visita a Conceição das Crioulas, a mais organizada e uma das mais representativas das 40 Quilombolas (comunidades remanescentes dos Quilombos) existentes no Estado de Pernambuco.

Localizado no município de Salgueiro, a 42 quilômetros da área urbana, o povoado tem cerca de quatro mil habitantes que, além da pequena agricultura, sobrevivem da produção de artesanato. Ali, praticamente todos os moradores são descendentes de escravos e, segundo os estudiosos, a comunidade é um dos maiores exemplos da resistência negra no Brasil.

Consta que Conceição das Crioulas surgiu no início do Século XIX, quando seis negras livres chegaram àquela região do Sertão pernambucano e arrendaram uma quadra de terra de aproximadamente 18 quilômetros, onde passaram a trabalhar na fiação de algodão. Para pagar pelo uso da terra, as negras vendiam na cidade de Flores tudo o que produziam.

Com o passar do tempo, elas acabaram conquistando a posse do terreno. Os homens chegariam em seguida. Um deles, fugido da guerra, trouxe uma imagem de Nossa Senhora da Conceição e, ao encontrar as crioulas, sugeriu que fosse construída ali uma capela e que a santa fosse declarada padroeira do lugar.

Assim foi feito e assim surgiu o nome da comunidade: Conceição das Crioulas. Que atualmente é um povoado extremamente organizado: conta com uma associação comunitária, um jornal e página na Internet. A produção artesanal dos moradores tem pontos de vendas em vários Estados brasileiros.

Os habitantes de Conceição das Crioulas não estão concentrados em um único núcleo residencial, mas em vários sítios. Produzem artesanato utilitário em barro, corda com fibra de caroá, vassouras com palha de catolé e bonecas de pano de vários tamanhos, pretas, representando as mulheres que fizeram parte da história da comunidade.

Na zona rural, o Mestre preferido do Rei do Baião

Vaqueiro e um dos mais famosos artesãos do couro em Pernambuco, José Luiz Barbosa, o Zé do Mestre, nasceu em 1932, na zona rural do município de Salgueiro, onde vive até hoje. Aprendeu o ofício com o pai, conhecido na região por Mestre Luiz, vindo daí o apelido de Zé do Mestre.

Sua especialidade é a produção das peças que compõem os equipamentos e a vestimenta típica do vaqueiro nordestino: gibão, perneira, chapéu, bota, luva, guarda-peito (proteção para a barriga), chicote e corda de relho para amarrar o boi. Tudo no mais resistente couro.

Trabalha, com ajuda da mulher, na casa onde mora, no sítio Cacimbinha, a 14 km do centro de Salgueiro. Era a ele que o compositor Luiz Gonzaga (já falecido) confiava a produção das roupas de couro que usava nos shows.

Zé do Mestre já confeccionou gibão para autoridades como presidente da República, o rei Juan Carlos, da Espanha, e tem peças no Museu Missionário, no Vaticano. Depois que o tradicional vaqueiro tornou-se uma figura rara no sertão e a encomenda de gibão caiu praticamente a zero, ele iniciou a produção de peças em miniatura, vendidas na feira da cidade.

casa onde Zé do Mestre mora é um verdadeiro museu. Ali o artesão guarda algumas peças antigas e instrumentos de trabalho seculares. Seu maior sonho é transformar o local numa escola, para repassar aos jovens os segredos da produção artesanal da indumentária do vaqueiro. “É preciso não deixar essa arte morrer”, diz.


 
 
 
 
 
contato | expediente | publicidade