turismo Recife na poesia de João Cabral
 



 
 
 

Pregão Turístico do Recife
João Cabral de Melo Neto

Aqui o mar é uma montanha
regular, redonda e azul,
mais alta que os arrecifes
e os mangues rasos do sul.

Do mar podeis extrair,
do mar desse litoral,
um fio de luz precisa,
matemática ou mental.

Na cidade propriamente
velhos sobrados esguios
apertam ombros calcários
de cada lado de um rio.

Com os sobrados podeis
aprender lição madura:
um certo equilíbrio leve,
na escrita, na arquitetura.

E neste rio indigente,
sangue-lama que circula
entre cimento e esclerose
com sua marcha quase nula,

e na gente que se estagna
nas mucosas deste rio,
morrendo de apodrecer
vidas inteiras a fio,

podeis aprender que o homem
é sempre a melhor medida.
Mais: que a medida do homem
Não é a morte mas a vida.


 
 
 
 
 
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