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Cidade do famoso xilogravurista Jota Borges e
dos coloridos papangus que invadem as ruas nos
dias de carnaval, Bezerros oferece ainda uma série
de outros atrativos. Principalmente para quem
gosta de curtir a natureza e praticar esportes
radicais ou para quem pretende conhecer a diversidade
do artesanato pernambucano. É o que você
vai ver em mais um capítulo dessa nossa
viagem pelo interior do Estado.
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Para os apreciadores da
cultura popular, os primeiros pontos de
parada estão logo à beira
da estrada, antes mesmo de entrar na cidade.
Pois é ali, às margens da
BR-232, que estão localizados o ateliê
do artista Jota Borges e o Centro de Artesanato
do Agreste, construído pelo governo
do Estado para funcionar como um centro
de referência da arte popular pernambucana.
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Já os amantes da ecologia e dos esportes
radicais devem seguir para regiões como
a Serra Negra, a poucos quilômetros do centro
da cidade. O local abriga uma pequena vila, um
parque ecológico, mirantes e várias
grutas naturais que estão sendo utilizadas
para apresentações de shows musicais
e espetáculos teatrais. Serra Negra é
também um dos principais pontos do Estado
para a prática de vôo livre.
Borges: a peleja da xilogravura e do
cordel
No seu ateliê, às margens da BR-232,
J. Borges mantém uma exposição
permanente e um ponto de vendas dos folhetos de
cordel que escreve e das xilogravuras que entalha
na maneira de forma artesanal. Um dos mais famosos
gravadores populares do Nordeste brasileiro, ele
nasceu em Bezerros, em 1935.
Freqüentou apenas a escola primária
e, em 1956, começou a vender folhetos (de
outros autores) nas feiras-livres do interior
pernambucano.
De tanto manusear e ler as fantásticas
histórias, gostou daquele tipo de literatura
e passou a imitar os poetas dos quais vendia os
folhetos. O primeiro folheto que escreveu e publicou
contava a disputa de dois vaqueiros por uma donzela.
Desde então, não parou de escrever.
Em seguida, passaria a fazer também as
xilogravuras para ilustrar as capas dos seus folhetos.
Atualmente, a xilogravura de Borges é respeitada
não apenas no Brasil como também
no exterior.
J. Borges já expôs seus trabalhos
em países como USA, Suíça,
Alemanha, México, Venezuela e outros. Em
1994, o artista lecionou gravura, como convidado,
na Universidade do Novo México.
Autor de dezenas de xilogravuras que ilustram
o livro "As Palavras Andantes", do escritor
uruguaio Eduardo Galeano, em 1975 Borges produziu
xilogravuras para abertura da novela "Roque
Santeiro" (TV Globo), de Dias Gomes, que
foi censurada no dia da estréia.
Antes de passar a ganhar a vida com a arte do
Cordel e da gravura, J.Borges foi agricultor,
carpinteiro, pintor de paredes e pedreiro. Entre
os principais folhetos escritos pelo artista,
estão "O exemplo da mulher que vendeu
o cabelo e foi para o inferno" (1967) e "Domiciana
e Rosete" (1968).
Serra Negra: ecologia e arte nas alturas
Região das mais bonitas e agradáveis
do Estado, a Serra Negra tem 260 metros de altura
e fica a menos de dez quilômetros do centro
da cidade de Bezerros. O local abriga uma pequena
vila e um parque ecológico com vegetação
típica do semi-árido nordestino.
Inicialmente, a serra era explorada apenas pelos
adeptos dos esportes radicais que instalaram ali
uma rampa para vôo-livre.
Hoje, toda aquela área já vem
sendo usada de forma organizada pelo turismo.
Em 2002, por exemplo, foi realizado na Serra Negra
um grande festival de música, poesia e
artes plásticas.
O festival reuniu artistas locais e grandes nomes
como Gilberto Gil e aconteceu num anfiteatro e
nos mirantes e nas várias grutas naturais
existentes na serra. Foi um acontecimento que
contou com toda infra-estrutura das grandes produções.
Centro de Artesanato do Agreste
Localizada às margens da BR-232, o Centro
de Artesanato do Agreste é um espaço
construído pelo governo do Estado, no município
de Bezerros, para reunir peças de todos
os tipos do artesanato produzido em Pernambuco.
Idealizado para funcionar como um centro de referência
da arte pernambucana, terá exposição
permanente de trabalhos dos principais artesãos
e artistas populares de todo o Estado; pontos
de vendas e áreas para realização
de cursos e treinamentos.
Papangu
Mascarados que saem às ruas, durante o
carnaval, representando figuras tolas, grotescas.
Consta que, originalmente, eram os encapuzados
que saíam à frente das procissões
de penitência, tocando trombeta de vez em
quando. Depois que a Igreja Católica proibiu
a participação dessas figuras nas
procissões, os encapuzados passaram a desfilar
durante o carnaval.
Em 1831, a Câmara Municipal do Recife,
Pernambuco, determinou: "Ficam proibidos
os farricocos e papangus, figuras de morte e de
tirano, nas procissões que a Igreja celebra
no tempo da Quaresma" (Pereira da Costa in
Vocabulário Pernambucano).
Xilogravura
Ilustrações populares obtidas por
gravuras talhadas em madeira, muito difundidas
no Nordeste e sempre associadas à Literatura
de Cordel, uma vez que a partir do final do Século
XIX passaram a ser utilizadas na produção
de capas dos folhetos. Anteriormente, a xilogravura
tinha uso considerado "menos nobre",
como a confecção de rótulos
de garrafas de cachaça e outros produtos.
Sua grande popularidade veio com o Cordel.
A origem da xilogravura nordestina até
hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários
portugueses tenham ensinado sua técnica
aos brasilíndios, como uma atividade extra-catequese,
partindo do princípio religioso que defende
a necessidade de ocupar as mãos para que
a mente não fique livre, sujeita aos maus
pensamentos, ao pecado.
As matrizes para a impressão das ilustrações
são talhadas em madeira mole (o cajá,
por exemplo), geralmente pelos próprios
autores das histórias de Cordel que utilizam
apenas um canivete ou faca domética bem
amolados.
Na década de 1960, depois que intelectuais
e pesquisadores passaram a publicar luxuosos álbuns
de gravuras produzidas por artistas populares
do Nordeste, a xilogravura ganhou status de arte
e projeção nacional e internacional.
Entre os maiores xilogravuristas pernambucanos,
estão Dila e J. Borges.
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