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Nossa viagem para curtir as belezas e a força
cultural do interior chega a Belo Jardim, a cidade
de maior representatividade musical no Estado.
Localizada no Agreste, a 185 km do Recife, ali
a música é uma herança que
passa de pai para filho e não é
raro encontrar famílias inteiras dedicadas
à arte de tocar um instrumento. Essa tradição
vem desde o início do século passado,
quando se formaram as primeiras bandas da então
Vila de Nossa Senhora da Conceição
de Belo Jardim.
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O número de músicos
nascidos em Belo Jardim é tão
significativo que em praticamente todas
as bandas ou orquestras pernambucanas (além
de várias nacionais) existe ou já
existiu um representante da cidade. Alguns
exemplos: a banda do IV Exército
tem quatro músicos belojardinenses.
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Músicos da cidade também atuam
na Super Oara e na Orquestra Pinga Fogo. O primeiro
arranjador de Roberto Carlos era belojardinense,
assim como o maestro Mozart Siqueira, criador
da Orquestra Meninos de São Caetano. E
pela Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro
passaram vários músicos de Belo
Jardim.
Terra do cantor Otto, Belo Jardim guarda histórias
fantásticas relacionadas à música.
Um desses episódios ocorreu em 1953, quando
as bandas rivais Filarmônica e Cultura disputavam
para encerrar uma festa de rua e, como nenhuma
abria mão de ser a última a se exibir,
as duas permaneceram tocando 15 horas seguidas.
O impasse só foi resolvido com a intervenção
do juiz de Direito, do promotor, do prefeito e
do delegado da cidade que promoveram o seguinte
acordo: os músicos iam sendo retirados
paulatinamente, um de cada lado, até que
a música silenciasse.
Para marcar essa tradição musical
de Belo Jardim, a prefeitura ergueu, na entrada
da cidade, um monumento com três músicos
(sanfona, clarinete e sax) em tamanho natural
e a inscrição: “Cidade dos
Músicos”. E até os caminhões
do serviço de coleta de lixo do município
foram pintados com imagens de músicos famosos.
Por ser um município de base industrial
(é a terra do fabricante das Baterias Moura
e da indústria alimentícia Palmeiron),
Belo Jardim conta com uma boa infra-estrutura
de apoio ao turismo que está voltado, principalmente,
para exploração de suas serras e
cachoeiras.
Entre esses atrativos naturais, um destaque é
a Cachoeira do Engenho Tira-Teima, localizada
no meio da mata, com uma queda de vinte metros.
É essa queda que move a roda d’agua
do engenho, para a produção artesanal
de rapadura e aguardente de cana, a tradicional
cachaça pernambucana.
Outras atrações naturais do município
são: a Corredeira da Espalhadeira, com
dois pontos para banho; a Fazenda Inhumas, com
sua casa grande e uma bela lagoa; a Serra dos
Ventos, de clima permanentemente ameno; e a Serra
do Caboclo, a 12 km do centro da cidade, que tem
como destaque a Pedra do Caboclo.
O topo desta gigantesca pedra está a mais
de 100 metros de formação da serra
e a sua altura tem gerado várias histórias,
algumas fantasiosas. Dizem os moradores da região
que, num dia claro, sem nuvens, e com auxílio
de uma luneta, dali uma pessoa pode enxergar o
mar.
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