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Considerada a maior calamidade do século,
a enchente ocorreu entre os dias 17 e 18 de Julho
de 1975, deixando 80% da cidade do Recife sob
as águas. Outros 25 municípios da
bacia do Capibaribe também foram atingidos.
Morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram
desabrigadas. Na capital e interior, 1.000 km
de ferrovias foram destruídos, pontes desabaram,
casas foram arrastadas pelas águas.
Só no Recife, 31 bairros, 370 ruas e praças
ficaram submersos; 40% dos postos de gasolina
da cidade foram inundados; o sistema de energia
elétrica foi cortado em 70% da área
do município; quase todos os hospitais
recifenses ficaram inundados, tendo o depósito
de alimentos do Hospital Pedro II. sido saqueado.
Por terra, o Recife ficou isolada do resto do
País durante dois dias. O governador Moura
Cavalcanti decretou estado de calamidade pública
na capital e em 09 municípios do interior.
O presidente da República, em cadeia nacional
de televisão, anunciou medidas para socorrer
as cidades pernambucanas atingidas.
No Recife, a cheia atingiu seu ponto culminante
às 04 da madrugada do dia 18. Na manhã
do dia 21, quando as águas baixaram e a
população começava retomar
a vida, o pânico tomou conta das ruas do
Recife, em decorrência de um boato de que
a Barragem de Tapacurá havia estourado
e que a cidade seria arrasada.
Tudo ocorreu às 10 horas: de repente,
a multidão corria de um lado para outro
sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros
não respeitavam sinais nem contra-mão;
guardas de trânsito abandonavam seus postos;
várias pessoas foram atropeladas; bancos,
casas comerciais e a agência central dos
Correios fecharam as portas; no Hospital Barão
de Lucena várias pessoas pularam do primeiro
andar; enquanto o boato se espalhava de boca em
boca.
No Palácio do Governo, ao saber do que
estava acontecendo, o governador Moura Cavalcanti
comentou: "Agora não é mais
tragédia, agora é mortandade".
As emissoras de rádio passaram imediatamente
a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia
Militar divulgou nota oficial informando que prenderia
quem fosse flagrado repetindo o alarme. A Polícia
Federal anunciou que estava investigando a origem
(nunca descoberta) do boato.
O pânico durou cerca de duas horas, mas
seu momento de maior intensidade teve cerca de
30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas
nos serviços de emergência dos hospitais.
Passado o pânico, técnicos da Companhia
de Abastecimento de Água informaram que
um rompimento da Barragem de Tapacurá (que
tem capacidade para 94 milhões de metros
cúbicos de água e nada sofrera com
a enchente) traria conseqüências imprevisíveis
para a cidade do Recife. (Veja todas as enchentes
ocorridas em Pernambuco no item "Fenômenos
naturais").
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