| Em
todo o Estado, outubro é o pior mês
da estação seca. Na zona da Mata e
no Agreste, os pastos estão escassos e os
rebanhos que não têm alimentação
suplementar emagrecem. No Sertão, a estiagem
atinge o seu ponto mais cruel e até mesmo
os animais procuram a sombra de árvores como
o juazeiro, fugindo do calor causticante do sol.
O agricultor, sem outra alternativa, aguarda as
chuvas.
Nos leitos secos dos rios, os sertanejos cavam
cacimbas à procura de água que,
nessa época, é a coisa mais rara
naquela imensidão de terras nuas -apenas
nas áreas baixas dos brejos ainda há
oferta de água acumulada durante a estação
chuvosa.
Os arbustos da caatinga estalam de tão
secos, enquanto algumas árvores como a
algarobeira e o umbuzeiro resistem bravamente,
ponteando de verde a paisagem cinzenta.
Em outubro, a dieta do homem rural, dos animais
e das aves sofre considerável mudança,
porque muda a oferta de alimentos na natureza
e plantações. Nos campos, os animais
se alimentam quase que exclusivamente das cactáceas,
plantas imunes ao poder destruidor da estiagem.
Com pouquíssimos frutos a sua disposição
e também sem os grãos de que tanto
gostam, os pássaros voam à cata
de insetos.
Outubro é tempo de o teju, que passa boa
parte da vida recolhido, preparar-se para deixar
a toca e sair em busca de insetos, ovos e filhotes
de pássaros. Nos roçados ou beira
de estradas, já não se vêem
os sapos-cururu que, em épocas de calor,
procuram os buracos sombrios ou paus apodrecidos,
buscando a umidade.
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