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Movimento fanático, surgiu no município
de Floresta (em área que depois integraria
o município de São José do
Belmonte), interior de Pernambuco, em 1836, um
ano depois de o estado sofrer uma grande seca.
Teve início com as pregações
do beato João Antônio, segundo as
quais o rei Sebastião iria "desencantar"
e voltar para distribuir riqueza com o povo.
O beato foi logo seguido por uma legião
de adeptos, mas, pressionado por padres católicos,
desistiu da iniciativa. Dois anos depois, João
Ferreira (um cunhado do beato João Antônio)
reinicia o movimento, com as mesmas promessas
de criação do "Reino Encantado".
O fanático João Ferreira reunia
seus seguidores em torno de um grande rochedo
(a "Pedra do Reino") e dizia que, para
que o rei Sebastião revivesse e pudesse
realizar o milagre da riqueza, era preciso que
a grande pedra ficasse totalmente tingida com
sangue humano.
Quem doasse o sangue para a volta do rei seria
recompensado: velhos ressuscitariam jovens; pretos
voltariam brancos e todos, além de ricos,
seriam imortais na nova vida. Tiradas de suas
lavouras pelo flagelo da seca, famílias
de agricultores acamparam em volta da rocha e
passaram a aguardar o milagre.
João Ferreira proclamou-se "rei"
e estabeleceu os costumes da comunidade ali formada.
Por exemplo, cada homem poderia ter várias
mulheres, mas cabia ao "rei" o direito
da primeira noite: ele dormia a noite de núpcias
com a recém-casada, devolvendo-a no dia
seguinte ao marido.
Todas as outras normas de conduta também
eram ditadas por ele. A tentativa de tingir a
pedra com sangue humano (para que, finalmente,
o milagre acontecesse) foi levada à prática
durante três dias de maio de 1838. O primeiro
a ser degolado foi o pai do "rei" João
Ferreira.
Outras 50 pessoas foram sacrificadas, a maioria
crianças. Mas, mesmo assim, o rei Sebastião
não apareceu. Os fanáticos, então,
decidiram sair em procissão, tendo à
frente João Ferreira. Encontraram uma patrulha
e foram massacrados.
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