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Padre Antônio Henrique Pereira da Silva
Neto foi auxiliar do arcebispo de Olinda e Recife
Dom Hélder Câmara, era responsável
pelo setor da Arquidiocese que dava assistência
à juventude. Foi torturado e assassinado,
no Recife, entre a noite de 26 e a madrugada de
27 de maio de 1969, tendo seu corpo jogado num
matagal da Cidade Universitária.
O episódio teve características
de crime político (Dom Hélder liderava
a corrente da Igreja Católica que contestava
o regime militar instalado no Brasil em 1964)
e os autores do assassinato nunca foram identificados.
O enterro do Padre Henrique transformou-se numa
gigantesca passeata pelas ruas do Recife, com
vários atritos com as forças policiais.
Padre Henrique saiu para uma reunião
e no outro dia seu corpo apareceu num matagal
A corda aperta-lhe o pescoço e o homem
dobra as pernas, semi-asfixiado e cai de joelhos.
Uma pancada de faca ou canivete no rosto e o sangue
escorre, grosso, molhando o dorso nu e as calças.
Os vultos, ao seu redor, começam a tornar-se
ainda mais difusos e ele sente um impacto na face
e, certamente, não sente o segundo, à
queima-roupa, pouco acima da orelha.
Dois tiros de mestre, convergindo para um só
ponto do cérebro. O homem estende-se em
meio à pequena clareira aberta no matagal
e, nos últimos estertores da morte, agarra,
com a mão direita, crispada, um tufo de
capim.
Passava da primeira hora da madrugada de 27 de
maio de 1969 e não era chegada, ainda,
a terceira hora. Os olhos do homem estavam abertos,
como abertos e cheio de espanto estavam os olhos
do vigia Sérgio Miranda da Silva, quando
o encontrou, estirado no chão, às
seis e meia da manhã.
Antes das dez, o corpo estava identificado: era
do padre Antônio Henrique Pereira da Silva
Neto, 28 anos de idade, visto com vida, pela última
vez, por uma testemunha, quando era obrigado a
entrar numa rural verde e branca.
No final da tarde, a igreja do Espinheiro, no
Recife, estava abarrotada de gente para assistir
à missa de corpo presente, celebrada por
40 sacerdotes. Durante toda a noite houve vigília
e, no dia seguinte, a pé, por mais de 15
quilômetros, uma multidão de 20 mil
pessoas acompanhava o enterro até um cemitério
próximo à Cidade Universitária,
a mesma região aonde aconteceu o crime.
Foi assim que, seis anos depois, ao reconstituir
o episódio, o Jornal da Cidade narrou o
assassinato do Padre Henrique. Um crime que até
hoje nunca foi explicado e, provavelmente, nunca
o será.
Sabe-se apenas que, por várias vezes,
antes daquela madrugada, o padre sofrera veladas
ameaças de morte. Sabe-se, também,
que ficaram pistas. Mas só as pistas não
resolvem casos. Principalmente casos acontecidos
numa época em que o Brasil vivia sob a
censura e a brutalidade da ditadura militar.
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