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Por duas ocasiões, os holandeses tentaram
se estabelecer no Nordeste brasileiro: em 1624
na Bahia e em 1630 em Pernambuco. Os motivos dessas
investidas: parceiros dos portugueses no comércio
de açúcar e escravos, os holandeses
tiveram seus interesses econômicos prejudicados
quando os portugueses passaram,em 1580, o trono
português para a Coroa Espanhola.
Como eram rivais dos espanhóis, os holandeses
não só perderam o comércio
de açúcar, como também foram
proibidos de aportar em terras portuguesas.
Para tentar recuperar seus negócios na
África e na América, em 1621 o governo
e um grupo de companhias holandesas fundam a Companhia
das Índias Ocidentais (espécie de
empresa comercial, militar e colonizadora) e partem
para as investidas.
A primeira tentativa dos holandeses em ocupar
o Nordeste brasileiro ocorreu em maio de 1624,
quando eles atacam e ocupam Salvador, Bahia, cidade
da qual seriam expulsos em abril de 1625, depois
de um mês de lutas contra as tropas luso-espanholas.
Em fevereiro de 1630, acontece a segunda investida:
chega ao litoral pernambucano uma esquadra de
56 navios da Companhia das Índias Ocidentais
e os holandeses ocupam Olinda e Recife.
A ocupação não é
total, porque no Arraial do Bom Jesus, a 6 km
do Recife, guerrilhas são comandadas por
luso-brasileiros como Henrique Dias, Martin Soares
Moreno e Felipe Camarão.
Em janeiro de 1637, o conde João Maurício
de Nassau-Siegen chega ao Recife trazendo um grande
contingente militar; em pouco tempo consegue adesão
dos cristãos novos, dos índios,
dos negros e mulatos e, apesar das guerrilhas,
expande o domínio holandês no litoral
nordestino, do Maranhão até a foz
do Rio São Francisco.
Com medidas como a concessão de empréstimos
aos senhores de terra, o conde restabelece a produção
de açúcar e, até a restauração
de Portugal, em 1640, os holandeses não
enfrentam grandes problemas no Nordeste brasileiro.
Em 1644, por discordar do governo holandês
que precisava de dinheiro e determinou o imediato
pagamento dos empréstimos concedidos aos
senhores de terra nordestinos, Maurício
de Nassau retorna à Europa.
Com a ausência do conde, o domínio
holandês no Nordeste é enfraquecido
e a 03 de agosto de 1645 acontece a Batalha das
Tabocas, o primeiro confronto entre os holandeses
e os luso-brasileiros.
Este conflito deu início a expulsão
definitiva dos holandeses que aconteceria nove
anos mais tarde (ver Batalha dos Guararapes).
Enquanto permaneceu no Nordeste brasileiro, Maurício
de Nassau conseguira administrar sem problemas
a colônia holandesa.
Ele recebia salário milionário,
ajuda de custo e ainda ficava com 2% sobre todos
os lucros obtidos pela colônia. Daí,
sua disposição em realizar obras
de urbanização no Recife; estimular
a recuperação de engenhos; desenvolver
fazendas de gado. Para conquistar simpatia, permitia
a liberdade política e de culto.
Em sua equipe, Maurício de Nassau trouxera
cientistas que realizaram estudos de medicina,
história, meteorologia e astronomia, além
de artistas como Albert Eckhout e Franz Post,
os primeiros pintores a retratar cenas da vida
brasileira.
Um dos fatores que contribuíram para a
derrota dos holandeses: enfraquecida pela guerra
contra a Inglaterra, em 1652, a Holanda não
teve condições de reforçar
sua posição no Brasil. No livro
"O Negócio do Brasil - Portugal, os
Países Baixos e o Nordeste, 1641/1649"
(Topbooks, 1998), o historiador pernambucano Evaldo
Cabral de Melo diz que a expulsão dos holandeses
não foi resultado de guerras valentes,
mas de um acordo pelo qual Portugal pagou 4 milhões
de cruzados (equivalentes a 63 toneladas de ouro)
para ter o Nordeste brasileiro de volta.
Sob ameaça permanente de novos ataques
não só ao Nordeste brasileiro como
também a Lisboa, segundo o historiador,
Portugal passou 15 anos negociando e em 1669 fechou
o negócio. O pagamento da indenização
levou quatro décadas, através de
prestações anuais.
Durante esse período, houve ameaças
de calote, o que só não aconteceu
porque nessas ocasiões os Países
Baixos (que eram a principal potência econômica
e militar do Século XVII) despachavam a
Marinha de Guerra até a foz do Rio Tejo.
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