| O
período das grandes enchentes em Pernambuco
tem sido de junho a agosto. Entre os meses de janeiro
e fevereiro só há registros, em toda
a História, de duas pequenas inundações.
E assim mesmo restritas a algumas áreas do
Recife. Acompanhe aqui todas as enchentes que já
castigaram o Estado.
1632 - A 28 de janeiro, ocorre
a primeira enchente de que se tem notícia
no Recife, "causando perdas de muitas casas
e vivandeiros estabelecidos às margens
do Rio Capibaribe".
1638 - Maurício de Nassau
manda construir a primeira barragem no leito do
Rio Capibaribe para proteger o Recife das enchentes:
foi o Dique de Afogados, que tinha mais de 2 km
e hoje é uma rua do Recife, a Imperial.
1824 - Entre fevereiro e abril,
nova enchente atinge o Recife.
1842 - Junho. Enchente atinge
o Recife, derrubando várias casas. Pontes
desabaram; trens saíram dos trilhos; milhares
de pessoas ficaram desabrigadas. Foi a primeira
enchente de grandes proporções do
Rio Capibaribe.
1854 - Foi a maior enchente
do século. Durou 72 horas, atingindo todos
os bairros do Recife. Derrubou a muralha que guarnecia
a Rua da Aurora; parte do cais da Casa de detenção
veio abaixo; a cidade ficou sem comunicações
com o interior; no Porto do Recife, os navios
foram atirados uns contra os outros.
1862 - Nova enchente castiga
o Recife.
1869 - Grande enchente destrói
as pontes da Torre, Remédios e Barbalho,
e rompe os aterros da via férrea do Recife.
Foi a maior enchente até então,
tendo o imperador Pedro II determinado que o engenheiro
Rafael Arcanjo Galvão viesse a Pernambuco
"estudar o problema".
1870 - A 16 de Julho, o bacharel
em matemática e ciências físicas
José Tibúrcio Pereira de Magalhães,
diretor de Obras e Fiscalização
do Serviço Público do Estado, sugere
ao governo imperial a construção
de uma série de barragens nos principais
afluentes do Rio Capibaribe, para evitar cheias
no Recife.
1884 - Outra enchente atinge
o Recife.
1894 - Em junho, enchente atinge
todos os subúrbios recifenses situados
às margens do Rio Capibaribe.
1899 - 01 de Julho. Vários
bairros do Recife foram inundados por cheia do
Rio Capibaribe. No município de Vitória
de Santo Antão, desaba o segundo encontro
da ponte sobre o Rio Itapicuru.
1914 - Outra enchente desaba
sobre o Recife, deixando vários mortos.
1920 - A 14 de Abril, grande
enchente deixa Recife isolada do resto do Estado,
durante três dias. Postes foram derrubados;
linhas telegráficas interrompidas; trens
paralisados; pontes vieram abaixo, entre elas
a da Torre. Os bairros de Caxangá, Cordeiro,
Várzea e Iputinga ficaram totalmente isolados
do resto da cidade.
1924 - Nova enchente deixa os
bairros da Ilha do Leite, Santo Amaro, Afogados,
Dois Irmãos, Apipucos, Torre, Zumbi e Cordeiro
complemente submersos. O prédio do Serviço
de Saúde e Assistência desabou e
as obras do Quartel do derby sofreram grandes
prejuízos.
1960 - Nova enchente do Rio
Capibaribe castiga o Recife.
1961 - Enchente deixa 2 mil
pessoas desabrigadas no Recife.
1965 - Outra enchente castiga
o Recife. Os bairros de Caxangá, Iputinga,
Zumbi e Bongi ficaram complemente inundados. Nas
áreas mais próximas ao Rio Capibaribe,
a água cobriu o telhado das casas.
1966 - Enchente catastrófica
provocada pelo Rio Capibaribe, com a água
atingindo mais de 2 metros de altura, nas áreas
mais baixas do Recife. Em poucas horas, toda a
extensão da Av. Caxangá foi transformada
num grande rio. Na capital e interior, mais de
10 mil casas (a maioria mocambos) foram destruídas
e outras 30 mil sofreram danos, como paredes derrubadas.
Morreram 175 pessoas e mais de 10 mil ficaram
desabrigadas. O nível do Rio Capibaribe
subiu 9,20 metros além do nível
normal. O presidente da República, marechal
Humberto de Alencar Castelo Branco, veio ao Recife
verificar os danos causados.
1967 - A Sudene apresenta relatório
de uma comissão de técnicos, constituída
logo após a enchente de
1966 - Para encontrar soluções
para o problema. O relatório sugere a construção
de barragens nos seus principais afluentes e no
próprio Rio Capibaribe, que é a
mesma sugestão apresentada quase um século
antes pelo engenheiro José Tibúrcio.
1970 - Ocorrem duas enchentes
em Pernambuco. Em Julho, as águas atingem
a zona da Mata Sul e o Agreste do Estado, por
conta do transbordamento dos rios Una, Ipojuca,
Formoso, Tapacurá, Pirapama, Gurjaú,
Amaraji e outros. A cidade que mais sofreu foi
o Cabo, que teve 04 dos seus 05 hospitais inundados
e várias indústrias pararam suas
atividades. No Recife, as águas da Capibaribe
causaram grande destruição. Na capital
e interior, 500 mil pessoas foram atingidas e
150 morreram; 1.266 casas foram destruídas
em 28 cidades. Só no Recife, 50 mil pessoas
ficaram desabrigadas.
Em Agosto, nova cheia atinge o Recife e Olinda,
desta vez provocada pelo Rio Beberibe. Em Olinda,
5 mil pessoas ficaram desabrigadas e foi decretado
estado de calamidade pública.
1973 - Material de propaganda
da Secretaria de Obras do governo do Estado anuncia,
em letras garrafais, que a Barragem de Tapacurá,
inaugurada naquele ano, era solução
definitiva para dois graves problemas que afetavam
o Recife: abastecimento de água da população
e "o fim" das enchentes no Recife.
1974 - Outra enchente atinge
o Recife. A Comissão de Defesa Civil, que
tinha previsão do avanço das águas,
retirou a tempo a população das
área ribeirinhas. Em São Lourenço
da Mata, uma ponte ficou parcialmente destruída
e a população isolada. No município
de Macaparana, 20 pessoas morreram, por conta
do transbordamento do riacho Tiúma.
1975 - Considerada a maior calamidade
do século, esta enchente ocorreu entre
os dias 17 e 18 de Julho, deixando 80% da cidade
do Recife sob as águas. Outros 25 municípios
da bacia do Capibaribe também foram atingidos.
Morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram
desabrigadas.
Na capital e interior, 1.000 km de ferrovias
foram destruídos, pontes desabaram, casas
foram arrastadas pelas águas. Só
no Recife, 31 bairros, 370 ruas e praças
ficaram submersos; 40% dos postos de gasolina
da cidade foram inundados; o sistema de energia
elétrica foi cortado em 70% da área
do município; quase todos os hospitais
recifenses ficaram inundados, tendo o depósito
de alimentos do Hospital Pedro II. sido saqueado.
Por terra, o Recife ficou isolada do resto do
País durante dois dias.
O governador Moura Cavalcanti decretou estado
de calamidade pública na capital e em 09
municípios do interior. O presidente da
República, em cadeia nacional de televisão,
anunciou medidas para socorrer as cidades pernambucanas
atingidas. No Recife, a cheia atingiu seu ponto
culminante às 04 da madrugada do dia 18.
Na manhã do dia 21, quando as águas
baixaram e a população começava
retomar a vida, o pânico tomou conta das
ruas do Recife, em decorrência de um boato
de que a Barragem de Tapacurá havia estourado
e que a cidade seria arrasada.
Tudo ocorreu às 10 horas: de repente,
a multidão corria de um lado para outro
sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros
não respeitavam sinais nem contra-mão;
guardas de trânsito abandonavam seus postos;
várias pessoas foram atropeladas; bancos,
casas comerciais e a agência central dos
Correios fecharam as portas; no Hospital Barão
de Lucena várias pessoas pularam do primeiro
andar; enquanto o boato se espalhava de boca em
boca.
No Palácio do Governo, ao saber do que
estava acontecendo, o governador Moura Cavalcanti
comentou: "Agora não é mais
tragédia, agora é mortandade".
As emissoras de rádio passaram imediatamente
a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia
Militar divulgou nota oficial informando que prenderia
quem fosse flagrado repetindo o alarme.
A Polícia Federal anunciou que estava
investigando a origem (nunca descoberta) do boato.
O pânico durou cerca de duas horas, mas
seu momento de maior intensidade teve cerca de
30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas
nos serviços de emergência dos hospitais.
Passado o pânico, técnicos da Companhia
de Abastecimento de Água informaram que
um rompimento da Barragem de Tapacurá (que
tem capacidade para 94 milhões de metros
cúbicos de água e nada sofrera com
a enchente) traria conseqüências imprevisíveis
para a cidade do Recife.
1977 - A 01 de Maio, nova enchente
do Rio Capibaribe deixa 16 bairros do Recife embaixo
d'água. Olinda e outras 15 cidades do interior
do Estado também foram atingidas. Mais
de 15 mil pessoas ficaram desabrigadas e só
não foram registradas mortes porque a população
das áreas ribeirinhas foram retiradas 24
horas antes. São Lourenço da Mata
foi o município mais atingido. Em Limoeiro,
houve desabamento de ponte.
1978 - A 29 de Maio, o presidente
da República, Ernesto Geisel, vem ao Recife
inaugurar a Barragem de Carpina, construída
para conter as enchentes do Rio Capibaribe. Com
950 metros de comprimento, 42 metros de altura,
a barragem tem capacidade para armazenar 295 milhões
de m3 de água e fica a maior parte do ano
seca, só enchendo no período chuvoso.
2000 - Entre os dias 30 de julho
e 01 de agosto, fortes chuvas castigaram o Estado,
inclusive a Região Metropolitana do Recife,
deixando um total de 22 mortos, 100 feridos e
mais de 60 mil pessoas desabrigadas. Cidades foram
parcialmente destruídas, tendo ás
águas que transbodaram dos rios levado
pontes e casas.
As chuvas foram anunciadas com 40 dias de antecedência
pelos serviços de meteorologia, mas as
autoridades governamentais deram pouca importância
à previsão. As chuvas atingiram
300 milímetros em apenas três dias
e só na RMR aconteceram 102 deslizamentos
de barreiras. No município de Belém
de Maria, com 15 mil habitantes, 450 casas foram
arrastadas pelas águas.
O centro de Palmares ficou complemente debaixo
de água e em Barreiros a água atingiu
o teto do hospital da cidade. Dos 33 municípios
seriamente atingidos, em 16 foi decretado estado
de emergência e em 17 estado de calamidade
pública, entre os quais Rio Formoso, Gameleira,
Belém de Maria, Goiana, Cupira e São
José da Coroa Grande.
O presidente da República, Fernando Henrique
Cardoso, veio a Pernambuco observar de perto os
efeitos da calamidade e, dias depois, autorizou
a liberação de apenas 30% dos R$
129 milhões que, segundo levantamenteo
do governo do Estado, seriam os recursos emergenciais
necessários para recuperação
das áreas atingidas.
2004 - Fortes chuvas entre 08
de janeiro 02 de fevereiro de 2004 castigam todas
as regiões do Estado, deixando 36 mortos
e cerca de 20 mil pessoas desabrigadas. As chuvas
(jamais registradas entre os dois primeiros meses
do ano) foram provocadas por fenômenos atípicos
(frente fria e outros) e destruíram pontes
e estradas, açudes romperam, casas desabaram,
populações inteiras ficaram ilhadas.
Treze cidades ficaram em estado de calamidade
pública e 76 em estado de emergência.
Petrolina, no sertão do São Francisco,
ficou vários dias isolada, depois que as
águas levaram a estrada de acesso à
cidade. Todos os açudes e barragens do
Sertão e Agreste transbordaram, inclusive
a gigantesca Barragem de Jucazinho, em Surubim.
De acordo com levantamento do governo estadual,
os prejuízos em todo o Estado chegaram
a R$ 54 milhões.
2005 – Entre os dias 30
de maio e 02 de junho, fortes chuvas provocaram
enchentes em 25 cidades do Agreste, Zona da Mata
e Litoral pernambucanos, deixando 36 mortos e
mais de 30 mil pessoas desabrigadas.
Cerca de 07 (sete) mil casas foram parcialmente
ou totalmente destruídas; 40 pontes foram
danificadas; 11 rodovias estaduais foram atingidas,
sendo que sete delas ficaram interditadas; a água
inundou ruas centrais, hospitais, escolas e casas
comerciais de várias cidades, provocando
enormes prejuízos materiais.
Pouco mais de 30 mil estudantes da rede estadual
de ensino ficaram vários dias sem aulas,
porque em todas as cidades atingidas 93 escolas
foram danificadas e outras 11 foram transformadas
em abrigos para os desabrigados.
As cidades mais atingidas: Moreno, Vitória
de Santo Antão, Jaboatão, Nazaré
da Mata, Pombos, Ribeirão, Cabo e Escada.
O município que teve o maior número
de casas destruídas ou parcialmente danificadas
foi Vitória: 5 (cinco) mil casas.
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