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Boato de que Tapacurá estourou faz 30 anos

Em julho de 1975, depois de uma enchente que matou 107 pessoas, o Recife viveu uma situação de pânico jamais registrada em sua história. Não se sabe como nem por que, espalhou-se o boato de que a barragem de Tapacurá havia estourado e que a cidade seria arrastada pelas águas. A população entrou em desespero e as autoridades, com ajuda da imprensa, tiveram trabalho para acabar a correria.

Tudo ocorreu às 10 horas da manhã: de repente, a multidão corria de um lado para outro sem saber aonde ir; mulheres desmaiavam; os carros não respeitavam sinais nem contra-mão; guardas de trânsito abandonavam seus postos; várias pessoas foram atropeladas; bancos, casas comerciais e a agência central dos Correios fecharam as portas; no Hospital Barão de Lucena várias pessoas pularam do primeiro andar; enquanto o boato se espalhava de boca em boca.

No Palácio do Governo, ao saber do que estava acontecendo, o então governador Moura Cavalcanti comentou: "Agora não é mais tragédia, agora é mortandade".

As emissoras de rádio passaram imediatamente a divulgar insistentes desmentidos. A Polícia Militar divulgou nota oficial informando que prenderia quem fosse flagrado repetindo o alarme. A Polícia Federal anunciou que estava investigando a origem (nunca descoberta) do boato. O país vivia os duros anos da ditadura militar e houve até quem alegasse que o boato fora espalhado por terroristas.

O pânico durou cerca de duas horas, mas seu momento de maior intensidade teve cerca de 30 minutos. Mais de 100 pessoas foram atendidas nos serviços de emergência dos hospitais.

Passada a correria, técnicos da Companhia de Abastecimento de Água informaram que um rompimento da Barragem de Tapacurá (que tem capacidade para acumular 94 milhões de metros cúbicos de água e nada sofrera com a enchente) traria conseqüências imprevisíveis para a cidade do Recife.

A enchente
Considerada a maior calamidade do século, a enchente ocorreu entre os dias 17 e 18 de Julho de 1975, deixando 80% da cidade do Recife sob as águas. Outros 25 municípios da bacia do Capibaribe também foram atingidos. Morreram 107 pessoas e outras 350 mil ficaram desabrigadas. Na capital e interior, 1.000 km de ferrovias foram destruídos, pontes desabaram, casas foram arrastadas pelas águas.

Só no Recife, 31 bairros, 370 ruas e praças ficaram submersos; 40% dos postos de gasolina da cidade foram inundados; o sistema de energia elétrica foi cortado em 70% da área do município; quase todos os hospitais recifenses ficaram inundados, tendo o depósito de alimentos do Hospital Pedro II. sido saqueado.

Por terra, o Recife ficou isolada do resto do País durante dois dias. O governador Moura Cavalcanti decretou estado de calamidade pública na capital e em 09 municípios do interior. O presidente da República, em cadeia nacional de televisão, anunciou medidas para socorrer as cidades pernambucanas atingidas.

No Recife, a cheia atingiu seu ponto culminante às 04 da madrugada do dia 18. Na manhã do dia 21, quando as águas baixaram e a população começava retomar a vida, foi a vez do pânico tomar conta das ruas do Recife, em decorrência do boato de que a Barragem de Tapacurá havia estourado e que a cidade seria arrasada pelas águas.

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