1980
571 – CASCUDO,
Fernando da Câmara. “TIREM-NOS
DAQUI!” In. Jornal do Commercio,
Recife, 12 de abril de 1980. Em artigo
sobre o recente caso em que 15 mil
cubanos pediram asilo nas embaixadas
do Peru e da Venezuela, em Havana,
o jornalista Fernando da Câmara
Cascudo fez a seguinte indagação:
“Por que Dom Hélder não
decreta uma vigília religiosa,
para que Deus proteja a vida dos que
desejam deixar o Paraíso Cubano?”
O jornalista afirma que Dom Hélder
(além de outras pessoas, como
o compositor carioca Chico Buarque
de Holanda) “estão todos
calados”, estão todos
“vendidos a uma ideologia que
somente morte e terror traz para o
mundo”.
572 – “CASA
DE DOM HÉLDER É PICHADA”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
27 de abril de 1980. Notícia
diz que a residência de Dom
Hélder, além da sede
da Ação Católica
Operária, no Recife, amanheceram
o dia de ontem com seus muros pichados
com frases coomo estas: “CNBB-
cambada nacional dos bandidos de batina”
e”ACO- Antro de comunistas otários”.
 |
Diz também
que, no caso da residência
de Dom Hélder foram deixadas
no jardim cópias de umtexto
sob o título “O catecismo
da Liberdade”, dirigido
ao “Caro Chefe de Família”
e que adverte sobre “a crise
seríssima” por que
atravessa a Igreja católica
no Brasil, que agita os camponeses,
incentivando-os a invadirem propriedade
e chacinarem os seus legítimos
proprietários”, além
de incitar às greves.
Veja também “MURO
DA CASA DE HÉLDER É
PICHADO”. Jornal do Commercio,
27 de abril de 1980. |
Obs: a sigla CNBB significa Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil.
573 – “MUROS
DE RECIFE AMANHECEM PICHADOS”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
20 de junho de 1980. Notícia
diz que os muros do centro e de vários
bairros do Recife amanheceram o dia
ontem pichados com frases do tipo
“Abaixo aos Bispos Vermelhos”
e “Fora CNBB” –
Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil.
Obs: esta é a segunda vez,
em 1980, que aparecem pichações
no Recife contra Dom Hélder.
574 – “HÉLDER:
SE HOUVER NOVAS PICHAÇÕES
NOS MANGUINHOS, FICARÁ”.
Jornal do Commercio, Recife, 20 de
junho de 1980. Notícias traz
declarações de Dom Hélder
sobre pichações nos
muros do Recife, inclusive no Palácio
dos Bispos, com frases como “Abaixo
os Bispos Vermelhos”. (veja
referência 573).
Dom Hélder afirmou que, se
houver uma terceira pichação
no Palácio dos Bispos, ele
não mandará apagar,
deixando as frases que forem escritas
intocáveis.
Obs: O Palácio dos Bispos
é o local onde ficaria hospedado
o papa João Paulo II na sua
visita ao Recife.
575 – “HÉLDER
CÂMARA CORRE PERIGO DE SER MORTO”.
Diário de Pernambuco, Recife,
24 de junho de 1980. Notícia
diz que, paralelamente ao aparecimento
de pichações nos muros
do Recife (veja referência 574),
Dom Hélder voltou a receber,
esta semana, ameaças de morte
através de telefonemas anônimos.
Veja também “VOZ AO
TELEFONE AMEAÇA DOM HÉLDER”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
24 de junho de 1980.
576 – “
A MALDIÇÃO REVOGADA”.
Veja, São Paulo, 17 de setembro
de 1980.
Reportagem faz um histórico
das aruaçoes políticas
de Dom Hélder, conta episódios
de atritos envolvendo o arcebispo
e membros do governo brasileiro e
diz que, atualmente, está em
curso uma reaproximação
entre Dom Hélder e o governo
militar do Brasil.
Traz também, a reportagem,
depoimentos de quatro dos que, entre
as décads de 60-70, foram mais
ferrenhos críticos a Dom Hélder:
o sociólogo pernambucano Gilberto
Freyre; o autor de teatro carioca
Nelson Rodrigues; o jornalista carioca
David Nasser; e o ex-deputado pernambucano
Wandenkolk Wanderley.
Em seus depoimentos, todos esses
quatro críticos de Dom Hélder
chegam agora a quase elogiar o arcebispo.
577 – “PANFLETOS”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 10 de outubro de
1980. A cidade do Recife está
sendo envadida por uma distribuição
de panfletos contendo acusações
contra a Igreja e autoridades eclesiásticas.
578 – “MARCHEZAN
CONTESTA FALA DE D. HÉLDER”.
Jornal do Commercio, Recife, 25 de
outubro de 1980. O deputado Nelson
Marchezan, líder do governo
na Câmara Federal, condenou
recente declarações
de Dom Hélder feitas no exterior
sobre o processo político no
Brasil Marchezan disse: “Suas
afirmações produzem
efeito mas não correspondem
à realidade(...) Certos tipod
de pronuciamentos e atitudes não
contribuem para as boas relações
entre o governo e a Igreja.”
579 – MARROQUIM,
Murilo, “DOM HÉLDER E
O INGÊNUO” (1), Jornal
do Commercio, Recife, 15 de novembro
de 1980. Em artigo a “Nova Igreja”,
o jornalista afirma que Dom Hélder
“tem sido um bom circustante,
sempre de acordo com a moda. E se
esta é incendiar os campos
canavieiros, ele cala consentindo,
escondido por trás de seu breviário”.
Obs: Embora não faça
referências diretas, os artigo
de Murilo Marroquim foi motivado pela
expulsão do Brasil, em outubro
de 1980, do padre italiano Vito Miracapillo,
da paróquia de Ribeirão,
Pernambuco, porque o sacerdote se
recusou a celebrar uma missa em comemoração
à Independência do Brasil,
fato que voltou a gerar atritos entre
a Igreja e o governo brasileiro.
580 – MARROQUIM,
Murilo. “DOM HÉLDER E
O INCÊNDIO”. (2), Jornal
do Commercio, Recife, 16 de novembro
de 1980.
Artigo através do qual o jornalista
Murilo Marroquim afirma, entre outras
coisas, que o general João
Batista Figueiredo, presidente do
Brasil, “trava a sua luta pela
democratização e o civilismo”
do país, enquanto “os
adeptos de Dom Hélder estão
contra essas boas perspectivas”.
|