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A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA


1979

562 – “DOM HÉLDER CÂMARA, 70 ANOS: NUNCA ME SENTI UM PASTOR SIMPLESMENTE DE ALMAS. SOU UM PASTOR DE HOMENS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 de fevereiro de 1979. Reportagem sobre Dom Hélder, no dia em que ele completou 70 anos de idade, através da qual é feita uma retrospectiva de sua vida, e através da qual Dom Hélder fala entre outras coisas de sua atuação política como membro da Igreja.

563 – VEJA, São Paulo, número 553, 11 de abril de 1979. A revista publica trecho de um documento de 357 laudas em espaços dois, elaborado pelo Ministério da Justiça do Brasil, acusando a Igreja como “o mais atuante dos inimigos que atentam contra a segurança nacional, promovendo, através de processos intimamente subversivos, a substituição da estrutura político-econômica brasileira por uma nova ordem, em tudo semelhante à filosofia marxista”.

Segundo a revista, o documento foi solicitado ao ministro da justiça, Armando Ribeiro Falcão, pelo presidente do Brasil, general Ernesto Geisel, em março de 1974; suas informações foram fornecidas pelos órgãos de segurança do governo, principalmente o Centro de Informação e Segurança Aeronáutica; traz todo um diagnóstico da situação da Igreja no Brasil; cita o caso do padre Joseph Comblin (veja referência 187) e diz que “Dom Hélder e seu assecla Dom Lamartine (D. José Lamartine Soares, aecebispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife), divulgaram o episódio, com conotações de incitamento, aos fiéis da Igraja Católica” (...) “Ele (o documento do padre Comblin) incita os iféis a se rebelarem contra os poderes constituídos.

564 – “DIVULGAÇÃO DE UM RELATÓRIO”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 11 de abril de 1979. Nota protesta contra a divulgação, através da revista Veja, de um relatório secreto dos órgãos de segurança do governo brasileiro sobre a “infiltração comunista na Igreja católica no Brasil”, que faz referências a Dom Hélder e a outros membros da Arquidiocese de Olinda e Recife. (veja referência 563).

565 – “CONVITE A D. HÉLDER”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 25 de maio de 1979. Nota estranha o fato de que, “há mais de um mês”, se fala num convite aprovado pela Assembléia Legislativa de Pernambuco para Dom Hélder fazer um pronunciamento, sem que até agora o arcebispo tenha recebido qualquer comunicação oficial sobre essa decisão.

566 – “JULGAMENTO DE CAJÁ”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 25 de maio de 1979. Nota sobre o julgamento do membro da Comissão de Justiça e paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, Edval Nunes da Silva (Cajá), que fora preso no Recife. (veja referência 535).

Um trecho da nota diz: “A liga Internacional de Defesa dos Direitos Humanos enviou um telegrama, no dia 15/05/79, pondo à disposição da defesa de Cajá, os serviços técnico de Larry Parkinson, perito inglês especialista em perícias de material grafológico. O referido telegrama não chegou ainda a seu destino, apesar dos freqüentes telefonemas internacionais, da parte do sr. Gerald Thomaz, de Londres”.

567 – CÂMARA, Hélder. “MORTE, ONDE ESTÁ TUA VITÓRIA?” Homilia pregada por D. Hélder na missa comemorativa do 10º aniversário do assassinato do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, celebrada na Matriz da Várzea, Recife, 25 de maio de 1979.

O padre Henrique, amanheceu morto no dia 27 de maio de 1969, no campus da Universidade Federal de Pernambuco, Recife, com marcas de torturas e várias balas no corpo, e até hoje o crime não foi esclarecido pelas autoridades brasileiras.
Um trecho da homilia de Dom Hélder: “Nós sabemos que o bárbaro assassinato do pe. Henrique continua e continuará envolvido em mistério, fácil de entender. Deixemos bem claro que jamais nos interessou descobrir apenas executores. Importante seria chegar aos mandantes, e isto não por sentimento de ódio e de vingança, que, graças a Deus, jamais alimentamos”.

Obs: por várias vezes, Dom Hélder denunciou que o assassinato do padre Henrique teve motivos políticos, por conta da atuação do sacerdote junto aos estudantes universitários no Recife.

568 – “DOM HÉLDER NA ASSEMBLÉIA ESTADUAL”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 29 de junho de 1979. Notícia sobre palestra de Dom Hélder, proferida na Assembléia Legislativa de Pernambuco, quando o arcebispo falou sobre a “situação econômica, e abuso do poder público, em vista do bem comum, em regime de opressão, no continente, numa seqüência ampla de citações textuais das conclusões do documento de Puebla”.

569 – “DOCUMENTOS DA APREENSAO DOS CADERNOS DE OPINIÃO Nº2” Cadernos de Opinião, Rio de Janeiro, 12 de julho de 1979.
Reproduz os documentos da Polícia Federal sugerindo ao Ministério da Justiça a apreensão (realmente efetuada) dos Cadernos de Opinião Nº2, publicação editada em 1975, e que divulgou uma palestra de Dom Hélder (veja referência 465).
A publicação da palestra foi considerada pela Polícia Federal como “um verdadeiro repto que a revista Cadernos de Opinião faz ao governador”. E o editor da publicação, Fernando gasparian, foi processado por ter publicado a conferência de Dom Hélder.

570 – “DOM HÉLDER ACHA QUE ELE CONFUNDE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 14 de dezembro de 1979. Boletim publica a resposta de Dom Hélder ao secretário-geral do Partido comunista Brasileiro, Luís Carlos Prestes, que no dia 10 de dezembro de 1979, em declaração à imprensa brasileira, afirmou que “o nosso maior aliado é a Igreja católica”.

Em sua resposta a Prestes, Dom Hélder, após condenar as ditaduras de esquerdas, disse: “Declarações dete tipo contribuem para embaralhar a cabeça de pessoas de boa vontade, mas não untanto ingênuas em política e são um achado para quem, maliciosamente, faz de conta que confude a posição da Igreja com posições comunistas”.

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