1978
514 – MACHADO,
J. A. Pinheiro Opiniãoi x Censura,
L&PM Editores, Porto Alegre, 1978.
O livro conta todo o episódio
do processo movido pelo procurador
da primeira Auditoria de Marinha do
Rio de Janeiro contra o editor Fernando
Gasparian, por ele ter publicado,
através do número dois
do s Cadernos de Opinião, em
1975, uma conferência de Dom
Hélder sob o título
“O que faria santo Tomás
de Aquino diante de Karl Marx?”,
proiferida em 1974 nos EUA. (veja
referência 465)
Segundo o Departamento de Polícia
Federal, o consultor jurídico
substituto do Ministério da
Justiça, Hélio Fonseca,
e o próprio ministro, Armando
ribeiro Falcão, a conferência
de Dom Hélder é “atentatória
à segurança nacional”.
Veja também Jornal do Brasil,
Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1978
e revista Veja, São Paulo,
01 de fevereiro de 1978.
515 – “DOM
HÉLDER: ATAQUE E DEFSSA NO
FIM DO SILÊNCIO”. O Cruzeiro,
Rio de Janeiro, 07 de janeiro de 1978.
Entrevista de Dom Hélder ao
repórter Ricardo Ferreira Pinto,
através da qual o arcebispo
de Olinda e Recife diz que, apesar
de a imprensa brasileira ter começado
recentemente a publicar entrevistas
suas (veja referência 470),
o rádio e a televisão
brasileiras ainda lhe estão
proibidos por censura imposta pelo
governo.
 |
Na entrevista, Dom
Hélder fala também
de sua atuação política
como sacerdote (denunciando injustiças);
afirma que o movimento militar
de 31 de março de 1964,
(que distituiu João Goulart
da presidência do Brasil)
“não tenha sabido
ou podido fazer as reformas de
base, que a transformariam de
revolução, de nome
em revolução de
fato”. |
Anexo a entrevista, a revista publica
um texto assinado por seu editor (Joaquim
José F. Lacreca) sob o título
“Nossos apartes a Dom Hélder”,
acusando o arcebispo de “demagogo”,
rotulando-o de “pombo-correio
das esquerdas internacionais”
e afirmando que o que Dom Hélder
faz é ‘difamar o Brasil
no exterior” e dizendo que ele
nunca denunciou opressões praticads
nos países comunistas.
516 – CÂMARA,
Hélder. “LIDERANÇA
MUNDIAL DA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS”.
In Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, Vol.
1975-80.
Transcreve íntegra de mensagem
de Dom Hélder por ocasião
do Governar’s Prayer Breakfast,
realizado em Sacramento, Califórnia,
no dia 12 de janeiro de 978, atraves
da qual o aercebispo condena a ideologia
da segurança nacional; responsabiliza
os EUA pela situação
generalizada de governos autoritários
na América Latina; “e
critica também o regime nos
países comunistas, afirmando
que “nada parece mais com uma
ditadura de direita do que uma ditadura
de esquerda”.
517 – “PAPA
TERIA PROIBIDO D. H. DE FAZER NOVAS
VIAGENS” O Globo, Rio de Janeiro,
11 de fevereiro de 1978. Notícia
diz que “fontes da Arquidiocese
de Olinda e Recife” revelaram
que Dom Hélder estaria proibido
pelo papa Paulo VI de fazer novas
viagens ao exterior (onde o arcebispo
costuma fazer denúncias contra
injustiças praticadas inclusive
no Brasil e afirma que o próprio
Dom Hélder não desmentiu
tal informação).
518 – “DOM
HELDER NÃO FALA DE VETO ÀS
SUAS VIAGENS”. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 11 de fevereiro
de 1978. Notícia afirma que
Dom Hélder preferiu não
responder indagações
de repórteres, sobre notícias
veiculadas no Brasil segundo as quais
ele estaria proibido pelo papa Paulo
IV de fazer novas viagens ao exterior
(veja referência 517).
Obs.: O motivo dessa suposta proibição
seria freqüentes atritos entre
Dom Hélder e o governo brasileiro,
uma vez que o arcebispo tem denunciado,
durante viagens ao exterior, injustiças
sociais e a prática de torturas
a presos políticos no Brasil.
519 – “DOM
HÉLDER EXPLICA SENTIDO DA CAMPANHA
DA FRATERNIDADE ESTE ANO E ADMITE
ALGUMA SOISA SOBRE AS SUAS VIAGENS”.
Diário de Pernambuco, Recife,
11 de fevereiro de 1978. Dom Hélder
desmente informações,
veiculadas no Brasil, de que o Papa
Paulo VI teria manifestado o desejo
de proibir suas viagens ao exterior.
520 – “CNBB
NEGA PRESSÕES SOBRE D.H. E
ANUNCIA AÇÃO MUNDIAL
CONTRA OPRESSÃO”. Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 12 de fevereiro
de 1978.
O presidente da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
Dom Aloísio Lorscheider, distribuiu
nota desmentindo informações,
publicadas pela imprensa brasileira,
de que ele teria, em nome do Papa
Paulo VI, aconselhado Dom Hélder
a evitar freqüentes viagens ao
exterior (veja referência 519).
521 – “DOSSIÊ
CENSURA – FICA PROIBIDA A DIVULGAÇÃO
DE...”. Folhade São Paulo,
São Paulo, 05 de março
de 1978. Jornal publica documentos
da censura imposta pelo governo militar
à imprensa brasileira, entre
os quais estão várias
circulares proibindo a veiculação
de notícias sobre Dom Hélder.
522 – “D.H.:
ESTOU COM CAXIAS”. Diário
de Pernambuco, Recife, 10 de março
de 1978. Dom Hélder afirmou,
entre outras coisas, prferir ficar
com o julgamento da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (“que
conhece seus fatores”) a ficar
com o general João Batista
Figueiredo, comandante da VIIIª
Região Militar, que acusou
de “comunistas” padres
missionários na Amazônia.
523 – “D.H.
É ACUSADO DE PROMOVER AGITAÇÃO
ENTRE POSSEIROS PERNAMBUCANOS”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
12 de março de 1978.
Proprietários do Engenho Novo,
em Igarassu, acusaram Dom Hélder,
através de carta publicada
pelo Diário de Pernambuco,
de ter “contribuído para
explodir a agitação
entre os posseiros da propriedade”.
Essa acusação a Dom
Hélder é por conte dele
ter dito, em sermão de uma
missa, que “se vocês (posseiros)
se unirem, não há forço
no mundo que vença a comunidade
dos humildes”.
524 – “VATICANO
PEDE A D.H. QUE LIMITE VIAGENS”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
23 de março de 1978. Um assessor
do Vaticano, padre Romeo Panciroli,
aconselhou Dom Hélder permanecer
mais tempo em sua diocese, ou seja,
diminuir viagens ao exterior, onde
o arcebispo freqüentemente pronuncia
conferências, inclusive, sobre
temas políticos.
Segundo o jornal, Dom Hélder
confirmou o pedido do Vaticano: “Um
amigo, de absoluta confiança,
transmitiu-me o pedido oral do Papa.
Vou cumprir porque, partindo do Papa,
é uma ordem para mim, mesmo
que venha, como foi o caso, sem explicação
nenhuma”.
525 – “VIAGENS
DE HÉLDER TÊM REPERCUSSÃO”.
Jornal do Commercio, Recife, 23 de
março de 1978. Jornal fala
de telegrama enviado da diocese de
Antaginish, Canadá, a Dom Hélder,
por conta da repercussão da
notícia sobre pedido do Vaticano
para que o arcebispo diminua número
de viagens para fora do Brasil.
Segundo o jornal, Dom Hélder
afirmou estranhar o pedido, uma vez
que suas viagens ao exterior nunca
passam de cinco por ano e foram “todas
aprovadas pessoalmente pelo Santo
Padre”. E que, até aquele
momento, não tinha em mãos
nenhum documento do Vaticano sugerindo
a redução das viagens
(veja referência 519).
526 – “D.H.
EM OBEDIÊNCIA À ORDEM
DO PAPA”. Jornal do Brasil,
Rio de Janeiro, 24 de março
de 1978. O cardeal Dom Eugênio
Sales, do Rio de Janeiro, diz que
a atitude de Dom Hélder em
obedecer ao Papa (que no início
de fevereiro de 1978 teria recomendado
ao arcebispo diminuir suas viagens
ao exterior) é louvável
e que a sugestão de Paulo VI
“não significa medida
punitiva, mas apenas um conselho”
(veja referência 524).
527 – “D.
HÉLDER RESPONDE A FIGUEIREDO”.
Diário da Noite, Recife, 03
de abril de 1978. Em depoimento escrito,
Dom Hélder responde declaração
do general João Figueiredo,
chefe do Srviço Nacional de
Informações, prestada
à revista Istoé, de
São Paulo, sobre o papel da
Igreja.
Dom Hélder diz: “Se
o pensamento do general Figueiredo
foi bem apreendido e bem expresso,
temos pela frente um candidato à
presidência d República
para quem a Igreja deve restrimgir-se
à Sacristia. A segurança
nacional não é e não
pode ser assunto privativo do Alto
Comando. Cabe à Igreja, em
sua missão específica,
ajudar a reconhecer que segurança
nacional é direito e até
dever de cada povo, mas denunciar
a gravidade absoluta de a segurança
nacional ser reconhecida como valor
supremo, como valor dos valores”
(sic).
Diz ainda Dom Hélder: “Enquanto
a idolatria de segurança nacional
não for revista em profundidade,
qualquer suspeita de ação
contra a segurança nacional
acaba levando a sequestros e tortura”.
528 – “A
MISSÃO IMPOSSÍVEL DON
GEN. SOUZA AGUIAR A D. HÉLDER”.
Diário de Pernambuco, Recife,
07 de abril de 1978. Notícia
faz um relato de episódios
através dos quais o ex-comandante
do IV Exército no Recife, “tentou
melhorar o relacionamento entre o
arcebispo de Olinda e Recife, Dom
Hélder Câmara, e a liderança
da revolução de março
de 1964”.
A notícia afirma que Dom
Hélder nunca se entendeu bem
com os militares que, em março
de 1964, derrubaram João Goulart
da presidência do Brasil, e
acrescenta que as tentativas do general
Souza Aguiar não deram em nada,
porque as divergências entre
o arcebispo e o governo brasileiro
“eram (e ainda são) grandes
demais”.
529 – “DOM
HÉLDER, O ARCEBISPO PROIBIDO:
EU FARIA O JOGO DO COMUNISMO SE CONTINUASSE
A USAR A IGREJA COMO O ÓPIO
DO POVO”. Status, São
Paulo, Abril de 1978. Entrevista de
Dom Hélder a Múcio Borges
da Fonseca, através da qual
o arcebispo de Olinda e Recife faz
um extenso relato do período
de oito anos (1969-1977) em que esteve
proibido de prestar declarações
à imprensa brasileira e quando
sofreu os mais diversos tipos de acusações
por parte de intelectuais, militares,
religiosos ou membros do governo.
530 – DELGADO,
José Luiz. “CARTA AO
ARCEBISPO”. In. Jornal do Commercio,
Recife, 23 de abril de 1978. Em artigo
publicado na seção “Idéias,
Livros e Fatos”, José
Luiz Delgado condena entrevista de
Dom Hélder, cedida à
revista Status (veja referência
529), não pelo conteúdo,
mas pelo fato de a entrevista ter
sido publicada “numa revista
de mulheres nuas”, fato que
representa “um atentado contra
a pureza”.
No artigo, Delagdo cita o jornalista
Aldo Paes Barreto que, “admiravelmente”,
fizera (publicadas pela imprensa do
Recife) à entrevista de Dom
Hélder com a seguinte frase:
“Em meio a belas jovens desnudas,
Dom Hélder convive pacífica
e humanamente, desfilando suas verdades”.
Obs: A entrevista de Dom Hélder
a Status é um histórico
do período (1969-1977) em que
o arcebispo esteve proibido pelo governo
brasileiro de prestar declarações
a imprensa e em que sofrera os mais
diversos tipos de acusações
sem direito a resposta.
531 – FREYRE,
Gilberto. “VOCAÇÕES:
INCLUSIVE A POLÍTICA”.
In. Jornal do Commercio, Recife, 23
de abril de 1978. No artigo, onde
tenta interpretar a vocação
política de vários personagens
da história do Brasil, o sociólogo
Gilberto Freyre diz: “(...)
o caso ainda de Dom Hélder
Câmara: tão sem jeito
no desempenho das funções
do arcebispo católico”
(...) No mesmo parágrafo em
que cita Dom Hélder, Freyre
afirma: “(...) pois que líderes
militantemente políticos têm
tido, no Brasil, a chamada esquerda-esquerda
no sentido de corajosa ação
brasileiramente reformista, inovadora,
reformadora-, senão medíocres
da pior espécie, demagogos
da mais gritante inferioridade, retóricos
de darem aos ouvidos doa que têm
ouvido, vontade de vomitar sons tãos
ocos?”(...)
532 – “ERRATA”.
In. Jornal do Commercio, Recife, 25
de abril de 1978.
Em nota na coluna “Nordeste
Dia a Dia”, o jornalista Aldo
Paes Barreto afirma que o pensador
católico José Luiz Delgado,
ao condenar através de artigo,
aentrevista de Dom Hélder concedida
à revista Status (veja referência
530), fez uso coletivo da seguinte
frase sua (dele, Aldo): “Em
meio a belas jovens desnudas, Dom
Hélder convive pacificamente
e humanamente, desfilando suas verdades”.
Paes Barreto explica que essa frase
sua não teve a intenção
de criticar Dom Hélder (como
sugeriu José Luiz Delagado),
mas apenas mostrar que o arcebispo
concedeu a entrevista sem qualquer
preconceito, pelo fato dela ser veiculada
por uma revista que publica fotos
de mulheres nuas.
533 – JORNAL
DO COMMERCIO, Recife, 11 de maio de
1978. O deputado Wandekolk Wanderley,
do partido do governo, Aliança
Renovadora Nacional, Arena, condenou,
da tribuna da Assembléia Legislativa
de Pernambuco, vigília feita
no dia 08 de maio de 1978 por Dom
Hélder em favor de presos políticos
brasileiros. Durante a vigília,
o arcebispo afirmou ser “um
desrespeito aos direitos humanos”
a condenação de prisão
perpétua a dois presos recolhidos
à penitenciária da Ilha
de Itamaracá, em Pernambuco.
534 - “D.H.:
DECIDIDO, ACEITO OS APLAUSOS E OS
APUPOS”. In. Jornal do Commercio,
Recife, 12 de maio de 1978. Dom Hélder
rebateu críticas feitas pelo
deputado Wandenkolk Wandreley. (veja
referência 533). Segundo a notícia,
Dom Hélder comentou: “Respeito
opiniões divergentes das minhas,
tenho idade e responsabilidade para
assumir minhas próprias posições”.
535 – “VIOLÊNCIA
HORRORIZA DOM HÉLDER”.Diário
de Pernambuco, Recife, 18 de maio
de 1978. Notícia transcreve
nota, assinada por Dom Hélder
no dia anterior, protestando contra
a prisão do estudante Edval
Nunes da Silva (Cajá), membro
da “Comissão de Justiça
e Paz” da Arquidiocese de Olinda
e Recife, seqüestrado e preso
no dia 12 de maio de 1978, no Recife,
por policiais do Departamento de Polícia
Federal, sob acusação
de “tentar reorganizar o Partido
Comunista Revolucionário”.
Na nota, Dom Hélder diz que
“horroriaz-se ver recomeçar
em nossa cidade o clima de violência
na hora em que se insiste em abertura
democrática”, afirma
que “seqüestro e tortura
são intoleráveis”;
diz que Edval Nunes da Silva “de
modo algum anda envolvido na rearticulação
do Partido Comunista Revolucionário”,
e sugere que o preso seja examinado
por “um médico acima
de qualquer suspeita” para determinar
se ele está sendo torturado
pela Polícia Federal.
Obs: Edval Nunes da Silva sumiu
na noite de 12 de maio de 1978 e ficou
sem que ninguém soubesse do
seu paradeiro até o dia 15
de maio de 1978, quando a Superintendência
do Departamento de Polícia
em Pernambuco distribuiu nota comunicando
sua prisão, fato publicado
pela maioria dos jornais brasileiros
no dia 16 de maio de 1978.
536 - “CONTRA
O TERROR”. Jornal do Commercio,
Recife, 18 de maio de 1978.
Na coluna “Nordeste Dia a Dia”,
o jornalista Aldo Paes Barreto defende
Dom Hélder em face das acusações
generalizadas que o arcebispo costumeiramente
sofre; cita o assassinato do padre
Antônio Henrique Pereira da
Silva Neto, em 1969, no Recife; lembra
que a resistência de Olinda
e Recife já sofreu vários
atentados à bala; e afirma
que, apesar de todas as agressões,
Dom Hélder nunca pediu outra
coisa senão justiça.
537 – “PRESO
E TORTURADO MEMBO DA COMISSÃO
JUSTIÇA E PAZ”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 19 de maio de 1978.
Notícia sobre o seuqestro e
prisão do estudante Edval Nunes
da Silva, “componente da Comissão
de Pastoral da Juventude da Arquidiocese
de Olinda e Recife”. (veja referência
535).
Além de transcrever nota
de protesto de várias entidades
religiosas e membros da Igreja (entre
elas a nota de Dom Hélder,
publicada no dia anterior pela imprensa
brasileira), a notícia do Boletim
afirma que, após Edval Nunes
da Silva ter recebido visita de parentes
eda Ordem dos Advogados do Brasil-OAB,
Seção de Pernambuco,
“ficou constatado que ele foi
torturado” na prisão.
538 – “AS
ACUSAÇÕES FEITAS A CAJÁ”.Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 26 de maio de 1978.
Nota questionando a autenticidade
de um cartaz através do qual
o Departamento de Polícia Federal
em Pernambuco apresenta seus kotivos
para detenção do estudante
Edval Nunes da Silva (Cajá),
sob a acusação de ‘tentar
reorganizar o Partido Comunista Revolucionário”
em Pernambuco. (veja referência
535).
A nota do Boletim Arquidiocesano
diz que a Polícia Federal distribuiu
este cartaz a várias pessoas
e entidades no Recife, inclusive à
Igreja, e afirma também que
o estudante Edval Nunes da Silva foi
torturado “desde o momento de
sua prisão até as 17
horas do dia seguinte”.
539 – “SEQÜESTRO
NO RECIFE”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 26 de maio
de 1978. Notícia sobre o seqüestro,
efetuado naquela semana no Recife,
do sr. Arnaldo Dubeux, presidente
da Bolsa de Valores do Recife e cônsul
honorário do México.
A imprensa de Pernambuco divulgara
a informação de que
o seqüestrador é ligado
ao Partido Comunista Revolucionário
e mantinha ligações
com o estudante Edval Nunes da Silva,
da Comissão de Justiça
e Paz da Arquidiocese de Olinda e
Recife, preso e torturado nas dependências
do Departamento de Polícia
Federal em Pernambuco. (veja referência
538).
A notícia dfo Boletim Arquidiocesano
afirma que “há um aspecto
muito grave” nessa afirmação
de que o seqüestrador do cônsul
honorário do México
tem ligações com o estudante
Edval Nunes da Silva, e transcreve
declarações do ex-governador
de Pernambuco, Cid Feijó Sampaio,
questionando a seriedade do seqüestro.
Obs: o seqüestrador acabou
sendo preso, e, posteriormente, fugiu
do Departamento de Polícia
Federal e não mais se falou
no caso.
540 – “ACUSAÇÕES
Á ATUAÇÃO PASTORAL
DE DOM HÉLDER”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 26 de maio de 1978.
Nota rebate notícia veiculada
pelo Diário de Pernambuco,
Recife, 23 de maio de 1978, criticando
a atuação pastoral da
Arquidiocese de Olinda e Recife.
541 – “TORURAS
AINDA”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 26 de maio
de 1978. Transcreve artigo do professor
Dalmo A. Dalari, da Universidade de
São Paulo e presidente da Comissão
de Justiça e Paz da Arquidiocese
daquele Estado, condenando a prática
de torturas contra presos políticos
brasileiros, entre eles o estudante
Edval Nunes da Silva. (veja referência
538).
O artigo de Dalari fora publicado
no dia 20 de maio de 1978 pelo jornal
Jolha de São Paulo, de São
Paulo, e num de seus trechos diz o
seguinte: “Ainda há quem
se irrite quando se fala nas torturas
praticadas contra presos políticos
brasileiros. Tempos atrás,
tentava-se negar a ocorrência
das tortura e quem afirmava que elas
resistiam era acusado de subversivo”.
542 – “PADRES
DISCORDAM DA ATUAÇÃO
DE DOM HÉLDER”. Diário
de Pernambuco, Recife, 23 de maio
de 1978. Vários padres, entrevistados
pelo jornal, discordam da atuação
pastoral de Dom Hélder à
frente da Arquidiocese de Olinda e
Recife, sob a alegação
de que a Igreja ”Não
deve participar de movimentos de natureza
política” e, sim, “limitar-se
apenas à ajuda no plano espiritual”.
A notícia cita, como opositor
de Dom Hélder os seguintes
padres: Francisco Bragança,
Monsenhor Guedes, Jorge Bertocelli,
Carlos Calábria, Severino Nogueira
e Edvaldo Bezerra, todos de paróquias
do Recife.
543 – “CLERO
MANTÉM APOIO À PASTORAL
DE DOM HÉLDER”. Diário
de Pernambuco, Recife, 27 de maio
de 1978. Nota da Arquidiocese de Olinda
e Recife diz que seis padres citados
como opositores da atuação
pastoral de Dom Hélder (veja
referência 542) “não
deverão ter gostado de ver
seus nomes incluídos numa lista
de contestadores”.
544 – “PAPA
RECEBE D. HÉLDER EM PARTICULAR”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
18 de junho de 1978. Dom Hélder,
após a audiência privada
que manteve ontem com o papa Paulo
VI, declarou ter sido “um equívoco”
a informação veiculada
no Brasil em fevereiro de 1978 de
que a Santa Sé teria pensado
em limitar suas atuações
no exterior. (veja referência
517).
545 – “NOTA
DA COMISSÃO JUSTIÇA
E PAZ”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 16 de junho
de 1978. A Comissão de Justiça
e Paz da Arquidiocese de Olinda e
Recife diz que o juiz auditor militar
em Pernambuco declarou à imprensa
haver “falhas gritantes”
no pedido de prisãopreventiva
que a Políca Federal lhe enviou,
contra o estudante Edval Nunes da
Silva, membro da Comissão de
Justiça e Paz, seqüestrado
e preso no Recife (veja referência
435).
Diz ainda a nota da Comissão
de Justiça e Paz que o superintendente
da Polícia Federal de Pernambuco,
José Antônio hahn, insiste
em negar que o estudante fora torturado
naquele departamento de polícia.
546 – “OS
DOCUMENTOS DA CENSURA”. Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de junho
de 1978. O jornal publica despachos
do Departamento de Polícia
Federal determinando censura à
imprensa brasileira, durante o período
de 1972 a 1975, entre os quais estão
vários documentos proibindo
jornais e televisão de veicularem
qualquer notícia sobre Dom
Hélder.
547 – “NÃO
ESTOU SÓ! D. HÉLDER”.
Folhetim, suplemento semanal do Jornal
Folha de São Paulo, São
Paulo, 25 de junho de 1978. Em entrevista
ao repórter Sérgio Pinto
de Almeida, Dom Hélder fala
entre outras coisas, de suas posições
e de direitos humanos.
548 – “D.
HÉLDER DIZ QUE PAPA CONCORDA
COM SUAS VIAGENS”. Diário
de Pernambuco, Recife, 28 de junho
de 1978. Dom Hélder, ao regressar
da Europa, onde manteve audiência
privada com o papa Paulo VI, afirmou
ser equívoco as informações
veiculadas no Brasil de que a Santa
Sé teria pensado em limitar
suas viagens ao exterior. (veja referência
544).
A notícia diz também
que Dom Hélder voltou a criticar
a ideologia da segurança nacional:
“(...) a absolutização
da segurança nacional, apresentada
como valor supremo, justifica tudo,
inclusive seqüestros e torturas”.
549 – “DOM
HÉLDER DENUNCIA PLANO DA POLÍCIA
PARA INCRIMINAR A IGREJA”. Diário
de Pernambuco, Recife, 29 de junho
de 1978. O jornal transcreve a nota
de Dom Hélder denunciando o
fato de o superitendente do Departamento
de Polícia Federal em Pernambuco,
José Antônio Hahn, ter
proposto ao estudante Edval Nunes
da Silva, preso naquele departamento,
assinar um documento envolvendo vários
membros da Igraja nas atividades do
Partido Comunista Revolucionário,
em troca de sua liberdade. (veja referência
549).
550 – “O
DPF REFUTA D. HÉLDER”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 30 de junho de 1978. O superintendente
do Departamento de Polícia
Federal em Pernambuco, José
Antônio Hahn, divulgou ontem
nota rebatendo as denúncias
de Dom Hélder sobre a tentativa
de aquele departamento querer envolver
em atividades consideradas subversivas
vários membros da igraja. (veja
referência 535). A denúncia
de Dom Hélder, segundo Hahn,
está cheia de “invencionices”.
551 – “D.
HÉLDER DENUNCIA TORTURAS E
SEQÜESTROS CONTRA CRISTÃOS”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
05 de julho de 1978. Dom Hélder,
no sermão da concelebração
pelos 100 anos de falecimento de Frei
Maria Vital de Oliveira, realizada
ontem no Seminário de Olinda,
afirmou que “não seria
possível festejar nosso bispo-mártir,
sem a coragem de proclamar que, na
diocese de D. Vital, o centenário
de sua morte é comemorado por
seqüestros e torturas de cristãos,
cujo único crime é o
de procurar viver o cristianismo da
realidade de hoje”. (veja referência
535).
552 – “ANTÔNIO
MEDINA INTERPELA POLÍCIA FEDERAL”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 11 de agosto de 1978.
O Clérigo Antônio Torres
Medina, da Congregação
Salesiana, vai interpelar judicialmente
o delegado Sette Câmara, da
Polícia Federal em Pernambuco,
para que negue ou confirme sua responsabilidade
na distribuição, no
Recife, de uma carta circular insinuando
estar o religioso envolvido na tentativa
de reorganizar o Partido comunista
Revolicionário. Veja também
Jornal do Commercio, Recife, 06 de
agosto de 1978.
553 – “CLÉRIGO
SALESIANO MEDINA É INDICIADO
NA LEI DE SEGURNÇA”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 25 de agosto de 1978.
O clérigo salesiano Antônio
Torres Medina compareceu ao Departamento
de Polícia Federal em Pernambuco,
onde foi notificado de que fora indiciado
em processo de rearticulação
do Partido Comunista Revolucionário
no Estado. (veja referência
552).
A nota protesta contra essa atitude
da Polícia Federal e diz que
ela é uma “insistência
em querer estabelecer ligações
entre agentes de pastoral e determinadas
organizações partidárias,
para deste modo desautorizar o trabalho
da Igreja”, em Pernambuco.
554 – “A
ETERNIDADE COMEÇA AQUI”.
Veja, São Paulo, 13 de setembro
de 1978.
Em entrevista ao repórter José
Maria Andrade, Dom Hélder fala
da participação política
da Igreja, diz que já foi conivente
com injustiças e condena o
uso da violência como forma
de promover mudanças sociais.
555 – “D.
HÉLDER OUVE RUÍDOS DE
ESCUTA QUANDO TELEFONA”. Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 07 de outubro
de 1978. Notícia diz que “a
mais conhecida censura telefônica
e de correspondência e talvez
a mais antiga, nesses últimos
14 anso, é a que é feita
ao arcebispo de Olinda e Recife, Dom
Hélder Câmara, cujos
telefonemas – sejam eles feitos
de sua casa ou do Palácio do
Bispo – são gravados”.
A notícia afirma que quem
revela esse fato é o próprio
Dom Hélder: “sei que
todos os meus telefonemas são
gravados e, semanalmente, a censura
vai buscar as fitas na Embratel”
– Empresa Brasileira de Telecominicações.
556 – “EMBRATEL
NEGA TER CENSURADO D. HÉLDER”.
Folha de São Paulo, São
Paulo, 10 de outubro de 1978. Em nota
oficial distribuída ontem no
Rio de Janeiro, a Empresa Brasileira
de Telecomunicações
– EMBRATEL, negou notícias
segundo as quais a empresa matem em
suas centrais telefônicas de
tráfico interurbano equipamentos
capazes de ouvir ligações
dos usuários. (veja referência
555).
557 – “DENÚNCIAS”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
05 de novembro de 1978.
O jornal publica carta do leitor Victor
do Espírito Santo criticando
Dom Hélder e a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil –CNBB.
Segundo o leitor, Dom Hélder
e a CNBB lançam mão
de “qualquer coisa” para
criticar o governo brasileiro.
558 – “PRISÃO
PARA CAJÁ”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 24 de novembro
de 1978. Nota protesta contra nova
prisão, decretada no dia 20
de novembro de 1978, contra o estudante
Edval Nunes da Silva (Cajá),
membro da Comissão de Justiça
e Paz da Arquidocese de Olinda e Recife.
Edval Nunes da Silva fora preso,
pela primeira vez, no dia 12 de maio
de 1978, tendo sua prisão relaxada
a 31 de outubro de 1978, e a acusação
que lhe faz o Departamento de Polícia
Federal em Pernambuco é de
“tentar reorganizar o Partido
Comunista Revolucionário”.
(veja referência 535).
559 – CÂMARA,
Hélder. “COM DIREITOS
HUMANOS NÃO SE BRINCA”
In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, Vol.
1975-80. Publica íntegra de
mensagem de Dom Hélder no Encontro
Comemorativo do Trigéssimo
Aniversário da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, realizado
em dezembro de 1978, em Antuérpia,
Bélgica.
Em sua mensagem, Dom Hélder
faz uma detalhada análise da
presença de empresas multinacionais
no Brasil e na América Latina
e, em detreminado trech afirma: “se
o Brasil sofria as conseqüências
da má distribuição
da terra, da excessiva concentração
da propriedade agrária nas
mãos de poucos, o problema
é agravado pela presença
de novos poderosos latifundiários
estrangeiros”. (...) “As
multinacionais exigem governos autoritários
que não admitem contestação”.
(...)
560 – “EMPRESÁRIO
DESAFIA D. HÉLDER A DEBATER
SEGURANÇA NACIONAL”.
Diário de Pernambuco, Recife,
2S de dezembro de 1978. O empresário
Joel Câmara desafiou Dom Hélder
“a provar que a nossa segurança
interna (do Brasil) esteja subordinada
às multinacionais e aos Estados
Unidos”.
561 – “D.
HÉLDER PREGA ANISTIA COMO EXIGÊNCIA
CRISTÔ. Diário
de Pernambuco, Recife, 23 de dezembro
de 1978. Transcreve íntegra
de discurso de Dom Hélder,
pronunciando no dia anterior num bairro
do Recife, através do qual
o arcebispo condena a ideologia da
segurança nacional, pois sua
“idolatria leva aos estados
totalitários, nome sonoro para
não dizer ditadura”,
e afirma que “é cristão
o desejo de uma anistia” para
os presos políticos brasileiros.
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