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A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

1978

514 – MACHADO, J. A. Pinheiro Opiniãoi x Censura, L&PM Editores, Porto Alegre, 1978. O livro conta todo o episódio do processo movido pelo procurador da primeira Auditoria de Marinha do Rio de Janeiro contra o editor Fernando Gasparian, por ele ter publicado, através do número dois do s Cadernos de Opinião, em 1975, uma conferência de Dom Hélder sob o título “O que faria santo Tomás de Aquino diante de Karl Marx?”, proiferida em 1974 nos EUA. (veja referência 465)

Segundo o Departamento de Polícia Federal, o consultor jurídico substituto do Ministério da Justiça, Hélio Fonseca, e o próprio ministro, Armando ribeiro Falcão, a conferência de Dom Hélder é “atentatória à segurança nacional”.

Veja também Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1978 e revista Veja, São Paulo, 01 de fevereiro de 1978.

515 – “DOM HÉLDER: ATAQUE E DEFSSA NO FIM DO SILÊNCIO”. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 07 de janeiro de 1978. Entrevista de Dom Hélder ao repórter Ricardo Ferreira Pinto, através da qual o arcebispo de Olinda e Recife diz que, apesar de a imprensa brasileira ter começado recentemente a publicar entrevistas suas (veja referência 470), o rádio e a televisão brasileiras ainda lhe estão proibidos por censura imposta pelo governo.

Na entrevista, Dom Hélder fala também de sua atuação política como sacerdote (denunciando injustiças); afirma que o movimento militar de 31 de março de 1964, (que distituiu João Goulart da presidência do Brasil) “não tenha sabido ou podido fazer as reformas de base, que a transformariam de revolução, de nome em revolução de fato”.

Anexo a entrevista, a revista publica um texto assinado por seu editor (Joaquim José F. Lacreca) sob o título “Nossos apartes a Dom Hélder”, acusando o arcebispo de “demagogo”, rotulando-o de “pombo-correio das esquerdas internacionais” e afirmando que o que Dom Hélder faz é ‘difamar o Brasil no exterior” e dizendo que ele nunca denunciou opressões praticads nos países comunistas.

516 – CÂMARA, Hélder. “LIDERANÇA MUNDIAL DA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS”. In Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Vol. 1975-80.
Transcreve íntegra de mensagem de Dom Hélder por ocasião do Governar’s Prayer Breakfast, realizado em Sacramento, Califórnia, no dia 12 de janeiro de 978, atraves da qual o aercebispo condena a ideologia da segurança nacional; responsabiliza os EUA pela situação generalizada de governos autoritários na América Latina; “e critica também o regime nos países comunistas, afirmando que “nada parece mais com uma ditadura de direita do que uma ditadura de esquerda”.

517 – “PAPA TERIA PROIBIDO D. H. DE FAZER NOVAS VIAGENS” O Globo, Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 1978. Notícia diz que “fontes da Arquidiocese de Olinda e Recife” revelaram que Dom Hélder estaria proibido pelo papa Paulo VI de fazer novas viagens ao exterior (onde o arcebispo costuma fazer denúncias contra injustiças praticadas inclusive no Brasil e afirma que o próprio Dom Hélder não desmentiu tal informação).

518 – “DOM HELDER NÃO FALA DE VETO ÀS SUAS VIAGENS”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 11 de fevereiro de 1978. Notícia afirma que Dom Hélder preferiu não responder indagações de repórteres, sobre notícias veiculadas no Brasil segundo as quais ele estaria proibido pelo papa Paulo IV de fazer novas viagens ao exterior (veja referência 517).

Obs.: O motivo dessa suposta proibição seria freqüentes atritos entre Dom Hélder e o governo brasileiro, uma vez que o arcebispo tem denunciado, durante viagens ao exterior, injustiças sociais e a prática de torturas a presos políticos no Brasil.

519 – “DOM HÉLDER EXPLICA SENTIDO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE ESTE ANO E ADMITE ALGUMA SOISA SOBRE AS SUAS VIAGENS”. Diário de Pernambuco, Recife, 11 de fevereiro de 1978. Dom Hélder desmente informações, veiculadas no Brasil, de que o Papa Paulo VI teria manifestado o desejo de proibir suas viagens ao exterior.

520 – “CNBB NEGA PRESSÕES SOBRE D.H. E ANUNCIA AÇÃO MUNDIAL CONTRA OPRESSÃO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1978.
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Aloísio Lorscheider, distribuiu nota desmentindo informações, publicadas pela imprensa brasileira, de que ele teria, em nome do Papa Paulo VI, aconselhado Dom Hélder a evitar freqüentes viagens ao exterior (veja referência 519).

521 – “DOSSIÊ CENSURA – FICA PROIBIDA A DIVULGAÇÃO DE...”. Folhade São Paulo, São Paulo, 05 de março de 1978. Jornal publica documentos da censura imposta pelo governo militar à imprensa brasileira, entre os quais estão várias circulares proibindo a veiculação de notícias sobre Dom Hélder.

522 – “D.H.: ESTOU COM CAXIAS”. Diário de Pernambuco, Recife, 10 de março de 1978. Dom Hélder afirmou, entre outras coisas, prferir ficar com o julgamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (“que conhece seus fatores”) a ficar com o general João Batista Figueiredo, comandante da VIIIª Região Militar, que acusou de “comunistas” padres missionários na Amazônia.

523 – “D.H. É ACUSADO DE PROMOVER AGITAÇÃO ENTRE POSSEIROS PERNAMBUCANOS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 de março de 1978.
Proprietários do Engenho Novo, em Igarassu, acusaram Dom Hélder, através de carta publicada pelo Diário de Pernambuco, de ter “contribuído para explodir a agitação entre os posseiros da propriedade”.

Essa acusação a Dom Hélder é por conte dele ter dito, em sermão de uma missa, que “se vocês (posseiros) se unirem, não há forço no mundo que vença a comunidade dos humildes”.

524 – “VATICANO PEDE A D.H. QUE LIMITE VIAGENS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 de março de 1978. Um assessor do Vaticano, padre Romeo Panciroli, aconselhou Dom Hélder permanecer mais tempo em sua diocese, ou seja, diminuir viagens ao exterior, onde o arcebispo freqüentemente pronuncia conferências, inclusive, sobre temas políticos.

Segundo o jornal, Dom Hélder confirmou o pedido do Vaticano: “Um amigo, de absoluta confiança, transmitiu-me o pedido oral do Papa. Vou cumprir porque, partindo do Papa, é uma ordem para mim, mesmo que venha, como foi o caso, sem explicação nenhuma”.

525 – “VIAGENS DE HÉLDER TÊM REPERCUSSÃO”. Jornal do Commercio, Recife, 23 de março de 1978. Jornal fala de telegrama enviado da diocese de Antaginish, Canadá, a Dom Hélder, por conta da repercussão da notícia sobre pedido do Vaticano para que o arcebispo diminua número de viagens para fora do Brasil.

Segundo o jornal, Dom Hélder afirmou estranhar o pedido, uma vez que suas viagens ao exterior nunca passam de cinco por ano e foram “todas aprovadas pessoalmente pelo Santo Padre”. E que, até aquele momento, não tinha em mãos nenhum documento do Vaticano sugerindo a redução das viagens (veja referência 519).

526 – “D.H. EM OBEDIÊNCIA À ORDEM DO PAPA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 de março de 1978. O cardeal Dom Eugênio Sales, do Rio de Janeiro, diz que a atitude de Dom Hélder em obedecer ao Papa (que no início de fevereiro de 1978 teria recomendado ao arcebispo diminuir suas viagens ao exterior) é louvável e que a sugestão de Paulo VI “não significa medida punitiva, mas apenas um conselho” (veja referência 524).

527 – “D. HÉLDER RESPONDE A FIGUEIREDO”. Diário da Noite, Recife, 03 de abril de 1978. Em depoimento escrito, Dom Hélder responde declaração do general João Figueiredo, chefe do Srviço Nacional de Informações, prestada à revista Istoé, de São Paulo, sobre o papel da Igreja.

Dom Hélder diz: “Se o pensamento do general Figueiredo foi bem apreendido e bem expresso, temos pela frente um candidato à presidência d República para quem a Igreja deve restrimgir-se à Sacristia. A segurança nacional não é e não pode ser assunto privativo do Alto Comando. Cabe à Igreja, em sua missão específica, ajudar a reconhecer que segurança nacional é direito e até dever de cada povo, mas denunciar a gravidade absoluta de a segurança nacional ser reconhecida como valor supremo, como valor dos valores” (sic).

Diz ainda Dom Hélder: “Enquanto a idolatria de segurança nacional não for revista em profundidade, qualquer suspeita de ação contra a segurança nacional acaba levando a sequestros e tortura”.

528 – “A MISSÃO IMPOSSÍVEL DON GEN. SOUZA AGUIAR A D. HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 07 de abril de 1978. Notícia faz um relato de episódios através dos quais o ex-comandante do IV Exército no Recife, “tentou melhorar o relacionamento entre o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, e a liderança da revolução de março de 1964”.

A notícia afirma que Dom Hélder nunca se entendeu bem com os militares que, em março de 1964, derrubaram João Goulart da presidência do Brasil, e acrescenta que as tentativas do general Souza Aguiar não deram em nada, porque as divergências entre o arcebispo e o governo brasileiro “eram (e ainda são) grandes demais”.

529 – “DOM HÉLDER, O ARCEBISPO PROIBIDO: EU FARIA O JOGO DO COMUNISMO SE CONTINUASSE A USAR A IGREJA COMO O ÓPIO DO POVO”. Status, São Paulo, Abril de 1978. Entrevista de Dom Hélder a Múcio Borges da Fonseca, através da qual o arcebispo de Olinda e Recife faz um extenso relato do período de oito anos (1969-1977) em que esteve proibido de prestar declarações à imprensa brasileira e quando sofreu os mais diversos tipos de acusações por parte de intelectuais, militares, religiosos ou membros do governo.

530 – DELGADO, José Luiz. “CARTA AO ARCEBISPO”. In. Jornal do Commercio, Recife, 23 de abril de 1978. Em artigo publicado na seção “Idéias, Livros e Fatos”, José Luiz Delgado condena entrevista de Dom Hélder, cedida à revista Status (veja referência 529), não pelo conteúdo, mas pelo fato de a entrevista ter sido publicada “numa revista de mulheres nuas”, fato que representa “um atentado contra a pureza”.

No artigo, Delagdo cita o jornalista Aldo Paes Barreto que, “admiravelmente”, fizera (publicadas pela imprensa do Recife) à entrevista de Dom Hélder com a seguinte frase: “Em meio a belas jovens desnudas, Dom Hélder convive pacífica e humanamente, desfilando suas verdades”.

Obs: A entrevista de Dom Hélder a Status é um histórico do período (1969-1977) em que o arcebispo esteve proibido pelo governo brasileiro de prestar declarações a imprensa e em que sofrera os mais diversos tipos de acusações sem direito a resposta.

531 – FREYRE, Gilberto. “VOCAÇÕES: INCLUSIVE A POLÍTICA”. In. Jornal do Commercio, Recife, 23 de abril de 1978. No artigo, onde tenta interpretar a vocação política de vários personagens da história do Brasil, o sociólogo Gilberto Freyre diz: “(...) o caso ainda de Dom Hélder Câmara: tão sem jeito no desempenho das funções do arcebispo católico” (...) No mesmo parágrafo em que cita Dom Hélder, Freyre afirma: “(...) pois que líderes militantemente políticos têm tido, no Brasil, a chamada esquerda-esquerda no sentido de corajosa ação brasileiramente reformista, inovadora, reformadora-, senão medíocres da pior espécie, demagogos da mais gritante inferioridade, retóricos de darem aos ouvidos doa que têm ouvido, vontade de vomitar sons tãos ocos?”(...)

532 – “ERRATA”. In. Jornal do Commercio, Recife, 25 de abril de 1978.
Em nota na coluna “Nordeste Dia a Dia”, o jornalista Aldo Paes Barreto afirma que o pensador católico José Luiz Delgado, ao condenar através de artigo, aentrevista de Dom Hélder concedida à revista Status (veja referência 530), fez uso coletivo da seguinte frase sua (dele, Aldo): “Em meio a belas jovens desnudas, Dom Hélder convive pacificamente e humanamente, desfilando suas verdades”.

Paes Barreto explica que essa frase sua não teve a intenção de criticar Dom Hélder (como sugeriu José Luiz Delagado), mas apenas mostrar que o arcebispo concedeu a entrevista sem qualquer preconceito, pelo fato dela ser veiculada por uma revista que publica fotos de mulheres nuas.

533 – JORNAL DO COMMERCIO, Recife, 11 de maio de 1978. O deputado Wandekolk Wanderley, do partido do governo, Aliança Renovadora Nacional, Arena, condenou, da tribuna da Assembléia Legislativa de Pernambuco, vigília feita no dia 08 de maio de 1978 por Dom Hélder em favor de presos políticos brasileiros. Durante a vigília, o arcebispo afirmou ser “um desrespeito aos direitos humanos” a condenação de prisão perpétua a dois presos recolhidos à penitenciária da Ilha de Itamaracá, em Pernambuco.

534 - “D.H.: DECIDIDO, ACEITO OS APLAUSOS E OS APUPOS”. In. Jornal do Commercio, Recife, 12 de maio de 1978. Dom Hélder rebateu críticas feitas pelo deputado Wandenkolk Wandreley. (veja referência 533). Segundo a notícia, Dom Hélder comentou: “Respeito opiniões divergentes das minhas, tenho idade e responsabilidade para assumir minhas próprias posições”.

535 – “VIOLÊNCIA HORRORIZA DOM HÉLDER”.Diário de Pernambuco, Recife, 18 de maio de 1978. Notícia transcreve nota, assinada por Dom Hélder no dia anterior, protestando contra a prisão do estudante Edval Nunes da Silva (Cajá), membro da “Comissão de Justiça e Paz” da Arquidiocese de Olinda e Recife, seqüestrado e preso no dia 12 de maio de 1978, no Recife, por policiais do Departamento de Polícia Federal, sob acusação de “tentar reorganizar o Partido Comunista Revolucionário”.

Na nota, Dom Hélder diz que “horroriaz-se ver recomeçar em nossa cidade o clima de violência na hora em que se insiste em abertura democrática”, afirma que “seqüestro e tortura são intoleráveis”; diz que Edval Nunes da Silva “de modo algum anda envolvido na rearticulação do Partido Comunista Revolucionário”, e sugere que o preso seja examinado por “um médico acima de qualquer suspeita” para determinar se ele está sendo torturado pela Polícia Federal.

Obs: Edval Nunes da Silva sumiu na noite de 12 de maio de 1978 e ficou sem que ninguém soubesse do seu paradeiro até o dia 15 de maio de 1978, quando a Superintendência do Departamento de Polícia em Pernambuco distribuiu nota comunicando sua prisão, fato publicado pela maioria dos jornais brasileiros no dia 16 de maio de 1978.

536 - “CONTRA O TERROR”. Jornal do Commercio, Recife, 18 de maio de 1978.
Na coluna “Nordeste Dia a Dia”, o jornalista Aldo Paes Barreto defende Dom Hélder em face das acusações generalizadas que o arcebispo costumeiramente sofre; cita o assassinato do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto, em 1969, no Recife; lembra que a resistência de Olinda e Recife já sofreu vários atentados à bala; e afirma que, apesar de todas as agressões, Dom Hélder nunca pediu outra coisa senão justiça.

537 – “PRESO E TORTURADO MEMBO DA COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 19 de maio de 1978. Notícia sobre o seuqestro e prisão do estudante Edval Nunes da Silva, “componente da Comissão de Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife”. (veja referência 535).

Além de transcrever nota de protesto de várias entidades religiosas e membros da Igreja (entre elas a nota de Dom Hélder, publicada no dia anterior pela imprensa brasileira), a notícia do Boletim afirma que, após Edval Nunes da Silva ter recebido visita de parentes eda Ordem dos Advogados do Brasil-OAB, Seção de Pernambuco, “ficou constatado que ele foi torturado” na prisão.

538 – “AS ACUSAÇÕES FEITAS A CAJÁ”.Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 26 de maio de 1978. Nota questionando a autenticidade de um cartaz através do qual o Departamento de Polícia Federal em Pernambuco apresenta seus kotivos para detenção do estudante Edval Nunes da Silva (Cajá), sob a acusação de ‘tentar reorganizar o Partido Comunista Revolucionário” em Pernambuco. (veja referência 535).

A nota do Boletim Arquidiocesano diz que a Polícia Federal distribuiu este cartaz a várias pessoas e entidades no Recife, inclusive à Igreja, e afirma também que o estudante Edval Nunes da Silva foi torturado “desde o momento de sua prisão até as 17 horas do dia seguinte”.

539 – “SEQÜESTRO NO RECIFE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 26 de maio de 1978. Notícia sobre o seqüestro, efetuado naquela semana no Recife, do sr. Arnaldo Dubeux, presidente da Bolsa de Valores do Recife e cônsul honorário do México.

A imprensa de Pernambuco divulgara a informação de que o seqüestrador é ligado ao Partido Comunista Revolucionário e mantinha ligações com o estudante Edval Nunes da Silva, da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife, preso e torturado nas dependências do Departamento de Polícia Federal em Pernambuco. (veja referência 538).

A notícia dfo Boletim Arquidiocesano afirma que “há um aspecto muito grave” nessa afirmação de que o seqüestrador do cônsul honorário do México tem ligações com o estudante Edval Nunes da Silva, e transcreve declarações do ex-governador de Pernambuco, Cid Feijó Sampaio, questionando a seriedade do seqüestro.

Obs: o seqüestrador acabou sendo preso, e, posteriormente, fugiu do Departamento de Polícia Federal e não mais se falou no caso.

540 – “ACUSAÇÕES Á ATUAÇÃO PASTORAL DE DOM HÉLDER”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 26 de maio de 1978.
Nota rebate notícia veiculada pelo Diário de Pernambuco, Recife, 23 de maio de 1978, criticando a atuação pastoral da Arquidiocese de Olinda e Recife.

541 – “TORURAS AINDA”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 26 de maio de 1978. Transcreve artigo do professor Dalmo A. Dalari, da Universidade de São Paulo e presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese daquele Estado, condenando a prática de torturas contra presos políticos brasileiros, entre eles o estudante Edval Nunes da Silva. (veja referência 538).

O artigo de Dalari fora publicado no dia 20 de maio de 1978 pelo jornal Jolha de São Paulo, de São Paulo, e num de seus trechos diz o seguinte: “Ainda há quem se irrite quando se fala nas torturas praticadas contra presos políticos brasileiros. Tempos atrás, tentava-se negar a ocorrência das tortura e quem afirmava que elas resistiam era acusado de subversivo”.

542 – “PADRES DISCORDAM DA ATUAÇÃO DE DOM HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 23 de maio de 1978. Vários padres, entrevistados pelo jornal, discordam da atuação pastoral de Dom Hélder à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife, sob a alegação de que a Igreja ”Não deve participar de movimentos de natureza política” e, sim, “limitar-se apenas à ajuda no plano espiritual”.

A notícia cita, como opositor de Dom Hélder os seguintes padres: Francisco Bragança, Monsenhor Guedes, Jorge Bertocelli, Carlos Calábria, Severino Nogueira e Edvaldo Bezerra, todos de paróquias do Recife.

543 – “CLERO MANTÉM APOIO À PASTORAL DE DOM HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 27 de maio de 1978. Nota da Arquidiocese de Olinda e Recife diz que seis padres citados como opositores da atuação pastoral de Dom Hélder (veja referência 542) “não deverão ter gostado de ver seus nomes incluídos numa lista de contestadores”.

544 – “PAPA RECEBE D. HÉLDER EM PARTICULAR”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de junho de 1978. Dom Hélder, após a audiência privada que manteve ontem com o papa Paulo VI, declarou ter sido “um equívoco” a informação veiculada no Brasil em fevereiro de 1978 de que a Santa Sé teria pensado em limitar suas atuações no exterior. (veja referência 517).

545 – “NOTA DA COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 16 de junho de 1978. A Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife diz que o juiz auditor militar em Pernambuco declarou à imprensa haver “falhas gritantes” no pedido de prisãopreventiva que a Políca Federal lhe enviou, contra o estudante Edval Nunes da Silva, membro da Comissão de Justiça e Paz, seqüestrado e preso no Recife (veja referência 435).

Diz ainda a nota da Comissão de Justiça e Paz que o superintendente da Polícia Federal de Pernambuco, José Antônio hahn, insiste em negar que o estudante fora torturado naquele departamento de polícia.

546 – “OS DOCUMENTOS DA CENSURA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de junho de 1978. O jornal publica despachos do Departamento de Polícia Federal determinando censura à imprensa brasileira, durante o período de 1972 a 1975, entre os quais estão vários documentos proibindo jornais e televisão de veicularem qualquer notícia sobre Dom Hélder.

547 – “NÃO ESTOU SÓ! D. HÉLDER”. Folhetim, suplemento semanal do Jornal Folha de São Paulo, São Paulo, 25 de junho de 1978. Em entrevista ao repórter Sérgio Pinto de Almeida, Dom Hélder fala entre outras coisas, de suas posições e de direitos humanos.

548 – “D. HÉLDER DIZ QUE PAPA CONCORDA COM SUAS VIAGENS”. Diário de Pernambuco, Recife, 28 de junho de 1978. Dom Hélder, ao regressar da Europa, onde manteve audiência privada com o papa Paulo VI, afirmou ser equívoco as informações veiculadas no Brasil de que a Santa Sé teria pensado em limitar suas viagens ao exterior. (veja referência 544).

A notícia diz também que Dom Hélder voltou a criticar a ideologia da segurança nacional: “(...) a absolutização da segurança nacional, apresentada como valor supremo, justifica tudo, inclusive seqüestros e torturas”.

549 – “DOM HÉLDER DENUNCIA PLANO DA POLÍCIA PARA INCRIMINAR A IGREJA”. Diário de Pernambuco, Recife, 29 de junho de 1978. O jornal transcreve a nota de Dom Hélder denunciando o fato de o superitendente do Departamento de Polícia Federal em Pernambuco, José Antônio Hahn, ter proposto ao estudante Edval Nunes da Silva, preso naquele departamento, assinar um documento envolvendo vários membros da Igraja nas atividades do Partido Comunista Revolucionário, em troca de sua liberdade. (veja referência 549).

550 – “O DPF REFUTA D. HÉLDER”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 de junho de 1978. O superintendente do Departamento de Polícia Federal em Pernambuco, José Antônio Hahn, divulgou ontem nota rebatendo as denúncias de Dom Hélder sobre a tentativa de aquele departamento querer envolver em atividades consideradas subversivas vários membros da igraja. (veja referência 535). A denúncia de Dom Hélder, segundo Hahn, está cheia de “invencionices”.

551 – “D. HÉLDER DENUNCIA TORTURAS E SEQÜESTROS CONTRA CRISTÃOS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 05 de julho de 1978. Dom Hélder, no sermão da concelebração pelos 100 anos de falecimento de Frei Maria Vital de Oliveira, realizada ontem no Seminário de Olinda, afirmou que “não seria possível festejar nosso bispo-mártir, sem a coragem de proclamar que, na diocese de D. Vital, o centenário de sua morte é comemorado por seqüestros e torturas de cristãos, cujo único crime é o de procurar viver o cristianismo da realidade de hoje”. (veja referência 535).

552 – “ANTÔNIO MEDINA INTERPELA POLÍCIA FEDERAL”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 11 de agosto de 1978.
O Clérigo Antônio Torres Medina, da Congregação Salesiana, vai interpelar judicialmente o delegado Sette Câmara, da Polícia Federal em Pernambuco, para que negue ou confirme sua responsabilidade na distribuição, no Recife, de uma carta circular insinuando estar o religioso envolvido na tentativa de reorganizar o Partido comunista Revolicionário. Veja também Jornal do Commercio, Recife, 06 de agosto de 1978.

553 – “CLÉRIGO SALESIANO MEDINA É INDICIADO NA LEI DE SEGURNÇA”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 25 de agosto de 1978. O clérigo salesiano Antônio Torres Medina compareceu ao Departamento de Polícia Federal em Pernambuco, onde foi notificado de que fora indiciado em processo de rearticulação do Partido Comunista Revolucionário no Estado. (veja referência 552).

A nota protesta contra essa atitude da Polícia Federal e diz que ela é uma “insistência em querer estabelecer ligações entre agentes de pastoral e determinadas organizações partidárias, para deste modo desautorizar o trabalho da Igreja”, em Pernambuco.

554 – “A ETERNIDADE COMEÇA AQUI”. Veja, São Paulo, 13 de setembro de 1978.
Em entrevista ao repórter José Maria Andrade, Dom Hélder fala da participação política da Igreja, diz que já foi conivente com injustiças e condena o uso da violência como forma de promover mudanças sociais.

555 – “D. HÉLDER OUVE RUÍDOS DE ESCUTA QUANDO TELEFONA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 de outubro de 1978. Notícia diz que “a mais conhecida censura telefônica e de correspondência e talvez a mais antiga, nesses últimos 14 anso, é a que é feita ao arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, cujos telefonemas – sejam eles feitos de sua casa ou do Palácio do Bispo – são gravados”.

A notícia afirma que quem revela esse fato é o próprio Dom Hélder: “sei que todos os meus telefonemas são gravados e, semanalmente, a censura vai buscar as fitas na Embratel” – Empresa Brasileira de Telecominicações.

556 – “EMBRATEL NEGA TER CENSURADO D. HÉLDER”. Folha de São Paulo, São Paulo, 10 de outubro de 1978. Em nota oficial distribuída ontem no Rio de Janeiro, a Empresa Brasileira de Telecomunicações – EMBRATEL, negou notícias segundo as quais a empresa matem em suas centrais telefônicas de tráfico interurbano equipamentos capazes de ouvir ligações dos usuários. (veja referência 555).

557 – “DENÚNCIAS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 05 de novembro de 1978.
O jornal publica carta do leitor Victor do Espírito Santo criticando Dom Hélder e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –CNBB. Segundo o leitor, Dom Hélder e a CNBB lançam mão de “qualquer coisa” para criticar o governo brasileiro.

558 – “PRISÃO PARA CAJÁ”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 24 de novembro de 1978. Nota protesta contra nova prisão, decretada no dia 20 de novembro de 1978, contra o estudante Edval Nunes da Silva (Cajá), membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidocese de Olinda e Recife.

Edval Nunes da Silva fora preso, pela primeira vez, no dia 12 de maio de 1978, tendo sua prisão relaxada a 31 de outubro de 1978, e a acusação que lhe faz o Departamento de Polícia Federal em Pernambuco é de “tentar reorganizar o Partido Comunista Revolucionário”. (veja referência 535).

559 – CÂMARA, Hélder. “COM DIREITOS HUMANOS NÃO SE BRINCA” In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Vol. 1975-80. Publica íntegra de mensagem de Dom Hélder no Encontro Comemorativo do Trigéssimo Aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, realizado em dezembro de 1978, em Antuérpia, Bélgica.

Em sua mensagem, Dom Hélder faz uma detalhada análise da presença de empresas multinacionais no Brasil e na América Latina e, em detreminado trech afirma: “se o Brasil sofria as conseqüências da má distribuição da terra, da excessiva concentração da propriedade agrária nas mãos de poucos, o problema é agravado pela presença de novos poderosos latifundiários estrangeiros”. (...) “As multinacionais exigem governos autoritários que não admitem contestação”. (...)

560 – “EMPRESÁRIO DESAFIA D. HÉLDER A DEBATER SEGURANÇA NACIONAL”. Diário de Pernambuco, Recife, 2S de dezembro de 1978. O empresário Joel Câmara desafiou Dom Hélder “a provar que a nossa segurança interna (do Brasil) esteja subordinada às multinacionais e aos Estados Unidos”.

561 – “D. HÉLDER PREGA ANISTIA COMO EXIGÊNCIA CRISTÔ. Diário de Pernambuco, Recife, 23 de dezembro de 1978. Transcreve íntegra de discurso de Dom Hélder, pronunciando no dia anterior num bairro do Recife, através do qual o arcebispo condena a ideologia da segurança nacional, pois sua “idolatria leva aos estados totalitários, nome sonoro para não dizer ditadura”, e afirma que “é cristão o desejo de uma anistia” para os presos políticos brasileiros.

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