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A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

1977

470 – “QUANTO MAIS NEGRA É A NOITE, MAIS CARREGA EM SAI AMDRUGADA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 abril de 1977. Essa é a primeira vez que a imprensa brasileira publica uma entrevista com Dom Hélder, desde que em fins de 1970 o governo militar do Brasil proibiu qualquer veículo de comunicação social de veicular notícia sobre o arcebispo de Olinda e Recife.

Na entrevista, concedida a Divane Carvalho, Dom Hélder fala da sua militância política, do confronto Igreja-Estado no Brasil, de suas viagens ao exterior, do papel da Igreja, de suas relações com a imprensa brasileira e das acusações que os militares lhes têm feito de ser “comunista”.

Sobre críticas que sofreu por ter denunciado, no exterior, a prática de tortura a presos políticos brasileiros (veja referência 366), Dom Hélder afirma: (...) “quando combato as injustiças, se essas injustiças são cometidas no Brasil, não estou combatendo o Brasil: estou combatendo as injustiças das quais as primeiras vítimas são muitas vezes os brasileiros. (...) Será que a gente (o Brasil) quer provar que não é possível caminhar democraticamente?”.

471 – “VOTO A DOM HÉLDER PROVOCA TUMULTOS”. Diário de Pernambuco, Recife 29 abril de 1977. Notícia diz que uma proposta, feita pelo deputado Marcus Cunha, do partido de oposição, Movimento Democrático Brasileiro-MDB, para que a Assembléia Legislativa de Pernambuco concedesse voto de congratulações pela passagem do 25º aniversário de bispado de Dom Hélder, acabou gerando confusão no plenário: o deputado Wandenkolk Waderley, do partido do governo, Aliança Renovadora Nacional-Arena, tentou esmurrar Marcus Cunha, após este fazer discurso enaltecendo Dom Hélder. A proposta foi derrotada no plenário.

472 – “RECIFE NEGA HOMENAGEM A DOM HÉLDER” Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 abril de 1977. Notícia diz que a Assembléia Legislativa de Pernambuco derrotou a proposta de voto de congratulações a Dom Hélder. (veja referência 471).

473 – “DEPUTADOS TROCAM INSULTOS POR CAUSA DE DOM HÉLDER” Diário da Noite, Recife, 29 abril de 1977 (veja referência 471).

474 – “CÂMARA REJEITA LOUVOR A HÉLDER” Diário da Noite, Recife, 04 de maio de 1977. Notícia diz que a Câmara de Vereadores do Recife rejeitou a proposta de voto de congratulações pela passagem do 25º aniversário do bispado de Dom Hélder, de autoria do vereador José Carlos de Vasconcelos, do partido de oposição, Movimento Democrático Brasileiro-MDB.

A notícia diz que o voto de desempate que derrotou a proposição foi dado pelo vereador Luis Gonzaga Vasconcelos, também MDB.

475 – CORÇÃO, Gustavo. “DOM HÉLDER” In O Estado de São Paulo, São Paulo, 14 de maio de 1977. Artigo condena uma entrevista de Dom Hélder publicada pelo Jornal do Brasil. (veja referência 470).

No artigo, Corção afirma que Dom Hélder é “difamador do Brasil financiado pelas esquerdas”; e diz que o arcebispo “pratica o incitamento do terrorismo”; afirma que Dom Hélder é mentiroso e que, durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, foi avalista de uma “letra de vultosíssima soma” apesar de ser um “humílimo e paupérrimo padre”. Diz também que Dom Hélder é um “aventureiro que nada sabe dos rudiemtnos de catecismo primário da religião de Cristo”.

476 – “OPERÁRIO DE RECIFE APÓIA DOM HÉLDER” Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 maio de 1977.
Notícia diz que a Ação Católica Operária, no recife, enviou ofício a lideranças de Pernambuco lamentando a negação de voto de congratulações a Dom Hélder, por parte da Assembléia Legislativa de Pernambuco. (veja referência 471).

477 – “DOM HÉLDER CÂMARA”. Diário de Pernambuco, Recife 19 maio de 1977.
O jornal publica carta do leitor Severino Gomes Ramos, da cidade de Nazaré da Mata, Pernambuco, protestando contra a negação por parte da Assembléia Legislativa de Pernambuco, de votos de congratulações pela passagem do 25º aniversário de bispado de Dom Hélder. (veja referência 471).

478 – “PADRE PRESO E DETIDO INCOMUNICÁVEL DURANTE 3 DIAS” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 20 maio de 1977. Nota denunciando a prisão, efetuada no bairro de Afogados, Recife, 15 de maio de 1977, do padre Lourenço Rosebaugh e do missionário Tomás Capuano, quando os dois catavam sobras de comida nas feiras livres para doação aos pobres.
Segundo o Boletim Arquidiocesano, a prisão foi efetuada por dois soldados da Polícia Militar ed Pernambuco, sob a alegação de que o carro-de-mão em que os religiosos catavam comida estava irregular “quanto ao registro de licenciamento”.

479 – “A PRISÃO DO PADRE LOURENÇO E DE TOMÁS CUPUANO”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 27 maio de 1977. Nota sobre a prisão do padre Lourenço Rosebaugh e do missionário Tomás Capuano. (veja referência 478).

A nota protesta contra a prisão e contra “a maneira desumana como são tratado os presos” recolhidos à Delegacia de Roubos e Furtos, onde os religiosos ficaram detidos, e queixa-se da forma como a imprensa de Pernambuco tratou o caso, “divulgando uma nota resumida, com texto uniforme”.
Diz também a nota que o padre Lourenço e o missionário Capuano, enquanto estavam detidos (três dias), ficaram incomunicáveis e nem o cônsul dos EUA conseguiu visitá-los.

480 – “DEPUTADO CRITICA RELIGIOSOS NORTE-AMERICANOS” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 03 junho de 1977.

Nota condena “pronunciamento bastante infeliz”, feito pelo deputado Edmir Régis, do partido do governo, Aliança Renovadora Nacional-Arena, através do qual o deputado rotulo de “caridade demagógica” a atitude do padre Lourenço Rosebaugh e do missionário Tomás Capuano que, com carro-de-mão, catavam restos de alimentosm nas feiras livres para distribuir com os pobres, e que, por isso, foram presos. (veja referência 478).

481 – PESSOA, Lenildo Tabosa. “DOM HÉLDER PERDE NO CONFRONTO COM DISSIDENTE RUSSO”. In O Estado de São Paulo, São Paulo, 14 junho de 1977.
Artigo sobre um debate, transmitido pela televisão francesa dia 10 de junho de 1977, entre Dom Hélder e o matemático dissidente russo Leonid Plyutch, em que os debatedores falaram entre outras, sobre direitos humanos.

No artigo, Lenildo Tabosa Pessoa diz que Dom Hélder “perdeu para o russo”, porque o arcebispo denunciou o dato dele (Dom Hélder) ser censurado no Brasil, ao que Leonid perguntou se, após fazer tal declaração na televisão, Dom Hélder poderia voltar ao seu país.
Como Dom Hélder respondeu que sim, o russo retrucou: “Então, que mais você quer?”

482 – “DOM HÉLDER NÃO QUER DISTINGUIR OS REGIMES”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 16 junho de 1977, Seção “Notas e Informações”.
O jornal condena, em editorial, as declarações de Dom Hélder, feitas através de debates que realizou com o matemático dissidente soviético Leonid Plyutch, dia 10 de junho de 1977, quando o arcebispo disse haver uma identidade entre capitalismo e comunismo, no tocante a opressões àqueles que discordaram dos respectivos regimes.

483 – “LACERDA, O ARCEBISPO E O SENADOR” Jornal do Commercio, Recife, 19 junho de 1977. O jornal transcreve trecho de um depoimento do ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, já falecido, “ditado para os repórteres do jornal o Estado de São Paulo e que durou 34 horas”, através do qual Lacerda opina sobre o senador oposicionista de Pernambuco, Marcos Freire, e sobre Dom Hélder.

No depoimento, que foi publicado originalmente por O Estado de São Paulo no dia 18 de junho de 1977, Lacerda afirma que Dom Hélder “é demagogo”, “de uma vaidade brutal”; diz que o arcebispo “não tem feito outra coisa, senão falar mal de seu país no estrangeiro” e que Dom Hélder usou indevidamente “dinheiro do Banco do Estado da Guanabara”.

O trecho do depoimento de Lacerda conta, também, um episódio em que o ex-governador veio ao Recife pedir apoio a Dom Hélder para a “frente ampla”.

484 – “ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE ESCLARECE ENCONTRO DE DOM HÉLDER COM PLYUTCH”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 junho de 1977. Jornal publica íntegra da nota, divulgada no dia anterior pela Arquidiocese de Olinda e Recife, rebatendo a versão dada por alguns jornais brasileiros sobre o que teria sido um debate entre Dom Hélder e o matemático dissidente soviético Leonid Plyutch, transmitido no dia 10 de junho de 1977 pela televisão francesa.(veja referência 481).
Segundos os jornais brasileiros, principalmente O Estado de São Paulo (que inclusive enviou um repórter a Paris), teria havido um confronto de conceitos entre Dom Hélder e o matemático soviético, durante o debate, no qual Dom Hélder fora derrotado.

A nota da Arquidiocese de Olinda e Recife, por sua vez, nega essa disputa e afirma que tanto o arcebispo quanto o matemático soviético “ambos sonham com um socialismo humano e trocariam idéias que foram transmitidas pela TV francesa durante uma hora e 15 minut6os de entrevistas”.

Obs. Veja também “ARQUIDIOCESE DE OLINDA E RECIFE EXPLICA A FALA DE DOM HÉLDER”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 28 de junho de 1977.

485 – “CARLOS LACERDA E DOM HÉLDER”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 24 de junho de 1977. A nota rebate o trecho do depoimento do ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, originalmente publicado (o depoimento inteiro) pelos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, e transcrito pelo Jornal do Commercio (apenas em parte), através do qual o ex-governador faz várias acusações a Dom Hélder. (veja referência 483).

486 – “JORNAL RESPONDE A DOM HÉLDER CÂMARA”. Diário da Noite, Recife, 29 de junho de 1977. O jornal transcreve o comentário divulgado pelo Jornal da Tarde, de São Paulo, condenando a nota da Arquidiocese de Olinda e Recife. (veja referência 485).

487 – “PADRE ROMANO RESPONDE A INQUÉRITO PARA SUA EXPULSÃO DO BRASIL”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 15 de julho de 1977. O boletim informa que o padre suíço Romano Zufferey, residente no Recife desde 1962 e que é assistente da Ação Católica Operária, foi notificado no dia 11 de julho de 1977 para comparecer à Superintendência Regional, em Pernambuco, do Departamento da Polícia Federal, onde foi instaurado “inquérito para efeito de sua expulsão do território brasileiro”.

Segundo o boletim, “a notícia surpreendeu o padre Romano”, uma vez que a Polícia Federal não alegou os motivos pelos quais o padre está sendo processado, tudo indicando que seja por conta de seu trabalho na Ação Católica Operária, ou seja, a “evangelização da classe operária”. Informa ainda que o padre Romano compareceu à Polícia Federal, onde prestou depoimento na manhã de ontem e deverá voltar esta manhã (15/07/1977).

488 – CÂMARA, Hélder. “COMUNICADO PASTORAL AO POVO DE DEUS”. In. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 15 de julho de 1977.

Publica nota assinada por dom Hélder, com data de 12 de julho, através da qual o arcebispo condena a notificação enviada pela Polícia Federal, no Recife, ao padre Romano Zufferey, para prestar depoimento em “inquérito para efeito da sua expulsão do Brasil” (veja referência 487).

Na nota, Dom Hélder diz lamentar o fato de, no Brasil, os processos caminharem com total desconhecimento das vítimas, e afirma: “Dói ver o nosso País no caminho do combate à Igreja, tal como se dá nas ditaduras de direita ou de esquerda: primeiro, a expulsão dos padres estrangeiros, depois a tentativa de reduzir a Igreja à sacristia”.

489 – “PADRE ROMANO AMEAÇADO DE EXPULSÃO DO PAÍS”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 22 de julho de 1977.
Publica nota da “Comissão de Justiça e Paz”, da Arquidiocese de Olinda e Recife, datada de 15 de julho de 1977, protestando contra intimação, feita pelo delegado do Departamento de Polícia Federal em Pernambuco, bel. Adinor de Oliveira Luz, ao padre Romano Zufferey para comparecer àquele Departamento, a fim de ser notificado que, por despacho do Ministro da Justiça, Armando Ribeiro Falcão, datado de 05 de abril de 1977, será instaurado o inquérito para efeito de sua expulsão do território brasileiro.

Segundo a nota da “Comissão de Justiça e Paz”, a expulsão do padre Romano é fundamental em parecer do consultor geral do Ministério da Justiça, que entende que “toda luta em prol dos direitos de classe é necessariamente marxista”, e por isso, “está necessária e inevitavelmente subvertendo o sistema legal vigente”.

490 – “CARDEAL DOM ALOÍSIO LORSCHEIDER, NO RECIFE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 22 de julho de 1977.
Noticia a vinda ao Recife do cardeal Dom Aloísio Lorscheider, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, que veio especialmente conhcer de perto o caso do padre Romano Zufferey. (veja referência 487).

O padre Romano está ameaçado da expulsão do território brasileiro por ser responsável, como membro da “Ação Católica Operária”-ACO, pela edição da cartilha “100 anos de suor e lágrimas”, do documento “Nordeste, Desenvolvimento sem justiça”, além do Boletim Informativo da ACO referente à passagem do Dia do Trabalhador , publicações estas consideradas pela Polícia Federal como “de conteúdo subversivo e atentatório à segurança nacional.”

Ao tomar conhecimento do caso, Dom Aloísio Lorscheider declarou à imprensa que “está não é a primeira vez que padres são expulsos do Brasil”, e disse; “o que nós notamos é a existência de um movimento, em toda América Latina, procurando dissolver a nossa ação religiosa de amparo espiritual às classes menos favorecidas. Aí, tacham-nos de subversivos, quando, na verdade, procuramos mostrar o caminho do bem e da dignidade dos homens”.

491 – “CAPUANO VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 22 de julho de 1977.
Nota informa que, por ter seu pedido de permanência no Brasil negado pela Polícia Federal, no dia 13 de julho de 1977, o missionário norte-americano Thomaz Capuano, que há dois anos se encontrava no Brasil, retornou ontem aos Estados Unidos.

A nota diz que, “segundo consta”, o pedido de permanência no Brasil foi negado ao missionário por ele “ser considerado inconveniente aos interesses nacionais”, através de ordem emitida pelo ministro da justiça do Brasil, Armando Ribeiro Falcão, transmitida ao Departamento de Polícia Federal em Pernambuco.

O missionário Thomaz Capuano, fora preso, no dia 15 de maio de 1977, juntamente com o padre Lourenço Rosebaugh, e passou três dias detido incomunicável. (veja referência 478).

Ao sair da prisão, Capuano denunciou os “maus tratos que sofrera na prisão, através de entrevistas à imprensa e de uma carta que entregou a Rosally Carter, esposa do presidente dos EUA, quando ela esteve visitando o Recife.

492 – “AINDA O PROBLEMA DA EXPULSÃO DO PADRE ROMANO” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 29 de julho de 1977. Transcreve trecho da defesa do padre Romano Zufferey, entregue à Polícia Federal, onde o padre responde, desde 11 de julho de 1977, a um processo destinado a sua expulsão do Brasil. (veja referência 490)

493 – “PELA JUSTIÇA SOCIAL, ESPERAMOS CONTRA QUALQUER ESPERANÇA – DOM HÉLDER CÂMARA”. A Tribuna, Santos, 08 de agosto de 1977. Entrevista com Dom Hélder, através da qual o arcebispo opina sob vários temas e fala das acusações que lhes são feitas de ser “subversivo e comunista”.

494 – “NOTA DO ARCEBISPO EM PROL DA VERDADE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 12 de agosto de 1977. Nota assinada, no dia 11 de agosto de 1977, por Dom José Lamartine Soares, bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, aponta “falsificação dos fatos efetuada pelo relatório da Comissão Especial de Inquérito criada pela Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco para apurar a prisão do padre Lawrence Edward Rosebaugh e do missionário Thomaz Michael Capuano”. (veja referência 491)

Entre outras coisas, a nota dia que o governador de Pernambuco, José Francisco de Moura Cavalcanti negou um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pernambuco, sugerindo que o inquérito fosse presidido por um magistrado e acompanhado por um promotor, “dada a suspeição do poder policial para investigar um fato ocorrido na própria repartição”; aponta contradições do relatório; condena os maus tratos sofridos pelos religiosos; e rejeita o motivo da prisão apontado no relatório: que os dois religiosos teriam sido presos pelo fato de “não procederem de maneira compatível com o estado social que alegaram aos dois agentes que os prenderam”. (Essa alegação deve-se ao fato de que, ao serem presos, o padre e o missionário se encontravam na feira livre do Recife, catando restos de comida num carro de mão para doação aos pobres).

Entre os maus tratos sofridos pelo padre e pelo missionário, a nota do arcebispo dita: “jejun forçado; coronhas na cabeça; ser chamado de comunista; ser roubado, na carceragem, do dinheiro que levava no bolso; beber água duas vezes por dia, em quantidade limitada; e ser despedido na frente de mulheres seminuas”.

Obs: O padre Lawrence Edward Rosebaugh, em algumas notas do Boletim Arquidiocesano e da imprensa, tem seu nome aportuguesado para Lourenço; assim como o missionário Thomaz Michael Capuano, muitas vezes é chamado Tomás.

495 – “CONVITE A DOM HÉLDER É RETIRADO”. O Globo, Rio de Janeiro, 12 de agosto de 1977. A notícia diz que a Assembléia Legislativa do Maranhão, que já havia aprovado por unanimidade um requerimento convidando Dom Hélder para fazer, no dia 25 de agosto de 1977, uma palestra sobre a atuação social da Igreja em países em desenvolvimento, retirou, ontem, o convite, por decisão da maioria do partido do governo, Alinça Renovadora Nacional – Arena.

Segundo o líder da Arena, deputado Celso Coutinho, a palestra de Dom Hélder foi cancelada porque no dia 25 de agosto de 1977, haveria uma homenagem ao Dia do Soldado e era impossível realizar, na Assembléia Legislativa do Maranhão, as duas solenidades ao mesmo tempo.

496 – “ARCEBISPO DE SÃO LUIZ RECUSA IR À ASSEMBLÉIA”. Diário de Pernambuco, Recife, 14 de agosto de 1977. Transcreve a nota do arcebispo de São Luiz, Maranhão, Dom João José da Mota Albuquerque, atraves da qual o arcebispo sugere à Assembléia Legislativa do Maranhão que cancele as solenidades por ela programadas para o dia 25 de agosto de 1977, em comemoração ao tricentenário da Diocese, pois ele próprio não irá comparecer a tais solenidades.

Na nota, o arcebispo de São Luiz explica que tomou a iniciativa de não mais comparecer à Assembléia Legislativa do Maranhão (caso os deputados inistam em realizar as solenidades comemorativas ao tricentenário de sua diocese) porque, por sua sugestão, a Assembléia havia convidado Dom Hélder para ser um dos oradores e, no dia 11 de agosto de 1977, cancelou o convite ao arcebispo de Olinda e Recife, por imposição “do Alto comando Militar desta cidade”. (veja referência 495).

Dom João José da Mota Albuquerque afirma preferir ficar “solidário ao meu irmão no Episcopado” a realizar uma solenidade comemorativa ao tricentenário de sua diocese na sede da Assembléia Legislativa do Maranhão.

497 – “IV EXÉRCITO NÃO COMENTA DESCONVITE DA ASSEMBLÉIA DO MARANHÃO A DOM HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 18 de agosto de 1977.

Notícia diz que o ‘relações públicas” do comando do IV Exército, Recife, coronel Paulo Figueiredo, recusou comentar a decisão da Assembléia Legislativa do maranhão que, após já aprovado convite em plenário, retirou, no dia 11 de agosto de 1977, esse mesmo convite para que dom Hélder fizesse ali uma palestra.

Essa atitude da assembléia Legislativa do Maranhão, segundo denúncia do arcebispo de são Luiz, teria sido imposta pelo comando militar do estado.(veja referência 496).

498 – JORNAL DO COMMERCIO, Recife, 19 de agosto de 1977.
Notícia diz que, apesar de a Assembléia Legislativa do Maranhão ter cancelado um convite para Dom Hélder proferir palestra em sua sede (veja referência 495), o arcebispo irá realmente a São Luiz.

499 – “DOM HÉLDER EM SÃO LUIZ”. Diário da Noite, Recife, 25 de agosto de 1977.
Dom Hélder, ao desembarcar em São Luiz, onde presidiu a solenidade do tricentenário da diocese local declarou: “Aqueles que me acusam e acusam a Igreja de comunista estão é propagando o comunismo, porque lutamos apenas contra a injustiça social no mundo onde dois terços da população estão mergulhados na fome”.

Dom Hélder iria fazer uma palestra na Assembléia Legislativa do Maranhão, no dia 25 de agosto dde 1977, durante a solenidade oferecida pelos deputados em comemoração ao tricentenário da diocese de São Luiz, mas, no dia 11 de agosto de 1977, a própria Assembléia Legislativa cancelou o convite a Dom Hélder. (veja referência 496).

500 – “EXPLICAÇÕES DFO PADRE ROMANO” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 28 de agosto de 1977.
O delegado regional do trabalho, no Recife, acusou o padre Romano Zufferey (ameaçado desde o dia 14 de junho de 1977 de expulsão do Brasil – veja referência 492) de perturbar a solução do “Caso Moreno”, indústria recentemente fechada em Pernambuco e que deixou cenbtenas de desempregados.

501 – “JUIZ NÃO ACEITA MARGINAL COMO ESPANCADOR DE PADRES”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 16 de setembro de 1977.

A nota diz que o juiz Francisco Rodrigues dos Santos, da Terceira Vara Criminal do Recife, rejeitou ontem denúncia (oferecida pelo promotor Fernando de Freitas Henriques) responsabilizando o marginal conhecido por “Chupa Dedo” pelas sevícias praticadas contra o padre Lawrence Rosebaugh e o missionário Thomaz Capuano, ocorridas no dia 15 de maio de 1977 no interior do Presídio da Delegacia de Roubos e Furtos. No Recife. (veja referência 494).

502 – “GELO QUEBRADO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de setembro de 1977.
A notícia diz que a Assembléia Legislativa de Pernambuco, após cinco anos, deu o seu primeiro diploma de cidadania honorária a um sacerdote. Afirma, ainda, que a Assembléia deixou de homenagiar sacerdotes por ter criado um problema político ao permitir que dom Hélder fizesse ali um discurso em 1972. (veja referência 463).

503 – “ASSUNTOS MUNICIPAIS”. Diário da Noite, Recife, 20 de setembro de 1977.
Notícia, veiculada na Seção “Assuntos Municipais”, afirma que “o major Paulo Lima, da Emetur (Empresa Metropolitana de Turismo-Recife) nos enviou revista Fatos e Fotos inserindo na sua página 64 matéria sobre as confissões dos russos sobre subversão no Brasil”. E acrescenta anotícia: “Nessa mesma página aparece uma foto do padre Hélder com a seguinte legenda: O sr. H.C. é um dos mais eficientes operadores da linha auxiliar do comunismo e da expansão soviética no Terceiro Mundo”,

504 – “AFINAL QUEM ´O CULPADO?”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 23 de setembro de 1977. A nota transcreve trechos do despacho do juiz da Terceira Vara Criminal do recife, Francisco Rodrigues dos Santos, onde ele alega que o inquérito feito pela Secretaria de Segurnça Pública de Pernambuco para apurar maus tratos sofridos pelos religiosos Lawrence Rosebaugh e Thomaz Capuano, presos no Recife, “não traduz a verdade”.

O inquérito alega que os maus tratos sofridos pelos religiosos na Delegacia de Roubos e Furtos do Recife foram praticadas pelo preso Severino Alves, conhecido por “Chupa Dedo”, e, decorridos cinco dias após o juiz da Terceira Vara Criminal não aceitar essa versão (veja referência 501), o promotor Fernando de Freitas Henriques deu por encerrado o processo.

A nota do Boletim Arquidiocesano cita, como reais culpados pelos maus tratos praticados contra os religiosos, Valdomiro de Oliveira, Fernando Avelar, Gerson lopes e o próprio delegado de Roubos e Furtos João Acioly.

505 – “RETIFICANDO DECLARAÇÕES”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 30 de setembro de 1977. Nota rebate “afirmações falsas e injuriosas” feitas pelo governador de Pernambuco, José Francisco de Moura Cavalcanti, em entrevista à imprensa, contra o missionário Thomaz Michael Capuano, da Arquidiocese de olinda e Recife, que no dia 13 de julho de 1977 foi expulso do Brasil, após ter sido preso no Recife, no dia 15 de maio de 1977. (veja referência 491).

As afirmações do governador de Pernambuco foram publicadas pelo Diário de Pernambuco no dia 28 de setembro de 1977.

506 – CÂMARA, Hélder. “PRO QUE OS PAÍSES EM VIAS DE DESENVOLVIMENTO ESTÃO EM GERAL, SUBMETIDOS A DITADURAS?”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1975-80.

Publica íntegra da participaçãode Dom Hélder nas Jornadas Internacionais sobre “O futuro da Democracia”, promovida pela Rário-Franc, em Atenas, nos dia 5,6 e 7 de outubro de 1977.

Traz também a íntegra das duas outras intervenções de Dom Hélder nas Jornadas, sob os seguintes títulos: “Democracia e Subdesenvolvimento: Existe uma ligação entre bem-estar e liberdade?” e “Democracia e Economia: O agravamento do descompasse entre o poder econômico multinacional e o poder político nacional não corre o risco de gerar um totalitarismo?”.

507 – “SEMINÁRIO DE ATENAS DEBATE OS PROBLEMAS TERCEIRO MUNDO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 de outubro de 1977. Matéria assinada por Areltte Chabrol, enviada especial do Jornal do Brasil, fala da participação de Dom Hélder nas jornadas internacionais sobre o futuro da democracia (veja referência 506) e diz que o arcebispo de Olinda e Recife foi um dos mais aplaudidos por suas declarações.

508 – “DOM HÉLDER É CIDADÃO DE PERNAMBUCO”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 21 de outubro de 1977.
Nota protestando contra publicação, atraves da imprensa, de uma lista de pessoas que não recebram o título de cidadão pernambucano, na qual está incluído o nome de Dom Hélder.

A nota lembra que, em 1967, a Assembléia Legislativa de Pernambuco “conferiu ao Sr. Arcebispo, Dom Hélder Câmara, o título de cidadão de Pernambuco”, que foi entregue no dia 25 de setembro de 1967. (veja referência 126).

509 – “PROIBIÇÃO DE MISSA DE DOM HÉLDER”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife 02 de dezembro de 1977. Chegou à Arquidiocese de Olinda e Recife, embora não confirmadas oficialmente, notícias de que Dom Hélder seria proibido de celebrar uma “missa do cadáver desconhecido”, em uma das Unidades da Universidade Federal de Pernambuco. Veja também “Dom Helder é proibido de celebrar a missa do cadáver desconhecido”.Diário de Pernambuco, Recife, 03 de dezembro de 1977.

Obs: A missa do cadáver desconhecido é uma promoção dos concluintes de Medicina e tem a finaliade de homenagiar os cadáveres de pessoas desconhecidas que são utilizados para pesquisas pelos estudantes durante a realização de seu curso.

510 – “DOM HÉLDER ESPERA QUE FALA DE GEISEL SIGNIFIQUE FIM DE PESADELO POLÍTICO DE ABRIL”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 03 de dezembro de 1977.
Dom Hélder disse esperar que o discruso de final de ano do presidente do Brasil, general Ernesto Geisel, “signifique, de verdade, o fim do pesadelo de abril”.

Obs: Em abril de 1977, o general Ernesto Geisel decretou o fechamento do Congrsso Nacional, porque os seus membros não aprovaram a reforma do judiciário. Foi aí que o presidente do Brasil criou a figura dos “senadores biônicos”, ou seja, senadores nomeados por ele, de forma que o partido do governo, sempre que precise, nomeie senadores para garantir maioria no Congresso.

511 – “DOM HÉLDER PODE CELEBRAR MISSA NA UNIVERSIDADE”. Jornal do Commercio, Recife, 04 de dezembro de 1977. Notícia desmente a informação, veiculada no Recife, de que Dom Hélder estav poribido de celebrar uma “missa do cadáver desconhecido”. (veja referência 509).

512 – “CONFIRMADA PALESTRA DE EVARISTO E HÉLDER NA FACULDADE AMANHÔ. Diário de Pernambuco, Recife, 04 de dezembro de 1977. O diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, professor Francisco Rosa e Silva Sobrinho, autorizou, através de ofício ao Diretório Acadêmico, a realização naquela faculdade de palestra, no dia 05 de dezembro de 1977, de Dom Hélder e do cardeal arcebispo de São Paulo, Dom paulo Evaristo Arns, sobre direitos humanos.

No ofício, o professor Rosa e Silva diz esperar a compreensão do Diretório Acadêmico, “com respeito a preocupação (por parte da Faculdade de Direito) no sentido de evitar que venha a referida conferência servir de instrumento de contestação ao governo ou incentivo a qualquer movimento de caráter subversivo”.

Obs: Esta preocupação em torno da conferência de dom Hélder deve-se ao fato de o arcebispo não mais ter feito qualquer pronunciamento em universidades brasileiras desde que, em 1968, foi proibido pelo governo de falar em universidades.

513 – “DOM HÉLDER CÂMARA FALA DE SEGURANÇA NACIONAL E DIREITOS HUMANSO NA UFPE”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 06 de dezembro de 1977. Notícia sobre conferência proferida por Dom Héldersobre direitos humanos, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (veja referência 512), depois de o arcebispo ter ficado nove anos proibido pelo governo de falar em universidades braseiras.

A palestra de Dom Hélder foi gravada e “houve um discreto policiamento”, sendo que viaturas e soldados da Polícia Militar de Pernambuco permaneceram durante toda tarde nas proximidades do prédio da Faculdade de Direito do Recife.

Afirma também que Dom Hélder, ao perceber que suas palavras estavam sendo gravadas, disse gostar muito da idéia, ‘porque eu sempre respondoi pelo que digo e não pelo que dizem que eu digo”.

Veja também “Hélder Cãmara agradece pela oportunidade de poder falar português”. Diário de Pernambuco, Recife, 06 de dezembro de 1977.

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