1977
470 – “QUANTO
MAIS NEGRA É A NOITE, MAIS
CARREGA EM SAI AMDRUGADA”. Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 24 abril
de 1977. Essa é a primeira
vez que a imprensa brasileira publica
uma entrevista com Dom Hélder,
desde que em fins de 1970 o governo
militar do Brasil proibiu qualquer
veículo de comunicação
social de veicular notícia
sobre o arcebispo de Olinda e Recife.
 |
Na entrevista, concedida
a Divane Carvalho, Dom Hélder
fala da sua militância política,
do confronto Igreja-Estado no
Brasil, de suas viagens ao exterior,
do papel da Igreja, de suas relações
com a imprensa brasileira e das
acusações que os
militares lhes têm feito
de ser “comunista”. |
Sobre críticas que sofreu
por ter denunciado, no exterior, a
prática de tortura a presos
políticos brasileiros (veja
referência 366), Dom Hélder
afirma: (...) “quando combato
as injustiças, se essas injustiças
são cometidas no Brasil, não
estou combatendo o Brasil: estou combatendo
as injustiças das quais as
primeiras vítimas são
muitas vezes os brasileiros. (...)
Será que a gente (o Brasil)
quer provar que não é
possível caminhar democraticamente?”.
471 – “VOTO
A DOM HÉLDER PROVOCA TUMULTOS”.
Diário de Pernambuco, Recife
29 abril de 1977. Notícia diz
que uma proposta, feita pelo deputado
Marcus Cunha, do partido de oposição,
Movimento Democrático Brasileiro-MDB,
para que a Assembléia Legislativa
de Pernambuco concedesse voto de congratulações
pela passagem do 25º aniversário
de bispado de Dom Hélder, acabou
gerando confusão no plenário:
o deputado Wandenkolk Waderley, do
partido do governo, Aliança
Renovadora Nacional-Arena, tentou
esmurrar Marcus Cunha, após
este fazer discurso enaltecendo Dom
Hélder. A proposta foi derrotada
no plenário.
472 – “RECIFE
NEGA HOMENAGEM A DOM HÉLDER”
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
29 abril de 1977. Notícia diz
que a Assembléia Legislativa
de Pernambuco derrotou a proposta
de voto de congratulações
a Dom Hélder. (veja referência
471).
473 – “DEPUTADOS
TROCAM INSULTOS POR CAUSA DE DOM HÉLDER”
Diário da Noite, Recife, 29
abril de 1977 (veja referência
471).
474 – “CÂMARA
REJEITA LOUVOR A HÉLDER”
Diário da Noite, Recife, 04
de maio de 1977. Notícia diz
que a Câmara de Vereadores do
Recife rejeitou a proposta de voto
de congratulações pela
passagem do 25º aniversário
do bispado de Dom Hélder, de
autoria do vereador José Carlos
de Vasconcelos, do partido de oposição,
Movimento Democrático Brasileiro-MDB.
A notícia diz que o voto
de desempate que derrotou a proposição
foi dado pelo vereador Luis Gonzaga
Vasconcelos, também MDB.
475 – CORÇÃO,
Gustavo. “DOM HÉLDER”
In O Estado de São Paulo, São
Paulo, 14 de maio de 1977. Artigo
condena uma entrevista de Dom Hélder
publicada pelo Jornal do Brasil. (veja
referência 470).
No artigo, Corção
afirma que Dom Hélder é
“difamador do Brasil financiado
pelas esquerdas”; e diz que
o arcebispo “pratica o incitamento
do terrorismo”; afirma que Dom
Hélder é mentiroso e
que, durante o governo do presidente
Juscelino Kubitschek, foi avalista
de uma “letra de vultosíssima
soma” apesar de ser um “humílimo
e paupérrimo padre”.
Diz também que Dom Hélder
é um “aventureiro que
nada sabe dos rudiemtnos de catecismo
primário da religião
de Cristo”.
476 – “OPERÁRIO
DE RECIFE APÓIA DOM HÉLDER”
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
16 maio de 1977.
Notícia diz que a Ação
Católica Operária, no
recife, enviou ofício a lideranças
de Pernambuco lamentando a negação
de voto de congratulações
a Dom Hélder, por parte da
Assembléia Legislativa de Pernambuco.
(veja referência 471).
477 – “DOM
HÉLDER CÂMARA”.
Diário de Pernambuco, Recife
19 maio de 1977.
O jornal publica carta do leitor Severino
Gomes Ramos, da cidade de Nazaré
da Mata, Pernambuco, protestando contra
a negação por parte
da Assembléia Legislativa de
Pernambuco, de votos de congratulações
pela passagem do 25º aniversário
de bispado de Dom Hélder. (veja
referência 471).
478 – “PADRE
PRESO E DETIDO INCOMUNICÁVEL
DURANTE 3 DIAS” Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 20 maio
de 1977. Nota denunciando a prisão,
efetuada no bairro de Afogados, Recife,
15 de maio de 1977, do padre Lourenço
Rosebaugh e do missionário
Tomás Capuano, quando os dois
catavam sobras de comida nas feiras
livres para doação aos
pobres.
Segundo o Boletim Arquidiocesano,
a prisão foi efetuada por dois
soldados da Polícia Militar
ed Pernambuco, sob a alegação
de que o carro-de-mão em que
os religiosos catavam comida estava
irregular “quanto ao registro
de licenciamento”.
479 – “A
PRISÃO DO PADRE LOURENÇO
E DE TOMÁS CUPUANO”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 27 maio de 1977.
Nota sobre a prisão do padre
Lourenço Rosebaugh e do missionário
Tomás Capuano. (veja referência
478).
 |
A nota protesta
contra a prisão e contra
“a maneira desumana como
são tratado os presos”
recolhidos à Delegacia
de Roubos e Furtos, onde os religiosos
ficaram detidos, e queixa-se da
forma como a imprensa de Pernambuco
tratou o caso, “divulgando
uma nota resumida, com texto uniforme”.
Diz também a nota que o
padre Lourenço e o missionário
Capuano, enquanto estavam detidos
(três dias), ficaram incomunicáveis
e nem o cônsul dos EUA conseguiu
visitá-los. |
480 – “DEPUTADO
CRITICA RELIGIOSOS NORTE-AMERICANOS”
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 03 junho de 1977.
Nota condena “pronunciamento
bastante infeliz”, feito pelo
deputado Edmir Régis, do partido
do governo, Aliança Renovadora
Nacional-Arena, através do
qual o deputado rotulo de “caridade
demagógica” a atitude
do padre Lourenço Rosebaugh
e do missionário Tomás
Capuano que, com carro-de-mão,
catavam restos de alimentosm nas feiras
livres para distribuir com os pobres,
e que, por isso, foram presos. (veja
referência 478).
481 – PESSOA,
Lenildo Tabosa. “DOM HÉLDER
PERDE NO CONFRONTO COM DISSIDENTE
RUSSO”. In O Estado de São
Paulo, São Paulo, 14 junho
de 1977.
Artigo sobre um debate, transmitido
pela televisão francesa dia
10 de junho de 1977, entre Dom Hélder
e o matemático dissidente russo
Leonid Plyutch, em que os debatedores
falaram entre outras, sobre direitos
humanos.
No artigo, Lenildo Tabosa Pessoa
diz que Dom Hélder “perdeu
para o russo”, porque o arcebispo
denunciou o dato dele (Dom Hélder)
ser censurado no Brasil, ao que Leonid
perguntou se, após fazer tal
declaração na televisão,
Dom Hélder poderia voltar ao
seu país.
Como Dom Hélder respondeu que
sim, o russo retrucou: “Então,
que mais você quer?”
482 – “DOM
HÉLDER NÃO QUER DISTINGUIR
OS REGIMES”. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 16 junho
de 1977, Seção “Notas
e Informações”.
O jornal condena, em editorial, as
declarações de Dom Hélder,
feitas através de debates que
realizou com o matemático dissidente
soviético Leonid Plyutch, dia
10 de junho de 1977, quando o arcebispo
disse haver uma identidade entre capitalismo
e comunismo, no tocante a opressões
àqueles que discordaram dos
respectivos regimes.
483 – “LACERDA,
O ARCEBISPO E O SENADOR” Jornal
do Commercio, Recife, 19 junho de
1977. O jornal transcreve trecho de
um depoimento do ex-governador da
Guanabara, Carlos Lacerda, já
falecido, “ditado para os repórteres
do jornal o Estado de São Paulo
e que durou 34 horas”, através
do qual Lacerda opina sobre o senador
oposicionista de Pernambuco, Marcos
Freire, e sobre Dom Hélder.
No depoimento, que foi publicado
originalmente por O Estado de São
Paulo no dia 18 de junho de 1977,
Lacerda afirma que Dom Hélder
“é demagogo”, “de
uma vaidade brutal”; diz que
o arcebispo “não tem
feito outra coisa, senão falar
mal de seu país no estrangeiro”
e que Dom Hélder usou indevidamente
“dinheiro do Banco do Estado
da Guanabara”.
O trecho do depoimento de Lacerda
conta, também, um episódio
em que o ex-governador veio ao Recife
pedir apoio a Dom Hélder para
a “frente ampla”.
484 – “ARQUIDIOCESE
DE OLINDA E RECIFE ESCLARECE ENCONTRO
DE DOM HÉLDER COM PLYUTCH”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
24 junho de 1977. Jornal publica íntegra
da nota, divulgada no dia anterior
pela Arquidiocese de Olinda e Recife,
rebatendo a versão dada por
alguns jornais brasileiros sobre o
que teria sido um debate entre Dom
Hélder e o matemático
dissidente soviético Leonid
Plyutch, transmitido no dia 10 de
junho de 1977 pela televisão
francesa.(veja referência 481).
Segundos os jornais brasileiros, principalmente
O Estado de São Paulo (que
inclusive enviou um repórter
a Paris), teria havido um confronto
de conceitos entre Dom Hélder
e o matemático soviético,
durante o debate, no qual Dom Hélder
fora derrotado.
A nota da Arquidiocese de Olinda
e Recife, por sua vez, nega essa disputa
e afirma que tanto o arcebispo quanto
o matemático soviético
“ambos sonham com um socialismo
humano e trocariam idéias que
foram transmitidas pela TV francesa
durante uma hora e 15 minut6os de
entrevistas”.
Obs. Veja também “ARQUIDIOCESE
DE OLINDA E RECIFE EXPLICA A FALA
DE DOM HÉLDER”. O Estado
de São Paulo, São Paulo,
28 de junho de 1977.
485 – “CARLOS
LACERDA E DOM HÉLDER”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 24 de junho de 1977.
A nota rebate o trecho do depoimento
do ex-governador da Guanabara, Carlos
Lacerda, originalmente publicado (o
depoimento inteiro) pelos jornais
O Estado de São Paulo e Jornal
da Tarde, e transcrito pelo Jornal
do Commercio (apenas em parte), através
do qual o ex-governador faz várias
acusações a Dom Hélder.
(veja referência 483).
486 – “JORNAL
RESPONDE A DOM HÉLDER CÂMARA”.
Diário da Noite, Recife, 29
de junho de 1977. O jornal transcreve
o comentário divulgado pelo
Jornal da Tarde, de São Paulo,
condenando a nota da Arquidiocese
de Olinda e Recife. (veja referência
485).
487 – “PADRE
ROMANO RESPONDE A INQUÉRITO
PARA SUA EXPULSÃO DO BRASIL”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 15 de julho de 1977.
O boletim informa que o padre suíço
Romano Zufferey, residente no Recife
desde 1962 e que é assistente
da Ação Católica
Operária, foi notificado no
dia 11 de julho de 1977 para comparecer
à Superintendência Regional,
em Pernambuco, do Departamento da
Polícia Federal, onde foi instaurado
“inquérito para efeito
de sua expulsão do território
brasileiro”.
Segundo o boletim, “a notícia
surpreendeu o padre Romano”,
uma vez que a Polícia Federal
não alegou os motivos pelos
quais o padre está sendo processado,
tudo indicando que seja por conta
de seu trabalho na Ação
Católica Operária, ou
seja, a “evangelização
da classe operária”.
Informa ainda que o padre Romano compareceu
à Polícia Federal, onde
prestou depoimento na manhã
de ontem e deverá voltar esta
manhã (15/07/1977).
488 – CÂMARA,
Hélder. “COMUNICADO PASTORAL
AO POVO DE DEUS”. In. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 15 de julho de 1977.
Publica nota assinada por dom Hélder,
com data de 12 de julho, através
da qual o arcebispo condena a notificação
enviada pela Polícia Federal,
no Recife, ao padre Romano Zufferey,
para prestar depoimento em “inquérito
para efeito da sua expulsão
do Brasil” (veja referência
487).
Na nota, Dom Hélder diz lamentar
o fato de, no Brasil, os processos
caminharem com total desconhecimento
das vítimas, e afirma: “Dói
ver o nosso País no caminho
do combate à Igreja, tal como
se dá nas ditaduras de direita
ou de esquerda: primeiro, a expulsão
dos padres estrangeiros, depois a
tentativa de reduzir a Igreja à
sacristia”.
489 – “PADRE
ROMANO AMEAÇADO DE EXPULSÃO
DO PAÍS”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 22 de julho
de 1977.
Publica nota da “Comissão
de Justiça e Paz”, da
Arquidiocese de Olinda e Recife, datada
de 15 de julho de 1977, protestando
contra intimação, feita
pelo delegado do Departamento de Polícia
Federal em Pernambuco, bel. Adinor
de Oliveira Luz, ao padre Romano Zufferey
para comparecer àquele Departamento,
a fim de ser notificado que, por despacho
do Ministro da Justiça, Armando
Ribeiro Falcão, datado de 05
de abril de 1977, será instaurado
o inquérito para efeito de
sua expulsão do território
brasileiro.
Segundo a nota da “Comissão
de Justiça e Paz”, a
expulsão do padre Romano é
fundamental em parecer do consultor
geral do Ministério da Justiça,
que entende que “toda luta em
prol dos direitos de classe é
necessariamente marxista”, e
por isso, “está necessária
e inevitavelmente subvertendo o sistema
legal vigente”.
490 – “CARDEAL
DOM ALOÍSIO LORSCHEIDER, NO
RECIFE”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 22 de julho
de 1977.
Noticia a vinda ao Recife do cardeal
Dom Aloísio Lorscheider, presidente
da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil-CNBB, que veio especialmente
conhcer de perto o caso do padre Romano
Zufferey. (veja referência 487).
O padre Romano está ameaçado
da expulsão do território
brasileiro por ser responsável,
como membro da “Ação
Católica Operária”-ACO,
pela edição da cartilha
“100 anos de suor e lágrimas”,
do documento “Nordeste, Desenvolvimento
sem justiça”, além
do Boletim Informativo da ACO referente
à passagem do Dia do Trabalhador
, publicações estas
consideradas pela Polícia Federal
como “de conteúdo subversivo
e atentatório à segurança
nacional.”
Ao tomar conhecimento do caso, Dom
Aloísio Lorscheider declarou
à imprensa que “está
não é a primeira vez
que padres são expulsos do
Brasil”, e disse; “o que
nós notamos é a existência
de um movimento, em toda América
Latina, procurando dissolver a nossa
ação religiosa de amparo
espiritual às classes menos
favorecidas. Aí, tacham-nos
de subversivos, quando, na verdade,
procuramos mostrar o caminho do bem
e da dignidade dos homens”.
491 – “CAPUANO
VOLTA AOS ESTADOS UNIDOS”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 22 de julho de 1977.
Nota informa que, por ter seu pedido
de permanência no Brasil negado
pela Polícia Federal, no dia
13 de julho de 1977, o missionário
norte-americano Thomaz Capuano, que
há dois anos se encontrava
no Brasil, retornou ontem aos Estados
Unidos.
A nota diz que, “segundo consta”,
o pedido de permanência no Brasil
foi negado ao missionário por
ele “ser considerado inconveniente
aos interesses nacionais”, através
de ordem emitida pelo ministro da
justiça do Brasil, Armando
Ribeiro Falcão, transmitida
ao Departamento de Polícia
Federal em Pernambuco.
O missionário Thomaz Capuano,
fora preso, no dia 15 de maio de 1977,
juntamente com o padre Lourenço
Rosebaugh, e passou três dias
detido incomunicável. (veja
referência 478).
Ao sair da prisão, Capuano
denunciou os “maus tratos que
sofrera na prisão, através
de entrevistas à imprensa e
de uma carta que entregou a Rosally
Carter, esposa do presidente dos EUA,
quando ela esteve visitando o Recife.
492 – “AINDA
O PROBLEMA DA EXPULSÃO DO PADRE
ROMANO” Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 29 de julho
de 1977. Transcreve trecho da defesa
do padre Romano Zufferey, entregue
à Polícia Federal, onde
o padre responde, desde 11 de julho
de 1977, a um processo destinado a
sua expulsão do Brasil. (veja
referência 490)
493 – “PELA
JUSTIÇA SOCIAL, ESPERAMOS CONTRA
QUALQUER ESPERANÇA –
DOM HÉLDER CÂMARA”.
A Tribuna, Santos, 08 de agosto de
1977. Entrevista com Dom Hélder,
através da qual o arcebispo
opina sob vários temas e fala
das acusações que lhes
são feitas de ser “subversivo
e comunista”.
494 – “NOTA
DO ARCEBISPO EM PROL DA VERDADE”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 12 de agosto de 1977.
Nota assinada, no dia 11 de agosto
de 1977, por Dom José Lamartine
Soares, bispo auxiliar da Arquidiocese
de Olinda e Recife, aponta “falsificação
dos fatos efetuada pelo relatório
da Comissão Especial de Inquérito
criada pela Secretaria de Segurança
Pública de Pernambuco para
apurar a prisão do padre Lawrence
Edward Rosebaugh e do missionário
Thomaz Michael Capuano”. (veja
referência 491)
Entre outras coisas, a nota dia
que o governador de Pernambuco, José
Francisco de Moura Cavalcanti negou
um pedido da Ordem dos Advogados do
Brasil, Seção Pernambuco,
sugerindo que o inquérito fosse
presidido por um magistrado e acompanhado
por um promotor, “dada a suspeição
do poder policial para investigar
um fato ocorrido na própria
repartição”; aponta
contradições do relatório;
condena os maus tratos sofridos pelos
religiosos; e rejeita o motivo da
prisão apontado no relatório:
que os dois religiosos teriam sido
presos pelo fato de “não
procederem de maneira compatível
com o estado social que alegaram aos
dois agentes que os prenderam”.
(Essa alegação deve-se
ao fato de que, ao serem presos, o
padre e o missionário se encontravam
na feira livre do Recife, catando
restos de comida num carro de mão
para doação aos pobres).
Entre os maus tratos sofridos pelo
padre e pelo missionário, a
nota do arcebispo dita: “jejun
forçado; coronhas na cabeça;
ser chamado de comunista; ser roubado,
na carceragem, do dinheiro que levava
no bolso; beber água duas vezes
por dia, em quantidade limitada; e
ser despedido na frente de mulheres
seminuas”.
Obs: O padre Lawrence Edward Rosebaugh,
em algumas notas do Boletim Arquidiocesano
e da imprensa, tem seu nome aportuguesado
para Lourenço; assim como o
missionário Thomaz Michael
Capuano, muitas vezes é chamado
Tomás.
495 – “CONVITE
A DOM HÉLDER É RETIRADO”.
O Globo, Rio de Janeiro, 12 de agosto
de 1977. A notícia diz que
a Assembléia Legislativa do
Maranhão, que já havia
aprovado por unanimidade um requerimento
convidando Dom Hélder para
fazer, no dia 25 de agosto de 1977,
uma palestra sobre a atuação
social da Igreja em países
em desenvolvimento, retirou, ontem,
o convite, por decisão da maioria
do partido do governo, Alinça
Renovadora Nacional – Arena.
Segundo o líder da Arena,
deputado Celso Coutinho, a palestra
de Dom Hélder foi cancelada
porque no dia 25 de agosto de 1977,
haveria uma homenagem ao Dia do Soldado
e era impossível realizar,
na Assembléia Legislativa do
Maranhão, as duas solenidades
ao mesmo tempo.
496 – “ARCEBISPO
DE SÃO LUIZ RECUSA IR À
ASSEMBLÉIA”. Diário
de Pernambuco, Recife, 14 de agosto
de 1977. Transcreve a nota do arcebispo
de São Luiz, Maranhão,
Dom João José da Mota
Albuquerque, atraves da qual o arcebispo
sugere à Assembléia
Legislativa do Maranhão que
cancele as solenidades por ela programadas
para o dia 25 de agosto de 1977, em
comemoração ao tricentenário
da Diocese, pois ele próprio
não irá comparecer a
tais solenidades.
Na nota, o arcebispo de São
Luiz explica que tomou a iniciativa
de não mais comparecer à
Assembléia Legislativa do Maranhão
(caso os deputados inistam em realizar
as solenidades comemorativas ao tricentenário
de sua diocese) porque, por sua sugestão,
a Assembléia havia convidado
Dom Hélder para ser um dos
oradores e, no dia 11 de agosto de
1977, cancelou o convite ao arcebispo
de Olinda e Recife, por imposição
“do Alto comando Militar desta
cidade”. (veja referência
495).
Dom João José da Mota
Albuquerque afirma preferir ficar
“solidário ao meu irmão
no Episcopado” a realizar uma
solenidade comemorativa ao tricentenário
de sua diocese na sede da Assembléia
Legislativa do Maranhão.
497 – “IV
EXÉRCITO NÃO COMENTA
DESCONVITE DA ASSEMBLÉIA DO
MARANHÃO A DOM HÉLDER”.
Diário de Pernambuco, Recife,
18 de agosto de 1977.
Notícia diz que o ‘relações
públicas” do comando
do IV Exército, Recife, coronel
Paulo Figueiredo, recusou comentar
a decisão da Assembléia
Legislativa do maranhão que,
após já aprovado convite
em plenário, retirou, no dia
11 de agosto de 1977, esse mesmo convite
para que dom Hélder fizesse
ali uma palestra.
Essa atitude da assembléia
Legislativa do Maranhão, segundo
denúncia do arcebispo de são
Luiz, teria sido imposta pelo comando
militar do estado.(veja referência
496).
498 – JORNAL
DO COMMERCIO, Recife, 19 de agosto
de 1977.
Notícia diz que, apesar de
a Assembléia Legislativa do
Maranhão ter cancelado um convite
para Dom Hélder proferir palestra
em sua sede (veja referência
495), o arcebispo irá realmente
a São Luiz.
499 – “DOM
HÉLDER EM SÃO LUIZ”.
Diário da Noite, Recife, 25
de agosto de 1977.
Dom Hélder, ao desembarcar
em São Luiz, onde presidiu
a solenidade do tricentenário
da diocese local declarou: “Aqueles
que me acusam e acusam a Igreja de
comunista estão é propagando
o comunismo, porque lutamos apenas
contra a injustiça social no
mundo onde dois terços da população
estão mergulhados na fome”.
Dom Hélder iria fazer uma
palestra na Assembléia Legislativa
do Maranhão, no dia 25 de agosto
dde 1977, durante a solenidade oferecida
pelos deputados em comemoração
ao tricentenário da diocese
de São Luiz, mas, no dia 11
de agosto de 1977, a própria
Assembléia Legislativa cancelou
o convite a Dom Hélder. (veja
referência 496).
500 – “EXPLICAÇÕES
DFO PADRE ROMANO” Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 28 de agosto
de 1977.
O delegado regional do trabalho, no
Recife, acusou o padre Romano Zufferey
(ameaçado desde o dia 14 de
junho de 1977 de expulsão do
Brasil – veja referência
492) de perturbar a solução
do “Caso Moreno”, indústria
recentemente fechada em Pernambuco
e que deixou cenbtenas de desempregados.
501 – “JUIZ
NÃO ACEITA MARGINAL COMO ESPANCADOR
DE PADRES”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 16 de setembro
de 1977.
A nota diz que o juiz Francisco
Rodrigues dos Santos, da Terceira
Vara Criminal do Recife, rejeitou
ontem denúncia (oferecida pelo
promotor Fernando de Freitas Henriques)
responsabilizando o marginal conhecido
por “Chupa Dedo” pelas
sevícias praticadas contra
o padre Lawrence Rosebaugh e o missionário
Thomaz Capuano, ocorridas no dia 15
de maio de 1977 no interior do Presídio
da Delegacia de Roubos e Furtos. No
Recife. (veja referência 494).
502 – “GELO
QUEBRADO”. Jornal do Brasil,
Rio de Janeiro, 18 de setembro de
1977.
A notícia diz que a Assembléia
Legislativa de Pernambuco, após
cinco anos, deu o seu primeiro diploma
de cidadania honorária a um
sacerdote. Afirma, ainda, que a Assembléia
deixou de homenagiar sacerdotes por
ter criado um problema político
ao permitir que dom Hélder
fizesse ali um discurso em 1972. (veja
referência 463).
503 – “ASSUNTOS
MUNICIPAIS”. Diário da
Noite, Recife, 20 de setembro de 1977.
Notícia, veiculada na Seção
“Assuntos Municipais”,
afirma que “o major Paulo Lima,
da Emetur (Empresa Metropolitana de
Turismo-Recife) nos enviou revista
Fatos e Fotos inserindo na sua página
64 matéria sobre as confissões
dos russos sobre subversão
no Brasil”. E acrescenta anotícia:
“Nessa mesma página aparece
uma foto do padre Hélder com
a seguinte legenda: O sr. H.C. é
um dos mais eficientes operadores
da linha auxiliar do comunismo e da
expansão soviética no
Terceiro Mundo”,
504 – “AFINAL
QUEM ´O CULPADO?”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 23 de setembro de
1977. A nota transcreve trechos do
despacho do juiz da Terceira Vara
Criminal do recife, Francisco Rodrigues
dos Santos, onde ele alega que o inquérito
feito pela Secretaria de Segurnça
Pública de Pernambuco para
apurar maus tratos sofridos pelos
religiosos Lawrence Rosebaugh e Thomaz
Capuano, presos no Recife, “não
traduz a verdade”.
O inquérito alega que os
maus tratos sofridos pelos religiosos
na Delegacia de Roubos e Furtos do
Recife foram praticadas pelo preso
Severino Alves, conhecido por “Chupa
Dedo”, e, decorridos cinco dias
após o juiz da Terceira Vara
Criminal não aceitar essa versão
(veja referência 501), o promotor
Fernando de Freitas Henriques deu
por encerrado o processo.
A nota do Boletim Arquidiocesano
cita, como reais culpados pelos maus
tratos praticados contra os religiosos,
Valdomiro de Oliveira, Fernando Avelar,
Gerson lopes e o próprio delegado
de Roubos e Furtos João Acioly.
505 – “RETIFICANDO
DECLARAÇÕES”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 30 de setembro de
1977. Nota rebate “afirmações
falsas e injuriosas” feitas
pelo governador de Pernambuco, José
Francisco de Moura Cavalcanti, em
entrevista à imprensa, contra
o missionário Thomaz Michael
Capuano, da Arquidiocese de olinda
e Recife, que no dia 13 de julho de
1977 foi expulso do Brasil, após
ter sido preso no Recife, no dia 15
de maio de 1977. (veja referência
491).
As afirmações do governador
de Pernambuco foram publicadas pelo
Diário de Pernambuco no dia
28 de setembro de 1977.
506 – CÂMARA,
Hélder. “PRO QUE OS PAÍSES
EM VIAS DE DESENVOLVIMENTO ESTÃO
EM GERAL, SUBMETIDOS A DITADURAS?”.
In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, vol.
1975-80.
Publica íntegra da participaçãode
Dom Hélder nas Jornadas Internacionais
sobre “O futuro da Democracia”,
promovida pela Rário-Franc,
em Atenas, nos dia 5,6 e 7 de outubro
de 1977.
Traz também a íntegra
das duas outras intervenções
de Dom Hélder nas Jornadas,
sob os seguintes títulos: “Democracia
e Subdesenvolvimento: Existe uma ligação
entre bem-estar e liberdade?”
e “Democracia e Economia: O
agravamento do descompasse entre o
poder econômico multinacional
e o poder político nacional
não corre o risco de gerar
um totalitarismo?”.
507 – “SEMINÁRIO
DE ATENAS DEBATE OS PROBLEMAS TERCEIRO
MUNDO”. Jornal do Brasil, Rio
de Janeiro, 07 de outubro de 1977.
Matéria assinada por Areltte
Chabrol, enviada especial do Jornal
do Brasil, fala da participação
de Dom Hélder nas jornadas
internacionais sobre o futuro da democracia
(veja referência 506) e diz
que o arcebispo de Olinda e Recife
foi um dos mais aplaudidos por suas
declarações.
508 – “DOM
HÉLDER É CIDADÃO
DE PERNAMBUCO”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Recife 21 de outubro
de 1977.
Nota protestando contra publicação,
atraves da imprensa, de uma lista
de pessoas que não recebram
o título de cidadão
pernambucano, na qual está
incluído o nome de Dom Hélder.
A nota lembra que, em 1967, a Assembléia
Legislativa de Pernambuco “conferiu
ao Sr. Arcebispo, Dom Hélder
Câmara, o título de cidadão
de Pernambuco”, que foi entregue
no dia 25 de setembro de 1967. (veja
referência 126).
509 – “PROIBIÇÃO
DE MISSA DE DOM HÉLDER”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife 02 de dezembro de
1977. Chegou à Arquidiocese
de Olinda e Recife, embora não
confirmadas oficialmente, notícias
de que Dom Hélder seria proibido
de celebrar uma “missa do cadáver
desconhecido”, em uma das Unidades
da Universidade Federal de Pernambuco.
Veja também “Dom Helder
é proibido de celebrar a missa
do cadáver desconhecido”.Diário
de Pernambuco, Recife, 03 de dezembro
de 1977.
Obs: A missa do cadáver desconhecido
é uma promoção
dos concluintes de Medicina e tem
a finaliade de homenagiar os cadáveres
de pessoas desconhecidas que são
utilizados para pesquisas pelos estudantes
durante a realização
de seu curso.
510 – “DOM
HÉLDER ESPERA QUE FALA DE GEISEL
SIGNIFIQUE FIM DE PESADELO POLÍTICO
DE ABRIL”. Jornal do Brasil,
Rio de Janeiro, 03 de dezembro de
1977.
Dom Hélder disse esperar que
o discruso de final de ano do presidente
do Brasil, general Ernesto Geisel,
“signifique, de verdade, o fim
do pesadelo de abril”.
Obs: Em abril de 1977, o general
Ernesto Geisel decretou o fechamento
do Congrsso Nacional, porque os seus
membros não aprovaram a reforma
do judiciário. Foi aí
que o presidente do Brasil criou a
figura dos “senadores biônicos”,
ou seja, senadores nomeados por ele,
de forma que o partido do governo,
sempre que precise, nomeie senadores
para garantir maioria no Congresso.
511 – “DOM
HÉLDER PODE CELEBRAR MISSA
NA UNIVERSIDADE”. Jornal do
Commercio, Recife, 04 de dezembro
de 1977. Notícia desmente a
informação, veiculada
no Recife, de que Dom Hélder
estav poribido de celebrar uma “missa
do cadáver desconhecido”.
(veja referência 509).
512 – “CONFIRMADA
PALESTRA DE EVARISTO E HÉLDER
NA FACULDADE AMANHÔ.
Diário de Pernambuco, Recife,
04 de dezembro de 1977. O diretor
da Faculdade de Direito da Universidade
Federal de Pernambuco, professor Francisco
Rosa e Silva Sobrinho, autorizou,
através de ofício ao
Diretório Acadêmico,
a realização naquela
faculdade de palestra, no dia 05 de
dezembro de 1977, de Dom Hélder
e do cardeal arcebispo de São
Paulo, Dom paulo Evaristo Arns, sobre
direitos humanos.
No ofício, o professor Rosa
e Silva diz esperar a compreensão
do Diretório Acadêmico,
“com respeito a preocupação
(por parte da Faculdade de Direito)
no sentido de evitar que venha a referida
conferência servir de instrumento
de contestação ao governo
ou incentivo a qualquer movimento
de caráter subversivo”.
Obs: Esta preocupação
em torno da conferência de dom
Hélder deve-se ao fato de o
arcebispo não mais ter feito
qualquer pronunciamento em universidades
brasileiras desde que, em 1968, foi
proibido pelo governo de falar em
universidades.
513 – “DOM
HÉLDER CÂMARA FALA DE
SEGURANÇA NACIONAL E DIREITOS
HUMANSO NA UFPE”. Jornal do
Brasil, Rio de Janeiro, 06 de dezembro
de 1977. Notícia sobre conferência
proferida por Dom Héldersobre
direitos humanos, na Faculdade de
Direito da Universidade Federal de
Pernambuco (veja referência
512), depois de o arcebispo ter ficado
nove anos proibido pelo governo de
falar em universidades braseiras.
A palestra de Dom Hélder
foi gravada e “houve um discreto
policiamento”, sendo que viaturas
e soldados da Polícia Militar
de Pernambuco permaneceram durante
toda tarde nas proximidades do prédio
da Faculdade de Direito do Recife.
Afirma também que Dom Hélder,
ao perceber que suas palavras estavam
sendo gravadas, disse gostar muito
da idéia, ‘porque eu
sempre respondoi pelo que digo e não
pelo que dizem que eu digo”.
Veja também “Hélder
Cãmara agradece pela oportunidade
de poder falar português”.
Diário de Pernambuco, Recife,
06 de dezembro de 1977.
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