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A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

1972

449 – “PROIBIDA ENTRADA DE Pe COMBLIN NO BRASIL”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1972-1.
Notícia diz que o padre belga Josep Comblin, coordenador dos Estudos Teológicos do Instituto de Teologia do Recife, ao regressar da Europa dia 24 de março de 1972, foi impedido de desembarcar no Recife, tendo sido levado ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, onde foi interrogado, e em seguida, foi mandado de volta à Europa no mesmo avião em que chegara.

A notícia diz também que nem o Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, Dom Ivo Lorscheiter, pôde avistar-se com o sacerdote e que, segundo informações dadas da Bélgica à tarde pelo padre Comblin, havia uma “ordem” ou “decreto” do governo brasileiro proibindo o seu desembarque em qualquer parte do país.

Obs: O padre Joseph Comblin é autor do documento “Estudos do Instituto Teológicos do Recife” (veja referência 187).

450 – CÂMARA, Hélder e Soares, José Lamartine. “CARTA AOS CARÍSSIMOS IRMÃOS NO EPISCOPADO”. In Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1971-74.

Em carta datada de 28 de março de 1972, os religiosos condenam o que ocorreu com o padre Joseph Comblin, do Instituto de Teologia do Recife, no dia 24 de março de 1972. (veja referência 449).

A carta afirma que o padre Comblin foi submetido a interrogatório enquanto permaneceu no aeroporto do Galeão; afirma que nem a imprensa nem membros da Igreja puderam, visitá-lo; diz que o caso não foi divulgado pela imprensa brasileira; e que, a alegação, por parte das autoridades brasileiras para impedir a entrada do padre Comblin no Brasil, embora não comunicada oficialmente, teria sido o fato de o religioso ter participado de um curso de pastoral na cidade Crateús.

Dia a carta “(...) o que antes de tudo choca é a falta de clareza, de atitudes definidas, sabendo-se quem as toma e autorizado por quem. (...) O episódio Comblin é um capítulo do que vem acontecendo em todo o país com a igreja, na medida em que ela se recusa a continuar servindo de suporte a estruturas de opressão e compromete-se de modo pacífico, mas válido, com o povo e sua libertação (...)”.

451 – “PRISÃO DE MILITANTES DA AÇÃO CATÓLICA” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1972-1. Nota sobre a prisão, efetuada em maio de 1972, dos seguintes militantes da Ação Católica Operária-ACO, no Recife: José Rodrigues, João Francisco da Silva, Angelina de Oliveira e Damião calixto.

A nota diz que as prisões “predem-se a investigações policiais por acusações de atuação política”; afirma que as prisões foram feitas sem identificação dos policiais, ficando-se sem saber se se trata de prisão pela autoridade ou seqüestro; e afirma que os prisioneiros permanecem em local ignorado.

Informa também a nota que Dom Hélder comunicou o fato à Santa Sé, à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB e ao Episcopado; e diz que, por conta dessas prisões, Dom Hélder teve de cancelar uma viagem que faria ao Chile. A nota informa ainda, que os membros da ACO passaram alguns dias detidos e já foram liberados.

452 – “OEA E A VIOLÊNCIA NO BRASIL” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1972-1. O boletim transcreve notícia publicada pelo Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, em 06 de junho de 1972, segundo a qual “fontes da Organização dos Estados Americanos-OEA” afirmam ser verdadeiro um documento sobre “sérios casos de tortura, abusos e maltratos de presos políticos np Brasil” publicado pelo jornal The Washington Post, através do jornalista Dam Griffin.

A notícia diz que o The Washington Post afirmou que a Comissão de Direitos Humanos da OEA recebe, desde princípios de 1971, documentação sobre casos de torturas que lhe é enviada por “vários grupos religiosos, entre eles o Conselho Nacional de Igrejas e a Conferência Católica Norte-Americana”; que, em outubro de 1970, a Comissão enviou ao governo brasileiro informações sobre denúncias de torturas a presos políticos e solicitou permissão para enviar um observador que verificasse as acusações; e informou também que a resposta do governo brasileiro não ‘satisfez a Comissão”.

O Boletim Arquidiocesano, após repudiar a notícia do Jornal do Brasil, comenta que esta é “uma nova oportunidade para esclarecimento do assunto” pede “investigações sérias e independentes, permitindo que a verdade fique a salvo e sejam dadas as explicações que cabem em casos como este”.

453 – CÂMARA, Hélder. “AGRAVAMENTO DAS ESTRUTURAS DE OPRESSÃO”. In Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1971-74.
Publica íntegra de palestra proferida dia 23 de junho de 1972, em Freiburg, Alemanha, através da qual Dom Hélder afirma que as empresas multinacionais agravam “terrivelmente as estruturas de opressão que pesam sobre mais de 2/3 da humanidade”; reclama da falta de liberdade de imprensa tanto “nas ditaduras de direita quanto nas de esquerda”; diz que a liberdade religiosa nos países capitalistas só existe quando a Igreja “defende a situação existente”; e pergunta: “Por que os homens, que amamos a justiça e sabemos que, sem ela, não haverá paz autêntica e duradoura, não nos levantamos contra todas as opressões, contra todas as escravidões venham de onde vier, do Leste ou do Ocidente, do Comunismo ou do capitalismo?”

454 – “O MEA CULPA DE DOM HÉLDER” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1972-1. O boletim contesta editorial publicado dia 24 de junho de 1972, pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro, com o título acima, e segundo o qual somente agora Dom Hélder resolveu alterar “os termos de sua pregação político-ideológica no exterior, incluindo a Rússia e a China comunista entre os países que lhe merecem a censura”.

O boletim explica que “há muito tempo (Dom Hélder) vem denunciando o caráter nefasto dos imperialismos dominantes no mundo, incluindo os que são exercidos pelos países socialistas”, e diz que afirmações como esta do jornal O Globo são decorrentes do “mal da ignorância do pensamento de Dom Hélder”.

O boletim explica, também, que Dom Hélder só denunciou uma vez, no esterior, a prática de torturas contra presos políticos do Brasil, (veja referência 366), e lembra que “há uma atribuição a Dom Hélder sobre as denúncias feitas no exterior, como se todas elas partissem”.

O editorial do Jornal O Globo refere-se a pronunciamentos feitos por Dom Hélder, em sua recente viagem a países europeus. (veja referência 453).

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