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A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

1970

341 – “HÉLDER CÂMARA: EL BISPO ROJO”. Confirmado, Buenos Aires, 06 de fevereiro de 1970.
Revista publica primeira parte de entrevista de Dom Hélder ao repórter Carlos A. Mutto, realizada no Recife. O arcebispo fala, entre outras coisas, sobre suas posições políticas e sobre o relacionamento entre a Igreja Católica e o Governo brasileiro.

342 – “HÉLDER CÂMRA: EL BISPO ROJO”. Confirmado, Buenos Aires, 11 de fevereiro de 1970.
Segunda parte de entrevista de Dom Hélder ao repórter Carlos Mutto (veja referência 341).

343 – “O BISPO QUE COME DEDOS”. In. O Estado de São Paulo, São Paulo, 12 de fevereiro de 1970.
Em artigo na “Seção Livre”, o sr. Salomão Jorge diz que Dom Hélder “não obedece, com humildade, ao Papa” e tudo o que ele faz é buscando “o elogio das turbas, o seu nome nas manchetes de jornais”.

344 – “OS DOIS PESOS E AS DUAS MEDIDAS DE D. HÉLDER”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 21 de fevereiro de 1970. Em editorial, o jornal critica Dom Hélder porque ele nada declarou, de público, sobre um movimento de paroquianos do bairro de Boa Viagem, no Recife, contra a nomeação do novo pároco da localidade – um padre considerado progressista. Os paroquianos alegaram que “é preciso extirpar o farisaísmo e o ingresso de bandeiras vermelhas ou rosadas em nossos templos sagrados”.

Segundo o jornal, Dom Hélder deveria ter assumido (nesse caso do Recife) a mesma posição que tomou quando, há pouco tempo, os padres de Botucatu contestaram a nomeação de seu novo bispo, por ele ser conservador, e o arcebispo de Olinda e Recife declarou à imprensa: “a rebeldia dos padres é uma declaração de que os padres e leigos desejam ser ouvidos pela Igreja antes que qualquer superior seja nomeado”.

345 – “SUCESSOR DE MARTINHO LUTERO KINK”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-1.
Texto datado de 05/03/1970, assinado por Dom Hélder e pelo pastor batista Ralph David Abernathy, sucessor de Luter Kink. Os religiosos dizem, entre outras coisas: “Nós cremos que a parte consciente da humanidade tem o direito e o dever de organizar o protesto não-violento contra as estruturas políticas, econômicas e sociais que mantém uma grande maioria dos homens na miséria e sob ameaça de guerra”.

346 – “A SEMANA SANTA”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-1.
Nota contesta editorial do Diário de Pernambuco, edição de 31/03/1970, criticando modificações num ritual da Arquidiocese de Olinda e Recife, celebrado durante a Semana Santa.

347 – OLIVEIRA, Plínio Corrêa de. “D. HÉLDER CRIA PROBLEMAS – COMUNISTAS APLAUDEM”. In. Jornal do Commercio, Recife, 03 de abril de 1970.
Artigo criticando Dom Hélder e afirmando que “a implantação de um socialismo católico será atentatório a dois mandamentos da Lei de Deus: não roubarás e não cobiçarás os bens do próximo”.

348 – “LIÇÕES PERIGOSAS”. Veja, São Paulo, 15 de abril de 1970.
Reportagem sobre polêmica em torno do livro didático de religião “Rumo à Terra Prometida”, editado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

349 – “ALACRON DIZ QUE A IGREJA ESTÁ SENDO TRAÍDA PELOS CATÓLICOS”. O Estado de Minas, Belo Horizonte, 20 de maio de 1970.
Líder da Igreja Brasileira em Minas Gerais, o padre Alacron afirma que alguns sacerdotes estão traindo e Igreja e diz que Dom Hélder é demagogo.

350 – “HÉLDER VOLTA ÀS ACUSAÇÕES”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 24 de maio de 1970.
Nota sobre declarações de Dom Hélder a uma emissora de televisão da França de que ele pretende falar de injustiças e tortura no Brasil.

351 – “O CASO GARAUDY E O ARCEBISPO”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 24 de maio de 1970.
Em editorial publicado na seção “Notas e Informações”, o jornal comenta a expulsão de um membro do Partido Comunista Francês, Roger Garaudy, e critica Dom Hélder que não é citado pelo nome e, sim, por “um arcebispo brasileiro”.

352 - CÂMARA, Hélder. “JOANA, SERÁ QUE COMPREENDES E AMAS A NÃO-VIOLÊNCIA?”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1969-70.
Texto de conferência proferida a 25/05/1970, em Orleans, França. Dom Hélder convida os jovens para “uma luta pacífica contra as injustiças, ponto de partida de todas as violências” e afirma que “a violência dos pacíficos levanta ódio da extrema-direita e da extrema-esquerda”.
Afirma ainda o arcebispo: “Se os governos desejam combater a violência, em lugar de responder à explosão dos oprimidos por violências ainda mais fortes, é preciso que se decidam, de uma vez por todas, a enfrentar o esmagamento dos oprimidos.”

353 – “D. HÉLDER REITERA CRÍTICAS AO GOVERNO”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 26 de maio de 1970.
Jornal critica conferência de Dom Hélder na França (veja referência 352).

354 – “ARCEBISPO FALA SEM MEDIR CONSEQÜÊNCIAS”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 26 de maio de 1970.
Jornal informa que Dom Hélder irá proferir palestra, hoje, em Paris, denunciando a prática de torturas no Brasil.

355 - CÂMARA, Hélder. “RESPONSABILIDADE DA FRANÇA EM FACE DA REVOLUÇÃO”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1969-70.
Íntegra de palestra que seria proferida no Palácio dos Esportes, Paris, dia 26/05/1970, através da qual Dom Hélder iria perguntar a quantas andava, na França, a trilogia: liberdade, igualdade e fraternidade.

Obs.: Dom Hélder acabou deixando de lado esse texto (preparado com antecedência) e acabou falando de improviso, ocasião em que denunciou, pela primeira vez no exterior, a tortura contra presos políticos no Brasil. A esse discurso, ele deu o título “Quaisquer que sejam as conseqüências” (veja referência 366).

Como explicaria posteriormente, Dom Hélder optou por denunciar as torturas praticadas pelo militares no Brasil porque, antes de iniciar a leitura da palestra que havia preparado, um grupo de franceses amigos seus disse: “Se você não tiver a coragem de dizer que há torturas no Brasil, você perde a força moral de denunciar os nossos erros. – Então, eu disse: farei, quaisquer que sejam as conseqüências” (Jornal da Cidade, Recife, nº 238, 1981).

356 – “D. HÉLDER REITERA DENÚNCIAS”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 27 de maio de 1970.
Notícia sobre conferência de Dom Hélder, em Paris, denunciando a prática de torturas no Brasil (veja referência 355).

357 – “D.H. AFIRMA EM PARIS QUE TODAS AS VIOLÊNCIAS TÊM ORIGEM NA INJUSTIÇA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 de maio de 1969.
Em entrevista à Rádio France-Inter, em Paris, Dom Hélder denunciou a prática de torturas a presos políticos brasileiros.

358 – “MISSA POR OCASIÃO DO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO TRUCIDAMENTO DO PADRE ANTÔNIO HENRIQUE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-1.
Textos da missa de 1º aniversário do assassinato do padre Henrique (veja referência 319) e declaração de Dom Hélder cobrando esclarecimento do crime.

359 – “ANIVERSÁRIO DA MORTE DO PADRE ANTÔNIO HENRIQUE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-1.
Declarações de Dom Hélder, enviadas à imprensa, apontando falhas na condução do processo que apura o assassinato do padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto (veja referência 319).

360 – “EM PLENA CAMPANHA”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 28 de maio de 1970. Em editorial na seção “Notas e Informações”, o jornal condena entrevista de Dom Hélder, em Bruxelas, através da qual o arcebispo disse que o Brasil tem uma longa tradição imperialista.

O jornal diz que não fica bem em Dom Hélder “é que s. exa. Revma.enxovalhe no estrangeiro a imagem da pátria, a sua história, as suas tradições, o seu presente tão limpo como o seu passado e como o há de ser com certeza o seu futuro”.

Diz também: “A atitude antipática de Dom Hélder tem explicações no fato de o arcebispo se achar em plena campanha eleitoral para conseguir o Prêmio Nobel da Paz, esse crachat mundano”.

361 – “DOCUMENTO REVELA QUEM É O ARCEBISPO DE OLINDA”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 28 de maio de 1970. Na seção “A Pedido”, o jornal publica íntegra de texto de autoria atribuída ao monsenhor Álvaro Negromonte, do Rio de Janeiro, “autor de diversas obras de moral e civismo”, com várias acusações a Dom Hélder.

Segundo o jornal, o texto do monsenhor Negromonte foi “encontrado entre os pertences desse sacerdote após sua morte” e sua divulgação “decorre dos ataques candentes que D. Hélder tem feito ao Governo brasileiro em conferência que está pronunciando no exterior”.

(Obs.: Dois dias antes da publicação deste documento, Dom Hélder proferiu conferência, em Paris, denunciando pela primeira vez no exterior a tortura contra presos políticos brasileiros – veja referência 355).

Entre outras coisas, o texto atribuído ao monsenhor Negromonte acusa Dom Hélder de “mau caráter”, “demagogo”, “falsificador de documentos” e diz que o arcebispo “nunca prestou conta de enormes verbas públicas” e “foge dos que têm responsabilidade”.

Embora afirme, num trecho, que Dom Hélder “tem enorme capacidade de trabalho – nesta chega a ser espantoso”, mais adiante o texto comenta: “os seus planos notáveis redundam em fracasso, porque é desorganizado, sem perseverança nas obras iniciadas”.

Este mesmo texto seria publicado, a 10 de junho de 1970, pelo jornal Correio do Povo, de Porto Alegre.

362 – “CORRIERE DEFENDE D. HÉLDER”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 29 de maio de 1970.
Correspondente em Paris do Corriere Della Serra defendeu Dom Hélder das críticas depois da palestra através da qual o arcebispo denunciou a tortura a presos políticos no Brasil (veja referência 355).

363 – “A IRMÃ DA ROSA BRANCA”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 31 de maio de 1970. Artigo publicado na “Seção Livre”, de autoria de Salomão Jorge, faz várias acusações a Dom Hélder, a quem chama de “o arcebispo voador”, e a outros bispos nordestinos. Diz, por exemplo, que “os bispos agiotas do Nordeste emprestaram a 10% ao mês a um aventureiro um bilhão de cruzeiros antigos”.

Diz, também, que Dom Hélder “exalta os hippies, difama sua pátria” e “deu no Palácio dos Manguinhos uma festa de arromba à juventude pra frente, com vitrolas hi-fi, iê-iê-iê, guitarras eletrônicas, uísque, uma loura gordinha com voz de Nara Leão e alguém cantando Dora, rainha do frevo e do maracatu (...)”.

364 – “PAPA DE HOSPÍCIO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 02 de junho de 1970.
Editorial publicado na seção “Informe” comenta palestra de Dom Hélder em Paris, denunciando tortura contra presos políticos brasileiros (veja referência 355).
O editorial critica Gustavo Corção que “cega ao condenar posições de Dom Hélder”, pois nem lhe reconhece a condição de padre preferindo chamar o arcebispo de “sr. Hélder”.

365 – FREYRE, Gilberto. “QUE É QUE HÁ CONTRA APIPUCOS?”. In. Diário de Pernambuco, Recife, 14 de junho de 1970.
Em artigo queixando-se contra os índices de assaltos no bairro de Apipucos, Recife, onde mora, o sociólogo Gilberto Freyre afirma: antes o lugar era tranqüilo até que Dom Hélder “não tardou a tomar a infeliz iniciativa” de confiar a paróquia da localidade “não a um padre, mas a um estrangeiro fantasiado de padre”. Freyre acrescenta: “Estrangeiro que se requintou em provocar ódios entre a população do velho e brasileiríssimo subúrbio”.

366 – “DOM HÉLDER CÃMARA INTERPELLE L’OCCIDENT”. Informations Catholiques, Paris, 16 de junho de 1970, nº 362, pgs. 22-29. A revista publica trechos de conferência de Dom Hélder, proferida a 26/05/1970, no Palácio dos Esportes, Paris, sob o título “Quaisquer que sejam as conseqüências”, através da qual o arcebispo denunciou, pelo primeira vez no exterior, a prática de torturas contra presos políticos brasileiros (veja também referência 355).

Traz, também, algumas respostas de Dom Hélder a perguntas formuladas pela platéia logo após o final da conferência. Faz, ainda, referência a uma carta enviada por Dom Hélder ao governador de Pernambuco, Nilo Coelho, datada de 25/08/1969, denunciando torturas contra presos políticos no Recife.

367 – CÂMARA, Hélder. “COMENTÁRIOS DO PRÓPRIO DOM HÉLDER À SUA CONFERÊNCIA DE PARIS”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1969-70.
Texto de Dom Hélder comentando críticas da imprensa brasileira à sua palestra, em Paris, denunciando torturas no Brasil (veja referência 366).

368 – “FORNECEDOR CONDENA SEQÜESTRO SOLIDARIZANDO-SE COM GOVERNO”. Diário de Pernambuco, Recife, 17 de junho de 1970.
Francisco Falcão, fornecedor de cana pernambucano, solidariza-se com o governo brasileiro em face do seqüestro do embaixador alemão Von Holleben e afirma que o jornalista Marco Aurélio de Alcântra citou Dom Hélder como um possível envolvido no caso.

369 – “L’EXPRESS VA PLUS LOIN AVEC DOM HÉLDER CÂMARA”. L’Express, Paris, 21 de junho de 1970, pgs. 66-73. A revista publica longa entrevista com Dom Hélder que fala de coisas que vão, desde a infância, até as posições políticas que ele defende hoje e as que já defendeu no passado.

Dom Hélder fala sobre violência, pobreza, transformações sociais e diz não crer na guerrilha urbana. Defende transformações sociais sem o uso da força, mas diz respeitar “todos aqueles que, de consciência, escolhem a violência ativa: Che Guevara ou os jovens que fazem a mesma opção entre nós”.

370 – “IMPRENSA E VERDADE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, 23 de junho de 1970. Em nota, o Boletim afirma que “alguns jornalistas primam em fazer pronunciamentos apressados, isolando-se textos (de palestras de Dom Hélder) ou fazendo referências a afirmações deturpadas”.

A nota refere-se às críticas de jornalistas brasileiros a Dom Hélder, por conta da palestra “Quaisquer que sejam as conseqüências” (veja referência 366) e cita como acusadores do arcebispo as seguintes pessoas: Valdemar de Oliveira, Orlando Morais, Theophilo de Andrade e Gustavo Corção.

A nota diz, ainda, que outras entidades ou pessoas que já denunciaram as torturas do governo brasileiro não são criticadas, fato que só acontece com Dom Hélder.

371 – “LAMENTO TER APOIADO D. HÉLDER”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 23 de junho de 1970. Padre Eugênio Giordani, de Caxias do Sul, diz que Dom Hélder “continua a denegrir nossa pátria no estrangeiro” e lamenta já ter apoiado o arcebispo.

372 – KALFLECHE, Jean-Marc. “O BRASIL DE UM A NOVE”. In. O Estado de São Paulo, São Paulo, 28 de junho de 1970. Em artigo condenando palestra de Dom Hélder em Paris (veja referência 366), Kalfleche elogia o governo militar do Brasil e diz que Dom Hélder procura um socialismo no qual nem ele mesmo acredita.

373 – “D. HÉLDER E A COPA DO MUNDO”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 de junho de 1970. Artigo assinado por Salomão Jorge, publicado na “Seção Livre”, fala da conquista da 9ª Copa do Mundo, por parte da seleção brasileira de futebol, comparando essa conquista com os pronunciamentos de Dom Hélder no exterior, e rotulando o arcebispo, entre outras coisas, de “megalômano”, “esquerdista”, “difamador da sua própria pátria”.

Em determinado trecho, diz o artigo: “Se o Brasil fosse o que o aloucado padre esquerdista descreve, nunca estaria em condições de apresentar os atletas invencíveis, cuja energia combativa se identifica com a energia nacional a que realizou a unidade desse colosso e marcha, passos largos, para o futuro”.

374 – NASSER, David. “CARA DE SANTO”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 de julho de 1970. Artigo condenando entrevista de Dom Hélder à revista L’Express (veja referência 369). Nasser afirma que duas pessoas nunca acreditaram em D. Hélder Câmara: “Carlos Lacerda e eu”. Afirma que a entrevista do arcebispo faz parte de “sua romaria contra o Brasil”; diz que a “peregrinação internacional de Dom Hélder é subvencionada não se sabe por quem” e que o arcebispo “tem cara de santo, embora de santo não tem nada”.

375 – “DOM HÉLDER RETIFICA O PRÓPRIO PERFIL”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 30 de julho de 1970. Carta de Dom Hélder, datada de 13/07/1970, na qual o arcebispo reclama de distorções em seu pensamento, ocorridas em tradução que o jornal fez de uma entrevista dele à revista L’Express (veja referência 369). Ao lado da carta do arcebispo, é publicada também uma nota do jornal, afirmando que as retificações de Dom Hélder “nada retificam”.

376 - NASSER, David. “QUEM FINANCIA DOM HÉLDER?”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 de julho de 1970. Em artigo, Nasser indaga quem financia as viagens de Dom Hélder ao exterior. Lembra que, na década de 1930, Dom Hélder defendia o Integralismo (versão brasileira do fascismo) e afirma:

“(...) Com que direito esse padre cujas origens vocacionais se mergulham nas raízes de tantas desgraças – comprometido nos massacres de judeus, na morte de milhões, inclusive de brasileiros – vem agora se erigir em missionário dos perseguidos, em advogado dos guerrilheiros, em juiz de seu próprio povo?”

377 – “D. HÉLDER E A TV TUPI”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota esclarece notícia veiculada pelo Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27/07/1970, segundo a qual o ministro da educação do Brasil, coronel Jarbas Passarinho, afirmou que Dom Hélder recusara participar de debate, entre ambos, sobre a realidade brsileira, a ser transmitido pela TV Tupi em agosto de 1968.

A nota explica que, realmente, Dom Hélder recebera um telefonema convidando-o para o debate. Solicitou que o convite fosse formulado por escrito e exigiu algumas condições, como por exemplo, que o debate fosse transmitido ao vivo. Mas, a emissora nunca enviou o convite.

378 – SIGAUD, Geraldo de Proença. Carta ao bispo de Münster, Alemanha, monsenhor Heinrich Tenhumberg, 11 de agosto de 1970. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1969-70.

Na carta, o arcebispo de Diamantina pede licença para “referir-me à pessoa e ao trabalho de Dom Hélder Câmara”, depois que tomou conhecimento que o monsenhor Tenhumberg (que é presidente do Círculo de Trabalho pelo Desenvolvimento e Paz) propôs a candidatura do arcebispo de Olinda e Recife ao Prêmio Nobel da Paz 1970.
Dom Sigaud diz, na sua carta, que, caso a candidatura de Dom Hélder seja mantida, ele tem “certeza do desprestígio que surgirá para o episcopado alemão, quando o mundo souber a verdade sobre Dom Hélder”.

Segundo Dom Sigaud, Dom Hélder “consente e promove as guerrilhas, a guerra revolucionária, a revolução do povo e o caos, para que o comunismo possa conquistar a América Latina”.

379 – NASSER, David. “PERGUNTA SEM RESPOSTA”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 de agosto de 1970. Artigo transcreve uma série de perguntas sobre “o comunismo internacional que vem tomando vulto no Brasil”, formuladas ao articulista por um estudante de Minas Gerais. No final, afirma: “Estas perguntas naturalmente ficarão sem respostas. Liberdade para os comunistas, meu filho, é como a fé para certos padres, para uso externo”.

380 – “A PROPÓSITO DE UM PROGRAMA DE TELEVISÃO”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota do bispo-auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom José Lamartine Soares, com o objetivo de esclarecer notícia veiculada, inicialmente, em um programa apresentado na televisão brasileira por Amaral Neto, segundo a qual Dom Hélder havia fornecido a revistas internacionais uma foto de um soldado do Exército do Brasil em treinamento, e que tal foto teria sido publicada como prova de tortura a presos políticos brasileiros.

Essa versão distorcida dos fatos fora publicada, em seguida, pelo jornal carioca O Globo, 25/08/1970, pgs. 1 e 9, além de o jornal O Dia. A foto mostra um homem amarrado numa cruz, sendo que na veiculação inicial (que seria reprodução do programa de TV) aparece também Dom Hélder apontando para o homem que estaria sendo torturado.

O Boletim Arquidiocesano publica, também, esclarecimentos das revistas Stern, da Alemanha, e Domenica Del Corriere, da Itália. Estas revistas confirmam que publicaram a foto do soldado do Exército brasileiro em treinamento, mas em momento algum procuraram apresenta-la como sendo prova da existência de torturas a presos políticos no Brasil.

Diz o Boletim Arquidiocesano: “O vice-diretor da revista Domenica Del Corriere disse que as legendas publicadas em seu órgão eram verdadeiras e identificavam o exercício militar. Afirmou que ‘então acrescentamos nosso comentário e expressamos a opinião de que talvez os militares treinados para submeterem-se a torturas eram induzidos a usá-las contra seus adversários’.”

381 – “A REVISTA STERN E AS TORTURAS”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota publica esclarecimentos, enviados por Egon Vacek, editor internacional da revista alemã Stern, ao Jornal do Brasil que, a 23/08/1970, publicou matéria ilustrada com fotografias de treinamento do Exército brasileiro e que, segundo o jornal, estas mesmas fotos teriam sido publicadas pela revista, como sendo provas de torturas a presos polpíticos no Brasil – outros jornais brasileiros disseram que a distribuição das fotos no exterior fora feita por Dom Hélder.

O editor da Stern escreveu ao Jornal do Brasil: “(...) O Jornal do Brasil poderá verificar que, na revista Stern nº 4 de 1970, a legenda é a seguinte: O homem no crucifixo é uma pára-quedista brasileiro. As torturas devem torná-lo resistente. O que é treinamento para o Exército torna-se pura realidade nas prisões policiais” (...). E acrescenta o editor: “Referindo-se às torturas dos prisioneiros no Brasil, existem volumosas documentações, que certamente são do vosso conhecimento e das quais não se pode duvidar. Esperamos que uma retificação venha a ser publicada no JB”.

382 – “VERDADES E FATOS”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota sobre telegrama do bispo de Goiana, Pernambuco, solidarizando-se com Dom Hélder em face de notícias divulgadas recentemente pela imprensa brasileira, segundo as quais o arcebispo de Olinda e Recife teria fornecido a revistas de vários países uma montagem fotográfica de treinamento do Exército do Brasil como se fosse prova de torturas (veja referência 380).

383 – NASSER, David. “TORTURAS”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1970. Artigo protestando contra o uso, por parte de revistas estrangeiras, de fotografias de militares brasileiros em treinamento, retiradas de uma reportagem do Jornal do Brasil e que, segundo Nasser, foram republicadas como sendo ilustrações de torturas contra presos políticos brasileiros. As fotos mostram um soldado amarado numa cruz e outro dentro de uma gaiola suspensa.

384 – CÂMARA, Hélder. “DECLARAÇÃO PESSOAL DE DOM HÉLDER CÂMARA”. Separata do Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Em nota datada de 28/08/1970, Dom Hélder esclarece a “calúnia grosseira assacada contra mim” e pede direito de defesa por conta dos seguintes fatos:
Dia 24/08/1970, a cadeia nacional de televisão da Rede Globo, do Rio de Janeiro, difundiu para todo o Brasil um vídeo-tape em que o repórter Amaral Neto conversa com um oficial do Exército que diz ter sido torturado como exercício de operação antiguerrilha.

Em seguida, Amaral Neto afirma que revistas estrangeiras divulgaram fotografia do oficial supostamente torturado (ou seja, em treinamento militar) como se essa foto fosse prova de que há torturas no Brasil e diz, também, que Dom Hélder fizera a mesma denúncia.

Para tentar provar que Dom Hélder esteve envolvido no episódio de “distorção” das fotografias, Amaral Neto apresenta uma “montagem fotográfica” em que o arcebispo aparece paramentado para a missa apontando na direção do oficial do Exército em treinamento – a foto mostrava o militar amarrado numa cruz de madeira.

385 – “PRÊMIO NOBEL”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Transcreve trecho de nota do jornal O Estado de São Paulo, edição de 29/08/1970, afirmando que a organização católica Paz Romana indicou, em Hong Kong, Dom Hélder para o Prêmio Nobel da Paz 1970.

386 – TENHUMBERG, Heinrich. “CARTA”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1969-70. Carta do bispo de Münster, Alemanha, monsenhor Heinrich Tenhumberg, em resposta a Dom Geraldo Sigaud, arcebispo de Diamantina, que lhe escreveu acusando Dom Hélder de “comunista” (veja referência 378).

O bispo de Münster afirma não poder “tomar uma posição a acusações referentes a uma pessoa, por não conhecer satisfatoriamente Dom Hélder Câmara”. Acrescenta que “estive com ele, mas tive a impressão de que se trata de uma personalidade muito idealista e profundamente sincera”.

Tenhumberg diz, ainda, que os membros do Círculo de Trabalho pelo Desenvolvimento e Paz (do qual é presidente e que indicou Dom Hélder ao Prêmio Nobel da Paz) vêem “no arcebispo Hélder Câmara uma personalidade cuja condecoração consideram como uma animação e homenagem de todas aquelas forças que na América Latina lutam para um meio-termo entre uma revolução violenta e uma reação igualmente violenta”.

O bispo de Münster sugere que Dom Sigaud procure a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para avaliar as acusações que ele (Sigaud) fez contra Dom Hélder.

387 - NASSER, David. “IGREJA DO DIABO”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 de setembro de 1970. Artigo afirmando que Dom Hélder e outros religiosos, além da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “foram cuspidos do Reino dos Céus e caíram na fornalha, onde só se escuta o ranger de dentes do Anticristo”.
Isto porque, segundo o articulista, “eles querem destruir a liberdade, a imprensa, a televisão e o rádio para implantar o comunismo, que é um ruidoso fracasso administrativo no mundo”.

Obs.: Esse artigo foi lido, no dia anterior a sua publicação, numa emissora da TV Tupi, São Paulo.

388 - NASSER, David. “TRAIDORES DE BATINA”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 de setembro de 1970. Em artigo, Nasser condena “as aventuras políticas, marcadamente demagógicas e temporais de Dom Hélder Câmara”. Afirma que Dom Hélder “faz campanha suja contra o Brasil” através de “elogios em favor do Partido Comunista do Brasil, partido que rotula de verdade evangélica”.

389 - NASSER, David. “REPULSO”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 de setembro de 1970. O artigo conta a prisão (a 08/05/1970) e, em seguida, o assassinato (10/05/1970) do tenente Alberto Mendes Júnior, da Polícia Militar de São Paulo (“que lutava para eliminar um foco de guerrilhas”) e diz que o crime foi cometido “pelos companheiros sem batina do arcebispo de Olinda”.

390 - NASSER, David. “MISSA NEGADA”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 de setembro de 1970. Artigo condenando atitude de Dom Hélder que recusou celebrar uma missa solicitada pelo comandante do IV Exército, no Recife, em comemoração ao aniversário do golpe militar que derrubou, a 31/03/1964, João Goulart da presidência do Brasil.

Nasser chama Dom Hélder de “garanhão da desordem social”, “príncipe da Igreja cubana” e afirma que o arcebispo “nega-se a oficiar para a Revolução, mas não se nega a elogiar, efusivamente, o comunismo internacional”.

Obs.: Esse artigo também foi lido através de cadeia nacional de televisão, comandada pela TV Tupi do Rio de Janeiro. Posteriormente, Dom Hélder explicaria que recusou celebrar a missa porque os militares impuseram a condição de ele não pronunciar o sermão.

391 - NASSER, David. “A VERDADEIRA IGREJA”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 de setembro de 1970. Artigo reproduz carta enviada a David Nasser (sem assinatura) por “um padre de paróquia pobre”, através da qual o seu autor se coloca “contra a Igreja embarcada no comunismo ateu e guerrilheiro”, Igreja esta que “não é a verdadeira Igreja de Cristo” e, sim, “essa camorra desalmada que Dom Hélder lidera”.

392 – ANDRADE, Theophilo de. “ONDE ESTÁ A INFÂMIA?” In. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1970. Artigo condenando uma nota de Dom Hélder através da qual o arcebispo pediu direito de defesa a acusações que lhe foram feitas por Amaral Neto, em um programa da Tv Globo, Rio de Janeiro, a 24 de agosto 1970 (veja referência 384).

No artigo, Theophilo afirma que Dom Hélder “faz propaganda da violência, do terrorismo e da subversão do regime” e diz que o arcebispo não tem direito a resposta porque a lei não lhe faculta e porque “a televisão foi subtraída ao arcebispo porque, no estrangeiro, difamou a sua terra, difundindo calúnias por toda parte”.
Diz o articulista que “não há torturas no Brasil”.

393 – NASSER, David. “ESTA É A NOSSA IGREJA”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1970. Artigo diz que D. Hélder, “o arcebispo vermelho”, quando se condena a sua politicagem desenfreada, marxista, antibrasileira”, “ele tenta confundir os incautos, fazendo crer que é a Igreja Católica a vítima das críticas impiedosas”.
O artigo cita o cardeal da Bahia e arcebispo primaz do Brasil, D. Eugênio Sales (“um cardeal da verdadeira Igreja de Cristo”), que teria dito recentemente, entre outras coisas, que “é uma traição ao Evangelho tentar divulga-lo como uma luta de classes e de ódio entre os homens”.

394 – “CÂMARA, Helder. “RESPOSTA DE DOM HÉLDER CÂMARA”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol.1979-70.
Em carta datada de 29 de setembro de 1970 e dirigida aos “srs. Cardeais, srs. Bispos, padres, leigos e homens de boa vontade da Alemanha”, D. Hélder responde acusações que lhe foram feitas pelo arcebispo de Diamantina, D. Geraldo de Proença Sigaud.

395 – CÂMARA, Hélder. “QUEM ME FINANCIA AS VIAGENS”. In. Separata do Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, Setembro 1970. Texto em resposta a uma acusação da “Campanha Nacional de Difamação empreendida contra mim”, promovida principalmente pelos jornais O Globo e O Jornal (veja referência 376) e as cadeias de televisão Globo e Emissoras Associadas.

Dom responde as acusações de que suas viagens ao exterior são financiadas “por entidades comunistas”: “Ora se diz que viajo a custa dos assaltos a bancos, ora que é Fidel Castro quem me leva, ora que se trata das esquerdas francesas”.

No texto, Dom Hélder fornece os endereços de quem lhe financiou as viagens que realizou em 1970, “para quem quiser testar, escrever pedindo confirmação”.

396 – “HUMANISMO CRISTÃO DOS NOSSOS DIAS”. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 06 de outubro de 1970. Revista publica íntegra de carta de Dom Avelar Brandão Vilela, arcebispo de Teresina e secretário nacional de opinião pública da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), enviada ao jornalista David Nasser. Afirma o arcebispo que “o direito de criticar é humano e incontestável”, mas discorda da forma como membros da Igreja (entre os quais Dom Hélder) vêm sendo criticados pela imprensa brasileira.

397 – NASSER, David. “IGREJA CÚMPLICE – FALA COMO PADRE OU FALA COMO CIDADÃO”. In. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 06 de outubro de 1970. Artigo na seção “Diário Inédito de David Nasser”, cita carta do arcebispo Dom Avelar Brandão Vilela, de Teresina, reclamando de campanha da imprensa contra a Igreja
(veja referência 396) e critica Dom Hélder: “ilustre colega de polígono de subversão”.
No artigo, Nasser afirma ser inaceitável a prática de alguns padres que “falam como cidadãos de temas políticos e sociais e, quando são chamados para responder pelo que disseram, alegam sua condição de padres”.

398 – “PRONUNCIAMENTO DE DOM EUGÊNIO SALES”. In. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2.
Transcreve nota (divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, 07/10/1970) distribuída a imprensa de Salvador pelo cardeal D. Eugênio Sales, sobre críticas de parte da imprensa brasileira a Dom Hélder.

Na Nota, Dom Eugênio afirma que “estamos presenciando, através dos meios de comunicação social mais diversos, uma profunda e tenaz campanha contra um dos bispos brasileiros – D. Hélder Câmara” e continua: “Podemos discordar de algumas posições assumidas pelo arcebispo de Olinda e Recife; podemos desejar rumos diversos em seus pronunciamentos aqui e foram do Brasil. Torná-lo, entretanto, objeto de uma sistemática campanha onde se utiliza o ridículo, não é correto”.

399 – “FALA ABREU SODRÉ”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Publica nota condenando recentes acusações contra Dom Hélder, por parte do governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré que disse, entre outras coisas, que quando o arcebispo viaja ao exterior “é subvencionado com o objetivo de promoção e propaganda comunista”. A acusações de Sodré foram publicadas pelo jornal carioca O Globo, a 08/10/1970.

400 – NASSER, David. “COPA DA TRAIÇÃO”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 08 de outubro de 1970. Artigo diz que o deputado brasileiro Flávio Marcílio, presidente da Comissão das Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, quase foi expulso de um congresso de parlamentares, realizado em Haia, “por um senador do Partido Comunista Francês, coleguinha do peito de D. Hélder Câmara”.

No artigo, Nasser afirma que o senador francês negou legitimidade à representação brasileira “baseado nas denúncias do Sr. Hélder” de que o Brasil tortura presos políticos (veja referência 366).

401 – “D. AGNELO INTERPELA SODRÉ SOBRE ACUSAÇÕES A D. HÉLDER”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2.
Transcreve carta, publicada a 09/10/1970 pelo jornal carioca O Globo, enviada ao governador de São Paulo, Abreu Sodré, pelo cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Agnelo Rossi, na qual o cardeal solicita provas de acusações contra Dom Hélder, partida do governador.

402 – “TORLONI DEFENDE DOM HÉLDER”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. O boletim transcreve notícia veiculada a 09/10/1970 pelo jornal carioca O Globo, segundo a qual o vice-governador de São Paulo, Hilário Torloni, rebateu, através de programa de televisão, acusações contra Dom Hélder feitas pelo governador Roberto de Abreu Sodré (veja referência 399).
Torloni diz sobre Dom Hélder: “Ele de forma alguma pode ser chamado de subversivo. É um idealista, pois prega a renovação da própria Igreja, buscando a aproximação do povo com ela.”

403 – NASSER, David. “MINORIA”. In. O Jornal, Rio de Janeiro, 09 de outubro de 1970. Artigo comenta um encontro entre o arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo de Proença Sigaud, e o presidente do Brasil, general Emílio Garrastazzu Médici. No encontro, o arcebispo afirmou ao presidente: “Assisti com os meus próprios olhos a terrível campanha de difamação do Brasil no exterior”.
Ainda segundo David Nasser, Dom Sigaud disse ao presidente que “parte do clero optou pelo socialismo no Brasil, havendo mesmo alguns setores que admitem até uma fórmula comunista como realização do Evangelho”.

404 - NASSER, David. “SINDICATOS EM VEZ DE IGREJAS”, In. O Jornal, Rio de Janeiro, 10 de outubro de 1970. No artigo, o autor afirma que Dom Hélder disse: “A Igreja tem o dever de comprometer-se nessa luta ao lado dos guerrilheiros, os nossos bravos rapazes”, sem determinar onde e quando esta frase teria sido pronunciada. (*)

O artigo de David Nasser faz referências, também, a um trecho de palestra proferida por Dom Hélder em Paris, quando o arcebispo denunciou, pela primeira vez no exterior, a prática de torturas contra presos políticos brasileiros. (veja referência 366).
Nasser cita Theophilo de Andrade, que fez acusações a Dom Hélder, afirmando que as críticas do arcebispo são dirigidas “somente contra o Brasil”, (...) “Os fuzilamentos e as torturas, seja em Cuba, na Rússia, na Hungria ou na Tchecoslováquia não lhe merecem uma palavra”.

(*) Esse artigo de Nasser foi publicado numa época em que Dom Hélder estava proibido, por parte da Censura Federal, de prestar qualquer depoimento à imprensa brasileira.

405 - “ACUSAÇÕES DE ABREU SODRÉ” Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota lembra carta do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Âgnelo Rossi, enviada ao governador de São Paulo solicitando provas de acusações a Dom Hélder (veja referência 401), e cobra as provas.

406 -“SOBRE AS ACUSAÇÕES A D. HÉLDER”.Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota condena a “campanha orquestrada e contínua que se vem fazendo contra o sr. arcebispo, Dom Hélder Câmara, em todo o Brasil”, e diz que “afirmamos e reafirmamos a gravidade do fato de não se permitir ao acusado o direito de defesa, o que é absolutamente anormal e absurdo na ordem jurídica”.

A nota cita, entre os acusadores de Dom Hélder, o governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré, e faz referência, também, a vários sacerdotes que têm defendido o arcebispo.

407 - NASSER, David. “MINHA IGREJA”.In. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1970. Rebate carta do arcebispo de Teresina, enviada ao autor do artigo e através da qual o arcebispo afirma que “o direito de criticar é incontestável”, mas discorda da forma como Dom Hélder vem sendo criticado. ( veja referência 396).

No artigo, novamente Dom Hélder é rotulado de “falso profeta” e Nasser afirma ainda: “Minha Igreja não é a de Dom Hélder. Não é a Igreja dessa minoria que advoga o marxismo como revitalização do Evangelho”, e cita James Walsh, “cardeal de minha Igreja, torturado na China Comunista durante doze anos e devolvido paralítico e moribumdo.” “Acaso Dom Hélder Câmara e a minoria subversiva que o acompanha esboçaram uma defesa, mesmo tímida, de seu companheiro-mátir?”.

408 - NASSER, David. “A VOZ DO PASTOR” In. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 outubro de 1970. Artigo transcreve palavras de Dom Jayme Câmara, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, divulgados através de emissoras de rádio e através das quais o cardeal afirma que, “para advertir contra o perigo do comunismo, não é mister acusar o clero, como se todo ele estivesse imbuído de idéias subversivas”.

409 - NASSER, David. “SALESIANOS” In. O Jornal, Rio de Janeiro, 15 outubro de 1970.
Artigo cita depoimento de Ubiratã de Lemos sobre o trabalho das Missões Salesianas na Amazônia, “mediante o apoio e o estímulos diários da FAB- Força Aérea Brasileira e do Exército”, e através do qual elogia David Nasser por suas críticas a Dom Hélder “e seu coral de maledicência”.

410 -NASSER, David. “PONTOS NOS ÍS” In. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 outubro de 1970. Artigo afirmando que a campanha de David Nasser contra alguns padres da chamada ala progressista da Igreja, principalmente Dom Hélder, não se trata de crítica generalizada à Igreja e, sim, àqueles sacerdotes que fazem “pregações marxistas e pseudamente modernistas”.

No artigo, David Nasser cita os seguintes críticos de Dom Hélder: Nelson Rodrigues, Gustavo Corção, Theophilo de Andrade, Maurício Caminha de Lacerda, Roberto de Abreu Sodré e Ubiratã de Lemos.

411 -NASSER, David. “MAUS BRASILEIROS” In. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 outubro de 1970. Artigo afirmando que a campanha de David Nasser vem fazendo através da imprensa brasileira contra “uma fração rebelde e desajustadas de padres políticos” não é uma campanha contra o ‘sacerdote geral”.

412 - “PRÊMIO NOBEL À VIOLÊNCIA?” O Estado de São Paulo, São Paulo, 18 outubro de 1970. O jornal transcreve artigo atribuído ao jornalista Arlid Lilebo, no jornal Morgenposten, de Oslo, através do qual são veiculadas várias acusações contra Dom Hélder (entre elas a de que o arcebispo “é um grande admirador de Fidel Castro e prega a violência”) e condena a sua indicação feita “no verão passado pela Federação Mundial Luterana”, para o prêmio Nobel da paz de 1970. (veja referência 339).

No artigo, são citados os seguintes acusadores de Dom Hélder: os brasileiros David Nasser, Lenildo Tabosa Pessoa, Carlos Alberto Christo e a revista O Cruzeiro; o sueco Suen Lindqfist; e o americano Jonh Gunther.

413 - NASSER, David. “OVELHA NEGRA” In. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 outubro de 1970. Artigo através do qual o autor diz que, quando iniciou sua campanha contra Dom Hélder através da imprensa, já sabia que ia entrar “num mar de raios e ventos fortes”, ou seja, estaria sujeito a críticas por conta de suas denúncias.

No artigo, Nasser afirma que a campanha contra Dom Hélder é semelhante as que já fizera contra o ex-governador Leonel Brizola e contra o ex-presidente do Brasil Jânio Quadros, e diz: “Fazêmo-lo pela pátria, pelo Brasil, pelo povo, todos nós, inclusive pelo inocentismo útil dos que pensam que Dom Hélder ainda lê os evangelhos”.

Obs: as justificativas de David Nasser devem-se a uma carta que lhe foi enviada pelo arcebispo de Teresina, Dom Avelar Brandão Vilela, através da qual o religioso afirma que “o direito de criticar é incontestável”, mas discorda da forma como o jornalista vem acusando Dom Hélder. (veja referência 396).

414 - NASSER, David. “O CRISTO FUZILADO” In. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 20 outubro de 1970. Artigo publicado na seção “Diário Inédito de David Nasser”, critica encenações da Paixão de Cristo, apresentadas em igrejas de Pernambuco, “na diocese do Arcebispo Vermelho (Dom Hélder), como adora ser chamado” porque, entre outras coisas, os atores são “cabeludos como qualquer integrante da jovem guarda, usam roupas modernas com listras vermelhas, a virgem Maria faz um comício e a platéia pede o fuzilamento de Cristo”.

415 – NASSER, David. “GOVERNAR POR TORTURAS”. In O Jornal, Rio de janeiro, 21 outubro de 1970. Artigo – “para desmascarar de uma vez por todas a ingênua defesa do romeiro do ódio ao Brasil e melhor esclarecer àquelas que, sem conhecimento exato da sua verdadeira ação, censuram a fixidez desta nossa crítica” – publica frases que Dom Hélder “pronunciou em maio deste ano em Salzburg, na Áustria, e as publicou no número de agosto-setembro recentíssimos, da revista Neues Forum, de Viena”.

As frases que Dom Hélder dissera tratam-se de denúncias da prárica de torturas contra presos políticos no Brasil.

461 – NASSER, David. “CRISTÃOS SUICIDAS” In. O Jornal, Rio de janeiro, 23 outubro de 1970. No artigo, David Nasser afirma que “quem está defendendo a Igreja Católica, não são alguns sacerdotes desajustados (...) mas aqueles, como nós, que sem por em dúvida os seus dogmas, não aceitam a interpretação adulterada por uma minoria suspeita”.

O autor do artigo afirma também que Dom Hélder “defende a união dos católicos com os marxistas para construir uma sociedade baseada na justiça social”.

417 - NASSER, David. “CENTRAL DE DIFAMAÇÃO”. In. O Jornal, Rio de janeiro, 24 outubro de 1970.
No artigo, Nasser afirma que Dom Hélder é “a usina de todos os insultos ao Brasil na França, na Suécia, na Alemanha, no Canadá e até no Japão”, e “o mais categorizado porta-voz” de uma “impatriótica célula marxista-lenista” acrescentando que suas críticas contra o arcebispo de Olinda e Recife, publicadas pela imprensa brasileira, têm o objetivo de não confundir Dom Hélder com a Igreja de Cristo.

418 – “A CARTA DE ABREU SODRÉ”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol.1970-2. Boletim diz que o governador de São Paulo, Roberto de Abreu Sodré, entregou, dia 23 de outubro de 1970, carta ao cardeal Agnelo Rossi, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, na qual o governador apresenta “as provas” de acusação que fez recentemente a Dom Hélder, ou seja, de que o arcebispo de Olinda e Recife pertence “à máquina de propaganda do Partido Comunista”. (veja referência 401).

Roberto de Abreu Sodré, segundo o boletim, apresentou como provas de suas acusações alguns recortes de jornais e revistas do Brasil e do estrangeiro, além do livro “A Revolução dentro da Paz”, de autoria de Dom Hélder.

419 – CÂMARA, Hélder. “A PROPOSITO