1970
341 – “HÉLDER
CÂMARA: EL BISPO ROJO”.
Confirmado, Buenos Aires, 06 de fevereiro
de 1970.
Revista publica primeira parte de
entrevista de Dom Hélder ao
repórter Carlos A. Mutto, realizada
no Recife. O arcebispo fala, entre
outras coisas, sobre suas posições
políticas e sobre o relacionamento
entre a Igreja Católica e o
Governo brasileiro.
342 – “HÉLDER
CÂMRA: EL BISPO ROJO”.
Confirmado, Buenos Aires, 11 de fevereiro
de 1970.
Segunda parte de entrevista de Dom
Hélder ao repórter Carlos
Mutto (veja referência 341).
343 – “O
BISPO QUE COME DEDOS”. In. O
Estado de São Paulo, São
Paulo, 12 de fevereiro de 1970.
Em artigo na “Seção
Livre”, o sr. Salomão
Jorge diz que Dom Hélder “não
obedece, com humildade, ao Papa”
e tudo o que ele faz é buscando
“o elogio das turbas, o seu
nome nas manchetes de jornais”.
344 – “OS
DOIS PESOS E AS DUAS MEDIDAS DE D.
HÉLDER”. O Estado de
São Paulo, São Paulo,
21 de fevereiro de 1970. Em editorial,
o jornal critica Dom Hélder
porque ele nada declarou, de público,
sobre um movimento de paroquianos
do bairro de Boa Viagem, no Recife,
contra a nomeação do
novo pároco da localidade –
um padre considerado progressista.
Os paroquianos alegaram que “é
preciso extirpar o farisaísmo
e o ingresso de bandeiras vermelhas
ou rosadas em nossos templos sagrados”.
Segundo o jornal, Dom Hélder
deveria ter assumido (nesse caso do
Recife) a mesma posição
que tomou quando, há pouco
tempo, os padres de Botucatu contestaram
a nomeação de seu novo
bispo, por ele ser conservador, e
o arcebispo de Olinda e Recife declarou
à imprensa: “a rebeldia
dos padres é uma declaração
de que os padres e leigos desejam
ser ouvidos pela Igreja antes que
qualquer superior seja nomeado”.
345 – “SUCESSOR
DE MARTINHO LUTERO KINK”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-1.
Texto datado de 05/03/1970, assinado
por Dom Hélder e pelo pastor
batista Ralph David Abernathy, sucessor
de Luter Kink. Os religiosos dizem,
entre outras coisas: “Nós
cremos que a parte consciente da humanidade
tem o direito e o dever de organizar
o protesto não-violento contra
as estruturas políticas, econômicas
e sociais que mantém uma grande
maioria dos homens na miséria
e sob ameaça de guerra”.
346 – “A
SEMANA SANTA”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1970-1.
Nota contesta editorial do Diário
de Pernambuco, edição
de 31/03/1970, criticando modificações
num ritual da Arquidiocese de Olinda
e Recife, celebrado durante a Semana
Santa.
347 – OLIVEIRA,
Plínio Corrêa de. “D.
HÉLDER CRIA PROBLEMAS –
COMUNISTAS APLAUDEM”. In. Jornal
do Commercio, Recife, 03 de abril
de 1970.
Artigo criticando Dom Hélder
e afirmando que “a implantação
de um socialismo católico será
atentatório a dois mandamentos
da Lei de Deus: não roubarás
e não cobiçarás
os bens do próximo”.
348 – “LIÇÕES
PERIGOSAS”. Veja, São
Paulo, 15 de abril de 1970.
Reportagem sobre polêmica em
torno do livro didático de
religião “Rumo à
Terra Prometida”, editado pela
Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB).
349 – “ALACRON
DIZ QUE A IGREJA ESTÁ SENDO
TRAÍDA PELOS CATÓLICOS”.
O Estado de Minas, Belo Horizonte,
20 de maio de 1970.
Líder da Igreja Brasileira
em Minas Gerais, o padre Alacron afirma
que alguns sacerdotes estão
traindo e Igreja e diz que Dom Hélder
é demagogo.
350 – “HÉLDER
VOLTA ÀS ACUSAÇÕES”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 24 de maio de 1970.
Nota sobre declarações
de Dom Hélder a uma emissora
de televisão da França
de que ele pretende falar de injustiças
e tortura no Brasil.
351 – “O
CASO GARAUDY E O ARCEBISPO”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 24 de maio de 1970.
Em editorial publicado na seção
“Notas e Informações”,
o jornal comenta a expulsão
de um membro do Partido Comunista
Francês, Roger Garaudy, e critica
Dom Hélder que não é
citado pelo nome e, sim, por “um
arcebispo brasileiro”.
352 - CÂMARA,
Hélder. “JOANA, SERÁ
QUE COMPREENDES E AMAS A NÃO-VIOLÊNCIA?”.
In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, vol.
1969-70.
Texto de conferência proferida
a 25/05/1970, em Orleans, França.
Dom Hélder convida os jovens
para “uma luta pacífica
contra as injustiças, ponto
de partida de todas as violências”
e afirma que “a violência
dos pacíficos levanta ódio
da extrema-direita e da extrema-esquerda”.
Afirma ainda o arcebispo: “Se
os governos desejam combater a violência,
em lugar de responder à explosão
dos oprimidos por violências
ainda mais fortes, é preciso
que se decidam, de uma vez por todas,
a enfrentar o esmagamento dos oprimidos.”
353 – “D.
HÉLDER REITERA CRÍTICAS
AO GOVERNO”. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 26 de maio
de 1970.
Jornal critica conferência de
Dom Hélder na França
(veja referência 352).
354 – “ARCEBISPO
FALA SEM MEDIR CONSEQÜÊNCIAS”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 26 de maio de 1970.
Jornal informa que Dom Hélder
irá proferir palestra, hoje,
em Paris, denunciando a prática
de torturas no Brasil.
355 - CÂMARA,
Hélder. “RESPONSABILIDADE
DA FRANÇA EM FACE DA REVOLUÇÃO”.
In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, vol.
1969-70.
Íntegra de palestra que seria
proferida no Palácio dos Esportes,
Paris, dia 26/05/1970, através
da qual Dom Hélder iria perguntar
a quantas andava, na França,
a trilogia: liberdade, igualdade e
fraternidade.
Obs.: Dom Hélder acabou deixando
de lado esse texto (preparado com
antecedência) e acabou falando
de improviso, ocasião em que
denunciou, pela primeira vez no exterior,
a tortura contra presos políticos
no Brasil. A esse discurso, ele deu
o título “Quaisquer que
sejam as conseqüências”
(veja referência 366).
Como explicaria posteriormente,
Dom Hélder optou por denunciar
as torturas praticadas pelo militares
no Brasil porque, antes de iniciar
a leitura da palestra que havia preparado,
um grupo de franceses amigos seus
disse: “Se você não
tiver a coragem de dizer que há
torturas no Brasil, você perde
a força moral de denunciar
os nossos erros. – Então,
eu disse: farei, quaisquer que sejam
as conseqüências”
(Jornal da Cidade, Recife, nº
238, 1981).
356 – “D.
HÉLDER REITERA DENÚNCIAS”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 27 de maio de 1970.
Notícia sobre conferência
de Dom Hélder, em Paris, denunciando
a prática de torturas no Brasil
(veja referência 355).
357 – “D.H.
AFIRMA EM PARIS QUE TODAS AS VIOLÊNCIAS
TÊM ORIGEM NA INJUSTIÇA”.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
27 de maio de 1969.
Em entrevista à Rádio
France-Inter, em Paris, Dom Hélder
denunciou a prática de torturas
a presos políticos brasileiros.
358 – “MISSA
POR OCASIÃO DO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO
DO TRUCIDAMENTO DO PADRE ANTÔNIO
HENRIQUE”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1970-1.
Textos da missa de 1º aniversário
do assassinato do padre Henrique (veja
referência 319) e declaração
de Dom Hélder cobrando esclarecimento
do crime.
359 – “ANIVERSÁRIO
DA MORTE DO PADRE ANTÔNIO HENRIQUE”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-1.
Declarações de Dom Hélder,
enviadas à imprensa, apontando
falhas na condução do
processo que apura o assassinato do
padre Antônio Henrique Pereira
da Silva Neto (veja referência
319).
360 – “EM
PLENA CAMPANHA”. O Estado de
São Paulo, São Paulo,
28 de maio de 1970. Em editorial na
seção “Notas e
Informações”,
o jornal condena entrevista de Dom
Hélder, em Bruxelas, através
da qual o arcebispo disse que o Brasil
tem uma longa tradição
imperialista.
O jornal diz que não fica
bem em Dom Hélder “é
que s. exa. Revma.enxovalhe no estrangeiro
a imagem da pátria, a sua história,
as suas tradições, o
seu presente tão limpo como
o seu passado e como o há de
ser com certeza o seu futuro”.
Diz também: “A atitude
antipática de Dom Hélder
tem explicações no fato
de o arcebispo se achar em plena campanha
eleitoral para conseguir o Prêmio
Nobel da Paz, esse crachat mundano”.
361 – “DOCUMENTO
REVELA QUEM É O ARCEBISPO DE
OLINDA”. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 28 de maio
de 1970. Na seção “A
Pedido”, o jornal publica íntegra
de texto de autoria atribuída
ao monsenhor Álvaro Negromonte,
do Rio de Janeiro, “autor de
diversas obras de moral e civismo”,
com várias acusações
a Dom Hélder.
Segundo o jornal, o texto do monsenhor
Negromonte foi “encontrado entre
os pertences desse sacerdote após
sua morte” e sua divulgação
“decorre dos ataques candentes
que D. Hélder tem feito ao
Governo brasileiro em conferência
que está pronunciando no exterior”.
(Obs.: Dois dias antes da publicação
deste documento, Dom Hélder
proferiu conferência, em Paris,
denunciando pela primeira vez no exterior
a tortura contra presos políticos
brasileiros – veja referência
355).
Entre outras coisas, o texto atribuído
ao monsenhor Negromonte acusa Dom
Hélder de “mau caráter”,
“demagogo”, “falsificador
de documentos” e diz que o arcebispo
“nunca prestou conta de enormes
verbas públicas” e “foge
dos que têm responsabilidade”.
Embora afirme, num trecho, que Dom
Hélder “tem enorme capacidade
de trabalho – nesta chega a
ser espantoso”, mais adiante
o texto comenta: “os seus planos
notáveis redundam em fracasso,
porque é desorganizado, sem
perseverança nas obras iniciadas”.
Este mesmo texto seria publicado,
a 10 de junho de 1970, pelo jornal
Correio do Povo, de Porto Alegre.
362 – “CORRIERE
DEFENDE D. HÉLDER”. O
Estado de São Paulo, São
Paulo, 29 de maio de 1970.
Correspondente em Paris do Corriere
Della Serra defendeu Dom Hélder
das críticas depois da palestra
através da qual o arcebispo
denunciou a tortura a presos políticos
no Brasil (veja referência 355).
363 – “A
IRMÃ DA ROSA BRANCA”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 31 de maio de 1970. Artigo
publicado na “Seção
Livre”, de autoria de Salomão
Jorge, faz várias acusações
a Dom Hélder, a quem chama
de “o arcebispo voador”,
e a outros bispos nordestinos. Diz,
por exemplo, que “os bispos
agiotas do Nordeste emprestaram a
10% ao mês a um aventureiro
um bilhão de cruzeiros antigos”.
Diz, também, que Dom Hélder
“exalta os hippies, difama sua
pátria” e “deu
no Palácio dos Manguinhos uma
festa de arromba à juventude
pra frente, com vitrolas hi-fi, iê-iê-iê,
guitarras eletrônicas, uísque,
uma loura gordinha com voz de Nara
Leão e alguém cantando
Dora, rainha do frevo e do maracatu
(...)”.
364 – “PAPA
DE HOSPÍCIO”. Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 02 de junho
de 1970.
Editorial publicado na seção
“Informe” comenta palestra
de Dom Hélder em Paris, denunciando
tortura contra presos políticos
brasileiros (veja referência
355).
O editorial critica Gustavo Corção
que “cega ao condenar posições
de Dom Hélder”, pois
nem lhe reconhece a condição
de padre preferindo chamar o arcebispo
de “sr. Hélder”.
365 – FREYRE,
Gilberto. “QUE É QUE
HÁ CONTRA APIPUCOS?”.
In. Diário de Pernambuco, Recife,
14 de junho de 1970.
Em artigo queixando-se contra os índices
de assaltos no bairro de Apipucos,
Recife, onde mora, o sociólogo
Gilberto Freyre afirma: antes o lugar
era tranqüilo até que
Dom Hélder “não
tardou a tomar a infeliz iniciativa”
de confiar a paróquia da localidade
“não a um padre, mas
a um estrangeiro fantasiado de padre”.
Freyre acrescenta: “Estrangeiro
que se requintou em provocar ódios
entre a população do
velho e brasileiríssimo subúrbio”.
366 – “DOM
HÉLDER CÃMARA INTERPELLE
L’OCCIDENT”. Informations
Catholiques, Paris, 16 de junho de
1970, nº 362, pgs. 22-29. A revista
publica trechos de conferência
de Dom Hélder, proferida a
26/05/1970, no Palácio dos
Esportes, Paris, sob o título
“Quaisquer que sejam as conseqüências”,
através da qual o arcebispo
denunciou, pelo primeira vez no exterior,
a prática de torturas contra
presos políticos brasileiros
(veja também referência
355).
 |
Traz, também,
algumas respostas de Dom Hélder
a perguntas formuladas pela platéia
logo após o final da conferência.
Faz, ainda, referência a
uma carta enviada por Dom Hélder
ao governador de Pernambuco, Nilo
Coelho, datada de 25/08/1969,
denunciando torturas contra presos
políticos no Recife. |
367 – CÂMARA,
Hélder. “COMENTÁRIOS
DO PRÓPRIO DOM HÉLDER
À SUA CONFERÊNCIA DE
PARIS”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, vol.
1969-70.
Texto de Dom Hélder comentando
críticas da imprensa brasileira
à sua palestra, em Paris, denunciando
torturas no Brasil (veja referência
366).
368 – “FORNECEDOR
CONDENA SEQÜESTRO SOLIDARIZANDO-SE
COM GOVERNO”. Diário
de Pernambuco, Recife, 17 de junho
de 1970.
Francisco Falcão, fornecedor
de cana pernambucano, solidariza-se
com o governo brasileiro em face do
seqüestro do embaixador alemão
Von Holleben e afirma que o jornalista
Marco Aurélio de Alcântra
citou Dom Hélder como um possível
envolvido no caso.
369 – “L’EXPRESS
VA PLUS LOIN AVEC DOM HÉLDER
CÂMARA”. L’Express,
Paris, 21 de junho de 1970, pgs. 66-73.
A revista publica longa entrevista
com Dom Hélder que fala de
coisas que vão, desde a infância,
até as posições
políticas que ele defende hoje
e as que já defendeu no passado.
Dom Hélder fala sobre violência,
pobreza, transformações
sociais e diz não crer na guerrilha
urbana. Defende transformações
sociais sem o uso da força,
mas diz respeitar “todos aqueles
que, de consciência, escolhem
a violência ativa: Che Guevara
ou os jovens que fazem a mesma opção
entre nós”.
370 – “IMPRENSA
E VERDADE”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, 23 de junho de
1970. Em nota, o Boletim afirma que
“alguns jornalistas primam em
fazer pronunciamentos apressados,
isolando-se textos (de palestras de
Dom Hélder) ou fazendo referências
a afirmações deturpadas”.
A nota refere-se às críticas
de jornalistas brasileiros a Dom Hélder,
por conta da palestra “Quaisquer
que sejam as conseqüências”
(veja referência 366) e cita
como acusadores do arcebispo as seguintes
pessoas: Valdemar de Oliveira, Orlando
Morais, Theophilo de Andrade e Gustavo
Corção.
A nota diz, ainda, que outras entidades
ou pessoas que já denunciaram
as torturas do governo brasileiro
não são criticadas,
fato que só acontece com Dom
Hélder.
371 – “LAMENTO
TER APOIADO D. HÉLDER”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 23 de junho de 1970. Padre
Eugênio Giordani, de Caxias
do Sul, diz que Dom Hélder
“continua a denegrir nossa pátria
no estrangeiro” e lamenta já
ter apoiado o arcebispo.
372 – KALFLECHE,
Jean-Marc. “O BRASIL DE UM A
NOVE”. In. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 28 de junho
de 1970. Em artigo condenando palestra
de Dom Hélder em Paris (veja
referência 366), Kalfleche elogia
o governo militar do Brasil e diz
que Dom Hélder procura um socialismo
no qual nem ele mesmo acredita.
373 – “D.
HÉLDER E A COPA DO MUNDO”.
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 30 de junho de 1970. Artigo
assinado por Salomão Jorge,
publicado na “Seção
Livre”, fala da conquista da
9ª Copa do Mundo, por parte da
seleção brasileira de
futebol, comparando essa conquista
com os pronunciamentos de Dom Hélder
no exterior, e rotulando o arcebispo,
entre outras coisas, de “megalômano”,
“esquerdista”, “difamador
da sua própria pátria”.
Em determinado trecho, diz o artigo:
“Se o Brasil fosse o que o aloucado
padre esquerdista descreve, nunca
estaria em condições
de apresentar os atletas invencíveis,
cuja energia combativa se identifica
com a energia nacional a que realizou
a unidade desse colosso e marcha,
passos largos, para o futuro”.
374 – NASSER,
David. “CARA DE SANTO”.
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 de
julho de 1970. Artigo condenando entrevista
de Dom Hélder à revista
L’Express (veja referência
369). Nasser afirma que duas pessoas
nunca acreditaram em D. Hélder
Câmara: “Carlos Lacerda
e eu”. Afirma que a entrevista
do arcebispo faz parte de “sua
romaria contra o Brasil”; diz
que a “peregrinação
internacional de Dom Hélder
é subvencionada não
se sabe por quem” e que o arcebispo
“tem cara de santo, embora de
santo não tem nada”.
375 – “DOM
HÉLDER RETIFICA O PRÓPRIO
PERFIL”. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 30 de julho
de 1970. Carta de Dom Hélder,
datada de 13/07/1970, na qual o arcebispo
reclama de distorções
em seu pensamento, ocorridas em tradução
que o jornal fez de uma entrevista
dele à revista L’Express
(veja referência 369). Ao lado
da carta do arcebispo, é publicada
também uma nota do jornal,
afirmando que as retificações
de Dom Hélder “nada retificam”.
376 - NASSER, David.
“QUEM FINANCIA DOM HÉLDER?”.
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 de
julho de 1970. Em artigo, Nasser indaga
quem financia as viagens de Dom Hélder
ao exterior. Lembra que, na década
de 1930, Dom Hélder defendia
o Integralismo (versão brasileira
do fascismo) e afirma:
“(...) Com que direito esse
padre cujas origens vocacionais se
mergulham nas raízes de tantas
desgraças – comprometido
nos massacres de judeus, na morte
de milhões, inclusive de brasileiros
– vem agora se erigir em missionário
dos perseguidos, em advogado dos guerrilheiros,
em juiz de seu próprio povo?”
377 – “D.
HÉLDER E A TV TUPI”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2. Nota esclarece
notícia veiculada pelo Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 27/07/1970,
segundo a qual o ministro da educação
do Brasil, coronel Jarbas Passarinho,
afirmou que Dom Hélder recusara
participar de debate, entre ambos,
sobre a realidade brsileira, a ser
transmitido pela TV Tupi em agosto
de 1968.
A nota explica que, realmente, Dom
Hélder recebera um telefonema
convidando-o para o debate. Solicitou
que o convite fosse formulado por
escrito e exigiu algumas condições,
como por exemplo, que o debate fosse
transmitido ao vivo. Mas, a emissora
nunca enviou o convite.
378 – SIGAUD,
Geraldo de Proença. Carta ao
bispo de Münster, Alemanha, monsenhor
Heinrich Tenhumberg, 11 de agosto
de 1970. In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, vol.
1969-70.
Na carta, o arcebispo de Diamantina
pede licença para “referir-me
à pessoa e ao trabalho de Dom
Hélder Câmara”,
depois que tomou conhecimento que
o monsenhor Tenhumberg (que é
presidente do Círculo de Trabalho
pelo Desenvolvimento e Paz) propôs
a candidatura do arcebispo de Olinda
e Recife ao Prêmio Nobel da
Paz 1970.
Dom Sigaud diz, na sua carta, que,
caso a candidatura de Dom Hélder
seja mantida, ele tem “certeza
do desprestígio que surgirá
para o episcopado alemão, quando
o mundo souber a verdade sobre Dom
Hélder”.
Segundo Dom Sigaud, Dom Hélder
“consente e promove as guerrilhas,
a guerra revolucionária, a
revolução do povo e
o caos, para que o comunismo possa
conquistar a América Latina”.
379 – NASSER,
David. “PERGUNTA SEM RESPOSTA”.
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 de
agosto de 1970. Artigo transcreve
uma série de perguntas sobre
“o comunismo internacional que
vem tomando vulto no Brasil”,
formuladas ao articulista por um estudante
de Minas Gerais. No final, afirma:
“Estas perguntas naturalmente
ficarão sem respostas. Liberdade
para os comunistas, meu filho, é
como a fé para certos padres,
para uso externo”.
380 – “A
PROPÓSITO DE UM PROGRAMA DE
TELEVISÃO”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota
do bispo-auxiliar da Arquidiocese
de Olinda e Recife, Dom José
Lamartine Soares, com o objetivo de
esclarecer notícia veiculada,
inicialmente, em um programa apresentado
na televisão brasileira por
Amaral Neto, segundo a qual Dom Hélder
havia fornecido a revistas internacionais
uma foto de um soldado do Exército
do Brasil em treinamento, e que tal
foto teria sido publicada como prova
de tortura a presos políticos
brasileiros.
Essa versão distorcida dos
fatos fora publicada, em seguida,
pelo jornal carioca O Globo, 25/08/1970,
pgs. 1 e 9, além de o jornal
O Dia. A foto mostra um homem amarrado
numa cruz, sendo que na veiculação
inicial (que seria reprodução
do programa de TV) aparece também
Dom Hélder apontando para o
homem que estaria sendo torturado.
O Boletim Arquidiocesano publica,
também, esclarecimentos das
revistas Stern, da Alemanha, e Domenica
Del Corriere, da Itália. Estas
revistas confirmam que publicaram
a foto do soldado do Exército
brasileiro em treinamento, mas em
momento algum procuraram apresenta-la
como sendo prova da existência
de torturas a presos políticos
no Brasil.
Diz o Boletim Arquidiocesano: “O
vice-diretor da revista Domenica Del
Corriere disse que as legendas publicadas
em seu órgão eram verdadeiras
e identificavam o exercício
militar. Afirmou que ‘então
acrescentamos nosso comentário
e expressamos a opinião de
que talvez os militares treinados
para submeterem-se a torturas eram
induzidos a usá-las contra
seus adversários’.”
381 – “A
REVISTA STERN E AS TORTURAS”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2. Nota publica
esclarecimentos, enviados por Egon
Vacek, editor internacional da revista
alemã Stern, ao Jornal do Brasil
que, a 23/08/1970, publicou matéria
ilustrada com fotografias de treinamento
do Exército brasileiro e que,
segundo o jornal, estas mesmas fotos
teriam sido publicadas pela revista,
como sendo provas de torturas a presos
polpíticos no Brasil –
outros jornais brasileiros disseram
que a distribuição das
fotos no exterior fora feita por Dom
Hélder.
O editor da Stern escreveu ao Jornal
do Brasil: “(...) O Jornal do
Brasil poderá verificar que,
na revista Stern nº 4 de 1970,
a legenda é a seguinte: O homem
no crucifixo é uma pára-quedista
brasileiro. As torturas devem torná-lo
resistente. O que é treinamento
para o Exército torna-se pura
realidade nas prisões policiais”
(...). E acrescenta o editor: “Referindo-se
às torturas dos prisioneiros
no Brasil, existem volumosas documentações,
que certamente são do vosso
conhecimento e das quais não
se pode duvidar. Esperamos que uma
retificação venha a
ser publicada no JB”.
382 – “VERDADES
E FATOS”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Nota
sobre telegrama do bispo de Goiana,
Pernambuco, solidarizando-se com Dom
Hélder em face de notícias
divulgadas recentemente pela imprensa
brasileira, segundo as quais o arcebispo
de Olinda e Recife teria fornecido
a revistas de vários países
uma montagem fotográfica de
treinamento do Exército do
Brasil como se fosse prova de torturas
(veja referência 380).
383 – NASSER,
David. “TORTURAS”. In.
O Jornal, Rio de Janeiro, 27 de agosto
de 1970. Artigo protestando contra
o uso, por parte de revistas estrangeiras,
de fotografias de militares brasileiros
em treinamento, retiradas de uma reportagem
do Jornal do Brasil e que, segundo
Nasser, foram republicadas como sendo
ilustrações de torturas
contra presos políticos brasileiros.
As fotos mostram um soldado amarado
numa cruz e outro dentro de uma gaiola
suspensa.
384 – CÂMARA,
Hélder. “DECLARAÇÃO
PESSOAL DE DOM HÉLDER CÂMARA”.
Separata do Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Em
nota datada de 28/08/1970, Dom Hélder
esclarece a “calúnia
grosseira assacada contra mim”
e pede direito de defesa por conta
dos seguintes fatos:
Dia 24/08/1970, a cadeia nacional
de televisão da Rede Globo,
do Rio de Janeiro, difundiu para todo
o Brasil um vídeo-tape em que
o repórter Amaral Neto conversa
com um oficial do Exército
que diz ter sido torturado como exercício
de operação antiguerrilha.
Em seguida, Amaral Neto afirma que
revistas estrangeiras divulgaram fotografia
do oficial supostamente torturado
(ou seja, em treinamento militar)
como se essa foto fosse prova de que
há torturas no Brasil e diz,
também, que Dom Hélder
fizera a mesma denúncia.
Para tentar provar que Dom Hélder
esteve envolvido no episódio
de “distorção”
das fotografias, Amaral Neto apresenta
uma “montagem fotográfica”
em que o arcebispo aparece paramentado
para a missa apontando na direção
do oficial do Exército em treinamento
– a foto mostrava o militar
amarrado numa cruz de madeira.
385 – “PRÊMIO
NOBEL”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1970-2. Transcreve
trecho de nota do jornal O Estado
de São Paulo, edição
de 29/08/1970, afirmando que a organização
católica Paz Romana indicou,
em Hong Kong, Dom Hélder para
o Prêmio Nobel da Paz 1970.
386 – TENHUMBERG,
Heinrich. “CARTA”. In.
Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, vol.
1969-70. Carta do bispo de Münster,
Alemanha, monsenhor Heinrich Tenhumberg,
em resposta a Dom Geraldo Sigaud,
arcebispo de Diamantina, que lhe escreveu
acusando Dom Hélder de “comunista”
(veja referência 378).
O bispo de Münster afirma não
poder “tomar uma posição
a acusações referentes
a uma pessoa, por não conhecer
satisfatoriamente Dom Hélder
Câmara”. Acrescenta que
“estive com ele, mas tive a
impressão de que se trata de
uma personalidade muito idealista
e profundamente sincera”.
Tenhumberg diz, ainda, que os membros
do Círculo de Trabalho pelo
Desenvolvimento e Paz (do qual é
presidente e que indicou Dom Hélder
ao Prêmio Nobel da Paz) vêem
“no arcebispo Hélder
Câmara uma personalidade cuja
condecoração consideram
como uma animação e
homenagem de todas aquelas forças
que na América Latina lutam
para um meio-termo entre uma revolução
violenta e uma reação
igualmente violenta”.
O bispo de Münster sugere que
Dom Sigaud procure a Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
para avaliar as acusações
que ele (Sigaud) fez contra Dom Hélder.
387 - NASSER, David.
“IGREJA DO DIABO”. In.
O Jornal, Rio de Janeiro, 17 de setembro
de 1970. Artigo afirmando que Dom
Hélder e outros religiosos,
além da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB), “foram
cuspidos do Reino dos Céus
e caíram na fornalha, onde
só se escuta o ranger de dentes
do Anticristo”.
Isto porque, segundo o articulista,
“eles querem destruir a liberdade,
a imprensa, a televisão e o
rádio para implantar o comunismo,
que é um ruidoso fracasso administrativo
no mundo”.
Obs.: Esse artigo foi lido, no dia
anterior a sua publicação,
numa emissora da TV Tupi, São
Paulo.
388 - NASSER, David.
“TRAIDORES DE BATINA”.
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 de
setembro de 1970. Em artigo, Nasser
condena “as aventuras políticas,
marcadamente demagógicas e
temporais de Dom Hélder Câmara”.
Afirma que Dom Hélder “faz
campanha suja contra o Brasil”
através de “elogios em
favor do Partido Comunista do Brasil,
partido que rotula de verdade evangélica”.
389 - NASSER, David.
“REPULSO”. In. O Jornal,
Rio de Janeiro, 18 de setembro de
1970. O artigo conta a prisão
(a 08/05/1970) e, em seguida, o assassinato
(10/05/1970) do tenente Alberto Mendes
Júnior, da Polícia Militar
de São Paulo (“que lutava
para eliminar um foco de guerrilhas”)
e diz que o crime foi cometido “pelos
companheiros sem batina do arcebispo
de Olinda”.
390 - NASSER, David.
“MISSA NEGADA”. In. O
Jornal, Rio de Janeiro, 19 de setembro
de 1970. Artigo condenando atitude
de Dom Hélder que recusou celebrar
uma missa solicitada pelo comandante
do IV Exército, no Recife,
em comemoração ao aniversário
do golpe militar que derrubou, a 31/03/1964,
João Goulart da presidência
do Brasil.
Nasser chama Dom Hélder de
“garanhão da desordem
social”, “príncipe
da Igreja cubana” e afirma que
o arcebispo “nega-se a oficiar
para a Revolução, mas
não se nega a elogiar, efusivamente,
o comunismo internacional”.
Obs.: Esse artigo também foi
lido através de cadeia nacional
de televisão, comandada pela
TV Tupi do Rio de Janeiro. Posteriormente,
Dom Hélder explicaria que recusou
celebrar a missa porque os militares
impuseram a condição
de ele não pronunciar o sermão.
391 - NASSER, David.
“A VERDADEIRA IGREJA”.
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 de
setembro de 1970. Artigo reproduz
carta enviada a David Nasser (sem
assinatura) por “um padre de
paróquia pobre”, através
da qual o seu autor se coloca “contra
a Igreja embarcada no comunismo ateu
e guerrilheiro”, Igreja esta
que “não é a verdadeira
Igreja de Cristo” e, sim, “essa
camorra desalmada que Dom Hélder
lidera”.
392 – ANDRADE,
Theophilo de. “ONDE ESTÁ
A INFÂMIA?” In. O Jornal,
Rio de Janeiro, 24 de setembro de
1970. Artigo condenando uma nota de
Dom Hélder através da
qual o arcebispo pediu direito de
defesa a acusações que
lhe foram feitas por Amaral Neto,
em um programa da Tv Globo, Rio de
Janeiro, a 24 de agosto 1970 (veja
referência 384).
No artigo, Theophilo afirma que
Dom Hélder “faz propaganda
da violência, do terrorismo
e da subversão do regime”
e diz que o arcebispo não tem
direito a resposta porque a lei não
lhe faculta e porque “a televisão
foi subtraída ao arcebispo
porque, no estrangeiro, difamou a
sua terra, difundindo calúnias
por toda parte”.
Diz o articulista que “não
há torturas no Brasil”.
393 – NASSER,
David. “ESTA É A NOSSA
IGREJA”. In. O Jornal, Rio de
Janeiro, 24 de setembro de 1970. Artigo
diz que D. Hélder, “o
arcebispo vermelho”, quando
se condena a sua politicagem desenfreada,
marxista, antibrasileira”, “ele
tenta confundir os incautos, fazendo
crer que é a Igreja Católica
a vítima das críticas
impiedosas”.
O artigo cita o cardeal da Bahia e
arcebispo primaz do Brasil, D. Eugênio
Sales (“um cardeal da verdadeira
Igreja de Cristo”), que teria
dito recentemente, entre outras coisas,
que “é uma traição
ao Evangelho tentar divulga-lo como
uma luta de classes e de ódio
entre os homens”.
394 – “CÂMARA,
Helder. “RESPOSTA DE DOM HÉLDER
CÂMARA”. In. Dom Hélder-Pronunciamentos,
Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife,
vol.1979-70.
Em carta datada de 29 de setembro
de 1970 e dirigida aos “srs.
Cardeais, srs. Bispos, padres, leigos
e homens de boa vontade da Alemanha”,
D. Hélder responde acusações
que lhe foram feitas pelo arcebispo
de Diamantina, D. Geraldo de Proença
Sigaud.
395 – CÂMARA,
Hélder. “QUEM ME FINANCIA
AS VIAGENS”. In. Separata do
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife, Setembro 1970. Texto
em resposta a uma acusação
da “Campanha Nacional de Difamação
empreendida contra mim”, promovida
principalmente pelos jornais O Globo
e O Jornal (veja referência
376) e as cadeias de televisão
Globo e Emissoras Associadas.
Dom responde as acusações
de que suas viagens ao exterior são
financiadas “por entidades comunistas”:
“Ora se diz que viajo a custa
dos assaltos a bancos, ora que é
Fidel Castro quem me leva, ora que
se trata das esquerdas francesas”.
No texto, Dom Hélder fornece
os endereços de quem lhe financiou
as viagens que realizou em 1970, “para
quem quiser testar, escrever pedindo
confirmação”.
396 – “HUMANISMO
CRISTÃO DOS NOSSOS DIAS”.
O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 06 de
outubro de 1970. Revista publica íntegra
de carta de Dom Avelar Brandão
Vilela, arcebispo de Teresina e secretário
nacional de opinião pública
da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), enviada ao
jornalista David Nasser. Afirma o
arcebispo que “o direito de
criticar é humano e incontestável”,
mas discorda da forma como membros
da Igreja (entre os quais Dom Hélder)
vêm sendo criticados pela imprensa
brasileira.
397 – NASSER,
David. “IGREJA CÚMPLICE
– FALA COMO PADRE OU FALA COMO
CIDADÃO”. In. O Cruzeiro,
Rio de Janeiro, 06 de outubro de 1970.
Artigo na seção “Diário
Inédito de David Nasser”,
cita carta do arcebispo Dom Avelar
Brandão Vilela, de Teresina,
reclamando de campanha da imprensa
contra a Igreja
(veja referência 396) e critica
Dom Hélder: “ilustre
colega de polígono de subversão”.
No artigo, Nasser afirma ser inaceitável
a prática de alguns padres
que “falam como cidadãos
de temas políticos e sociais
e, quando são chamados para
responder pelo que disseram, alegam
sua condição de padres”.
398 – “PRONUNCIAMENTO
DE DOM EUGÊNIO SALES”.
In. Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2.
Transcreve nota (divulgada pelo jornal
O Estado de São Paulo, 07/10/1970)
distribuída a imprensa de Salvador
pelo cardeal D. Eugênio Sales,
sobre críticas de parte da
imprensa brasileira a Dom Hélder.
Na Nota, Dom Eugênio afirma
que “estamos presenciando, através
dos meios de comunicação
social mais diversos, uma profunda
e tenaz campanha contra um dos bispos
brasileiros – D. Hélder
Câmara” e continua: “Podemos
discordar de algumas posições
assumidas pelo arcebispo de Olinda
e Recife; podemos desejar rumos diversos
em seus pronunciamentos aqui e foram
do Brasil. Torná-lo, entretanto,
objeto de uma sistemática campanha
onde se utiliza o ridículo,
não é correto”.
399 – “FALA
ABREU SODRÉ”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2. Publica nota
condenando recentes acusações
contra Dom Hélder, por parte
do governador de São Paulo,
Roberto de Abreu Sodré que
disse, entre outras coisas, que quando
o arcebispo viaja ao exterior “é
subvencionado com o objetivo de promoção
e propaganda comunista”. A acusações
de Sodré foram publicadas pelo
jornal carioca O Globo, a 08/10/1970.
400 – NASSER,
David. “COPA DA TRAIÇÃO”.
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 08 de
outubro de 1970. Artigo diz que o
deputado brasileiro Flávio
Marcílio, presidente da Comissão
das Relações Exteriores
da Câmara dos Deputados, quase
foi expulso de um congresso de parlamentares,
realizado em Haia, “por um senador
do Partido Comunista Francês,
coleguinha do peito de D. Hélder
Câmara”.
No artigo, Nasser afirma que o senador
francês negou legitimidade à
representação brasileira
“baseado nas denúncias
do Sr. Hélder” de que
o Brasil tortura presos políticos
(veja referência 366).
401 – “D.
AGNELO INTERPELA SODRÉ SOBRE
ACUSAÇÕES A D. HÉLDER”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2.
Transcreve carta, publicada a 09/10/1970
pelo jornal carioca O Globo, enviada
ao governador de São Paulo,
Abreu Sodré, pelo cardeal-arcebispo
de São Paulo, Dom Agnelo Rossi,
na qual o cardeal solicita provas
de acusações contra
Dom Hélder, partida do governador.
402 – “TORLONI
DEFENDE DOM HÉLDER”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2. O boletim transcreve
notícia veiculada a 09/10/1970
pelo jornal carioca O Globo, segundo
a qual o vice-governador de São
Paulo, Hilário Torloni, rebateu,
através de programa de televisão,
acusações contra Dom
Hélder feitas pelo governador
Roberto de Abreu Sodré (veja
referência 399).
Torloni diz sobre Dom Hélder:
“Ele de forma alguma pode ser
chamado de subversivo. É um
idealista, pois prega a renovação
da própria Igreja, buscando
a aproximação do povo
com ela.”
403 – NASSER,
David. “MINORIA”. In.
O Jornal, Rio de Janeiro, 09 de outubro
de 1970. Artigo comenta um encontro
entre o arcebispo de Diamantina, Dom
Geraldo de Proença Sigaud,
e o presidente do Brasil, general
Emílio Garrastazzu Médici.
No encontro, o arcebispo afirmou ao
presidente: “Assisti com os
meus próprios olhos a terrível
campanha de difamação
do Brasil no exterior”.
Ainda segundo David Nasser, Dom Sigaud
disse ao presidente que “parte
do clero optou pelo socialismo no
Brasil, havendo mesmo alguns setores
que admitem até uma fórmula
comunista como realização
do Evangelho”.
404 - NASSER, David.
“SINDICATOS EM VEZ DE IGREJAS”,
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 10 de
outubro de 1970. No artigo, o autor
afirma que Dom Hélder disse:
“A Igreja tem o dever de comprometer-se
nessa luta ao lado dos guerrilheiros,
os nossos bravos rapazes”, sem
determinar onde e quando esta frase
teria sido pronunciada. (*)
O artigo de David Nasser faz referências,
também, a um trecho de palestra
proferida por Dom Hélder em
Paris, quando o arcebispo denunciou,
pela primeira vez no exterior, a prática
de torturas contra presos políticos
brasileiros. (veja referência
366).
Nasser cita Theophilo de Andrade,
que fez acusações a
Dom Hélder, afirmando que as
críticas do arcebispo são
dirigidas “somente contra o
Brasil”, (...) “Os fuzilamentos
e as torturas, seja em Cuba, na Rússia,
na Hungria ou na Tchecoslováquia
não lhe merecem uma palavra”.
(*) Esse artigo de Nasser foi publicado
numa época em que Dom Hélder
estava proibido, por parte da Censura
Federal, de prestar qualquer depoimento
à imprensa brasileira.
405 - “ACUSAÇÕES
DE ABREU SODRÉ” Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2. Nota lembra
carta do presidente da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
cardeal Âgnelo Rossi, enviada
ao governador de São Paulo
solicitando provas de acusações
a Dom Hélder (veja referência
401), e cobra as provas.
406 -“SOBRE
AS ACUSAÇÕES A D. HÉLDER”.Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1970-2. Nota condena
a “campanha orquestrada e contínua
que se vem fazendo contra o sr. arcebispo,
Dom Hélder Câmara, em
todo o Brasil”, e diz que “afirmamos
e reafirmamos a gravidade do fato
de não se permitir ao acusado
o direito de defesa, o que é
absolutamente anormal e absurdo na
ordem jurídica”.
A nota cita, entre os acusadores
de Dom Hélder, o governador
de São Paulo, Roberto de Abreu
Sodré, e faz referência,
também, a vários sacerdotes
que têm defendido o arcebispo.
407 - NASSER, David.
“MINHA IGREJA”.In. O Cruzeiro,
Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1970.
Rebate carta do arcebispo de Teresina,
enviada ao autor do artigo e através
da qual o arcebispo afirma que “o
direito de criticar é incontestável”,
mas discorda da forma como Dom Hélder
vem sendo criticado. ( veja referência
396).
No artigo, novamente Dom Hélder
é rotulado de “falso
profeta” e Nasser afirma ainda:
“Minha Igreja não é
a de Dom Hélder. Não
é a Igreja dessa minoria que
advoga o marxismo como revitalização
do Evangelho”, e cita James
Walsh, “cardeal de minha Igreja,
torturado na China Comunista durante
doze anos e devolvido paralítico
e moribumdo.” “Acaso Dom
Hélder Câmara e a minoria
subversiva que o acompanha esboçaram
uma defesa, mesmo tímida, de
seu companheiro-mátir?”.
408 - NASSER, David.
“A VOZ DO PASTOR” In.
O Jornal, Rio de Janeiro, 13 outubro
de 1970. Artigo transcreve palavras
de Dom Jayme Câmara, cardeal-arcebispo
do Rio de Janeiro, divulgados através
de emissoras de rádio e através
das quais o cardeal afirma que, “para
advertir contra o perigo do comunismo,
não é mister acusar
o clero, como se todo ele estivesse
imbuído de idéias subversivas”.
409 - NASSER, David.
“SALESIANOS” In. O Jornal,
Rio de Janeiro, 15 outubro de 1970.
Artigo cita depoimento de Ubiratã
de Lemos sobre o trabalho das Missões
Salesianas na Amazônia, “mediante
o apoio e o estímulos diários
da FAB- Força Aérea
Brasileira e do Exército”,
e através do qual elogia David
Nasser por suas críticas a
Dom Hélder “e seu coral
de maledicência”.
410 -NASSER, David.
“PONTOS NOS ÍS”
In. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 outubro
de 1970. Artigo afirmando que a campanha
de David Nasser contra alguns padres
da chamada ala progressista da Igreja,
principalmente Dom Hélder,
não se trata de crítica
generalizada à Igreja e, sim,
àqueles sacerdotes que fazem
“pregações marxistas
e pseudamente modernistas”.
No artigo, David Nasser cita os
seguintes críticos de Dom Hélder:
Nelson Rodrigues, Gustavo Corção,
Theophilo de Andrade, Maurício
Caminha de Lacerda, Roberto de Abreu
Sodré e Ubiratã de Lemos.
411 -NASSER, David.
“MAUS BRASILEIROS” In.
O Jornal, Rio de Janeiro, 17 outubro
de 1970. Artigo afirmando que a campanha
de David Nasser vem fazendo através
da imprensa brasileira contra “uma
fração rebelde e desajustadas
de padres políticos”
não é uma campanha contra
o ‘sacerdote geral”.
412 - “PRÊMIO
NOBEL À VIOLÊNCIA?”
O Estado de São Paulo, São
Paulo, 18 outubro de 1970. O jornal
transcreve artigo atribuído
ao jornalista Arlid Lilebo, no jornal
Morgenposten, de Oslo, através
do qual são veiculadas várias
acusações contra Dom
Hélder (entre elas a de que
o arcebispo “é um grande
admirador de Fidel Castro e prega
a violência”) e condena
a sua indicação feita
“no verão passado pela
Federação Mundial Luterana”,
para o prêmio Nobel da paz de
1970. (veja referência 339).
No artigo, são citados os
seguintes acusadores de Dom Hélder:
os brasileiros David Nasser, Lenildo
Tabosa Pessoa, Carlos Alberto Christo
e a revista O Cruzeiro; o sueco Suen
Lindqfist; e o americano Jonh Gunther.
413 - NASSER, David.
“OVELHA NEGRA” In. O Jornal,
Rio de Janeiro, 18 outubro de 1970.
Artigo através do qual o autor
diz que, quando iniciou sua campanha
contra Dom Hélder através
da imprensa, já sabia que ia
entrar “num mar de raios e ventos
fortes”, ou seja, estaria sujeito
a críticas por conta de suas
denúncias.
No artigo, Nasser afirma que a campanha
contra Dom Hélder é
semelhante as que já fizera
contra o ex-governador Leonel Brizola
e contra o ex-presidente do Brasil
Jânio Quadros, e diz: “Fazêmo-lo
pela pátria, pelo Brasil, pelo
povo, todos nós, inclusive
pelo inocentismo útil dos que
pensam que Dom Hélder ainda
lê os evangelhos”.
Obs: as justificativas de David
Nasser devem-se a uma carta que lhe
foi enviada pelo arcebispo de Teresina,
Dom Avelar Brandão Vilela,
através da qual o religioso
afirma que “o direito de criticar
é incontestável”,
mas discorda da forma como o jornalista
vem acusando Dom Hélder. (veja
referência 396).
414 - NASSER, David.
“O CRISTO FUZILADO” In.
O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 20 outubro
de 1970. Artigo publicado na seção
“Diário Inédito
de David Nasser”, critica encenações
da Paixão de Cristo, apresentadas
em igrejas de Pernambuco, “na
diocese do Arcebispo Vermelho (Dom
Hélder), como adora ser chamado”
porque, entre outras coisas, os atores
são “cabeludos como qualquer
integrante da jovem guarda, usam roupas
modernas com listras vermelhas, a
virgem Maria faz um comício
e a platéia pede o fuzilamento
de Cristo”.
415 – NASSER,
David. “GOVERNAR POR TORTURAS”.
In O Jornal, Rio de janeiro, 21 outubro
de 1970. Artigo – “para
desmascarar de uma vez por todas a
ingênua defesa do romeiro do
ódio ao Brasil e melhor esclarecer
àquelas que, sem conhecimento
exato da sua verdadeira ação,
censuram a fixidez desta nossa crítica”
– publica frases que Dom Hélder
“pronunciou em maio deste ano
em Salzburg, na Áustria, e
as publicou no número de agosto-setembro
recentíssimos, da revista Neues
Forum, de Viena”.
As frases que Dom Hélder
dissera tratam-se de denúncias
da prárica de torturas contra
presos políticos no Brasil.
461 – NASSER,
David. “CRISTÃOS SUICIDAS”
In. O Jornal, Rio de janeiro, 23 outubro
de 1970. No artigo, David Nasser afirma
que “quem está defendendo
a Igreja Católica, não
são alguns sacerdotes desajustados
(...) mas aqueles, como nós,
que sem por em dúvida os seus
dogmas, não aceitam a interpretação
adulterada por uma minoria suspeita”.
O autor do artigo afirma também
que Dom Hélder “defende
a união dos católicos
com os marxistas para construir uma
sociedade baseada na justiça
social”.
417 - NASSER, David.
“CENTRAL DE DIFAMAÇÃO”.
In. O Jornal, Rio de janeiro, 24 outubro
de 1970.
No artigo, Nasser afirma que Dom Hélder
é “a usina de todos os
insultos ao Brasil na França,
na Suécia, na Alemanha, no
Canadá e até no Japão”,
e “o mais categorizado porta-voz”
de uma “impatriótica
célula marxista-lenista”
acrescentando que suas críticas
contra o arcebispo de Olinda e Recife,
publicadas pela imprensa brasileira,
têm o objetivo de não
confundir Dom Hélder com a
Igreja de Cristo.
418 – “A
CARTA DE ABREU SODRÉ”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, Recife, vol.1970-2. Boletim
diz que o governador de São
Paulo, Roberto de Abreu Sodré,
entregou, dia 23 de outubro de 1970,
carta ao cardeal Agnelo Rossi, presidente
da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil-CNBB, na qual o governador
apresenta “as provas”
de acusação que fez
recentemente a Dom Hélder,
ou seja, de que o arcebispo de Olinda
e Recife pertence “à
máquina de propaganda do Partido
Comunista”. (veja referência
401).
Roberto de Abreu Sodré, segundo
o boletim, apresentou como provas
de suas acusações alguns
recortes de jornais e revistas do
Brasil e do estrangeiro, além
do livro “A Revolução
dentro da Paz”, de autoria de
Dom Hélder.
419 – CÂMARA,
Hélder. “A PROPOSITO
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