1969
312 – OLIVEIRA,
Plínio Corrêa de. “O
ARCEBISPO VERMELHO ABRE AS PORTAS
DA AMÉRICA E DO MUNDO PARA
O COMUNISMO”. In. Folha de São
Paulo, São Paulo, 01 de fevereiro
de 1969.
 |
Em matéria
paga, o presidente do Conselho
Nacional da Sociedade Brasileira
de Defesa da Tradição,
Família e Propriedade
(TFP), Plínio Corrêa
de Oliveira, condenou discurso
de Dom Hélder, pronunciado
a 27 de janeiro de 1969, em
Nova Iorque, durante o encerramento
da VI Conferência Anual
do Programa Católico
de Cooperação
Interamericana, sob o argumento
de que as palavras do arcebispo
de Olinda e Recife “delineiam
toda uma política de
entrega do mundo, e mais particularmente
da América, ao comunismo”.
Entre outras coisas, Plínio
Corrêa condena as posições
de Dom Hélder defendendo
o ingresso da China comunista
nas Nações Unidas
e solicitando a reintegração
de Cuba na comunidade latino-americana.
Este mesmo texto seria publicado,
também, pelo jornal O
Globo, Rio de Janeiro, a 06
de fevereiro de 1969.
|
313 – “JUANITA
CRITICA D. HÉLDER”. Folha
de São Paulo, São Paulo,
09 de fevereiro de 1969.
Diz o jornal que a sra. Juanita Castro,
irmã de Fidel Castro, criticou
Dom Hélder através de
comentário que será
divulgado hoje pela Rádio Nova
Iorque, conforme anunciou um telegrama
da agência de notícias
United Press International (UPI),
procedente de Miami. Declaração
de Juanita, segundo o jornal: “Em
vez de arcebispos vermelhos como Dom
Hélder Câmara, precisamos
é de cardeais valentes como
Josef Mindszenty.”
314 – “D.
HÉLDER É PERSONAGEM
DE ROMANCE POLÍTICO NA FRANÇA”.
O Globo, Rio de Janeiro, a 26 de fevereiro
de 1969. Notícia diz que o
boletim mensal da Societé D’Études
Latino-Americanes, organização
sediada no Boulevard Saint-Germain,
em Paris, publica, em seu número
de fevereiro, artigo sobre o romance
“L’archevéque des
Favelles” (O Arcebispo das Favelas),
de Roger Bourgeon, editado recentemente
na França.
O jornal informa que o livro não
se propõe ser obra de ficção
e, sim, “uma espécie
do que o editor considera como algo
assemelhado à biografia do
padre Hélder Câmara”
e diz, também, que o artigo
do boletim da Societé vem acompanhado
de depoimentos do sociólogo
brasileiro Gilberto Freyre (acusando
Dom Hélder de “vermelho”)
e de Gustavo Corção
para quem Dom Hélder “ajuda
o comunismo, mesmo sem ser comunista”.
315 – “D.
HÉLDER QUER QUE JOVENS SIGAM
EXEMPLOS DOS BEATLES”. O Globo,
Rio de Janeiro, a 11 de abril de 1969.
Notícia sobre um sermão
de Dom Hélder, pronunciado
no dia anterior, num congresso de
movimento estudantil, em Manchester,
Inglaterra, através do qual
o arcebispo afirma que os jovens se
unam aos Beatles nos protestos contra
o que existe de ruim na sociedade.
“(...) Vocês devem mudar
fundamentalmente a norma do comércio
internacional, eliminar o neo-colonialismo
e fomentar o desenvolvimento de toda
a humanidade (...)”.
Na mesma edição, o
jornal publica o editorial “D.
Hélder: Estudantes devem imitar
Beatles – Um sermão em
Manchester”, através
do qual afirma que “os Beatles
desviaram-se da música para
a propaganda aberta da depravação,
ajudada pelo uso de toda sorte de
drogas entorpecentes” e diz
que “exaltar hoje, na atual
fase da carreira deles, os Beatles
é ajudar a propagar os vícios
dos Beatles”.
O editorial cita Dom Hélder
como um pregador das posições
dos Beatles e afirma: “Ao que
sabíamos, nem mesmo o profeta
do anarquismo da juventude, Herbert
Marcuse, chegou ao ponto de pregar
o uso de drogas entorpecentes ao seu
público”. Em nenhum momento,
porém, (tanto do editorial
quanto da notícia sobre o pronunciamento
de Dom Hélder) o jornal transcreve
citações que indicassem
que o arcebispo recomendou o uso de
drogas.
316 – “D.
H. DIZ PORQUE CITOU OS BEATLES”.
Folha de São Paulo, São
Paulo, 15 de abril de 1969.
Dom Hélder afirma que a imprensa
brasileira modificou o sentido de
suas idéias ao sugerir que
os jovens seguissem o exemplo dos
Beatles. Diz ter proposto que os jovens
fizessem como os integrantes daquela
banda, ou seja, protestar sem violência.
Segundo o arcebispo, ele nunca sugeriu
que a juventude usasse drogas, como
insinuou o jornal O Globo, do Rio
de Janeiro (veja referência
315).
317 – “DOM
HÉLDER NO GALEÃO DIZ-SE
MAIS UMA VEZ MALENTENDIDO”.
O Globo, Rio de Janeiro, a 15 de abril
de 1969.
Jornal informa que, ao passar pelo
Aeroporto do Galeão, Rio de
Janeiro, rumo a Buenos Aires, procedente
de Londres, Dom Hélder afirmou
que, mais uma vez, a imprensa brasileira
interpretou erradamente suas declarações.
Desta vez, quando ele pedira que os
jovens seguissem o exemplo dos Beatles
(veja referências 315 e 316).
318 – “D.H.
E OS BEATLES”. Jornal do Commercio,
Recife, 16 de dezembro de 1968.
Na coluna “Alex apresenta assuntos
sociais”, o colunista José
de Souza Alencar afirma que, no primeiro
encontro que tiver com Dom Hélder,
vai indagar se o arcebispo, realmente,
recomendou os jovens seguirem o exemplo
do conjunto musical inglês The
Beatles e comenta que “poucas
coisas me escandalizaram nestes últimos
tempos”.
Obs. A referida declaração
data de 10 de abril de 1969 quando,
em Manchester, Inglaterra, Dom Hélder
sugeriu que os jovens seguissem o
exemplo dos Beatles que protestam
sem usar da violência. Ao noticiar
o episódio, o jornal carioca
O Globo interpretou que Dom Hélder
estava recomendando a juventude “usar
drogas entorpecentes”, uma vez
que os integrantes dos Beatles usavam
esse tipo de drogas (veja referências
315 e 316).
319 – “NOTÍCIA
SOBRE O BÁRBARO TRUCIDAMENTO
DO PADRE ANTÔNIO HENRIQUE PEREIRA
DA SILVA NETO, NO RECIFE, A 27 DE
MAIO DE 1969”. In. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1969-1, pgs.
99-100.
Texto traz uma rápida biografia
do padre Antônio Henrique Pereira
da Silva Neto, auxiliar direto de
dom Hélder, assassinado no
Recife, cujo corpo foi encontrado,
a 27 de maio de 1969, num matagal
da Cidade Universitária, campus
da Universidade Federal de Pernambuco,
com marcas de três tiros de
revólver na cabeça e
vários sinais de tortura. Faz,
também, um relato de tudo o
que aconteceu até o sepultamento.
Em nenhum momento, o texto faz referência
ao autor ou autores do crime. Diz
que “o sacerdote foi amarrado,
arrastado, recebeu três balas
na cabeça e algumas torturas,
todos os golpes atingiram exclusivamente
a cabeça” e informa que
Dom Hélder acompanhou o caso
desde a identificação
do corpo até o sepultamento,
quando aconteceram tumultos e correrias.
Segundo o texto do Boletim, durante
o sepultamento do Padre Henrique “o
cortejo foi interceptado por um numeroso
pelotão da Polícia Militar,
houve um começo de pânico,
mas logo se estabeleceu a calma”.
Uma das razões dos tumultos
foi a exigência, por parte da
Polícia, da retirada de faixas
que eram conduzidas pelos acompanhantes
do cortejo. Houve prisões,
entre elas a de Osvaldo Lima Filho,
deputado federal cassado, e de um
membro do Corpo de Bombeiros que ajudava
conduzir o caixão.
O assassinato do Padre Henrique
jamais seria esclarecido e teria sido
uma ação das forças
da repressão.
320 – CÂMARA,
Hélder e outros. “NOTA
DA ARQUIDIOCESE DE OLLINDA E RECIFE”.
Texto mimeografado, distribuído
pela Arquidiocese de Olinda e Recife
à população.
In. Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1969-1, pg. 99.
Texto, datado de 27 de maio de 1969,
é nota oficial da Arquidiocese
comunicando o assassinato do Padre
Henrique Pereira da Silva Neto (veja
referência 319). Afirma: “(...)
o que há de particularmente
grave no presente crime, além
dos requintes de perversidade de que
se revestiu (...) é a certeza
prática de que o atentado brutal
se prende a uma série pré-estabelecida
e objeto de ameaças e avisos
(...)”.
Diz ainda o texto: “(...)
o trabalho sinistro deste novo esquadrão
da morte foi precedido de ameaças
escritas em edifícios, acompanhadas,
por vezes, de disparos de arma de
fogo (...)”. Afirma, também,
que, depois de vários atentados
a órgãos da Igreja,
“vieram, depois, ameaças
telefônicas com o anúncio
de que já estavam escolhidas
as próximas vítimas”.
O texto é assinado por Dom
Hélder, pelo vigário-geral
Dom José Lamartine Soares,
além de três outros sacerdotes.
321 – CÂMARA,
Hélder e outros. “NOTA
DO GOVERNO COLEGIADO”. In. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1969-1.
Texto datado de 27 de maio de 1969
explica que a notícia sobre
o assassinato do padre Henrique (veja
referência 319) foi veiculada
em nota mimeografada, distribuída
pela Arquidiocese à população,
“em vista de não se contar,
até aquele momento, com os
meios de comunicação
social para fazê-lo”.
322 – “MORTE
DO PADRE ANTÔNIO HENRIQUE: GRANDE
PESAR DA ARQUIDIOCESE”. Boletim
Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1969-1.
Notícia sobre o assassinato
do padre (veja referências 319)
e nota oficial da Arquidiocese sobre
o episódio (veja referência
321).
323 – “VISITA
DO SECRETÁRIO GERAL DA CNBB”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1969-1.
Secretário Geral da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
Dom Aloísio Lorscheider, vem
ao Recife trazer solidariedade à
comunidade arquidiocesana, em face
do assassinato do Padre Henrique (veja
referência 319). Dom Aloísio
permaneceu dois dias no Recife, onde
manteve reuniões com sacerdotes
e visitou a família do padre
morto.
324 – “HOMILIA
PARA A MISSA DE SÉTIMO DIA
DA MORTE DO PADRE ANTÔNIO HENRIQUE
PEREIRA NETO”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1969-1.
O texto relembra o assassinato do
Padre Henrique (veja referência
319) e afirma que ele “foi condenado
à morte porque era incômodo
e irritante para muitos egoísmos
o Evangelho que ele pregava”.
Assinado por Dom José Lamartine
Soares, vigário geral da Arquidiocese
de Olinda e Recife, o texto compara
o assassinato do Padre Henrique com
o do apóstolo São Paulo;
diz que o mesmo tem ocorrido “mais
perto de nós, no tempo, com
numerosos cristãos, do Oriente
e do Ocidente, na vigência de
sistemas totalitários da direita
e da esquerda”, e ainda comenta:
“É esta também
a sorte de numerosos apóstolos
no Brasil, padres e leigos. Pudessem
a imprensa, o rádio e a televisão
falar de todos os que sofrem. A morte
do padre Henrique foi um grito tão
próximo de todos e encontrou
tal repercussão que não
foi possível abafá-lo.”
325 – “EL
TELEGRAFO: D. HÉLDER NÃO
VÊ MALES NO COMUNISMO”.
O Globo, Rio de Janeiro, a 24 de julho
de 1969.
Notícia diz que o jornal El
Telegrafo, de Guaiaquil, Equador,
publicou, dia 05 de julho de 1969,
artigo assinado por Luis Fernandes
Caubi, para quem Dom Hélder
defende o comunismo (veja também
referência 319).
326 – “VATICANO
NEGA CENSURA A D.H.”. Jornal
do Brasil, Rio de Janeiro, 24 de julho
de 1969.
Santa Sé desmentiu, através
de nota, “rumores de procedência
ignorada” segundo os quais teria
solicitado que Dom Hélder submetesse,
previamente, seus discursos à
consideração da Secretaria
do Estado do vaticano.
327 – PESSOA,
Lenildo Tabosa. “A NOTA DA SANTA
SÉ DESAUTORIZA D. HÉLDER”.
In. O Estado de São Paulo,
São Paulo, 27 de julho de 1969.
O artigo publica íntegra de
nota da Santa Sé desmentindo
notícia de que a Secretaria
de Estado do vaticano teria ordenado
a Dom Hélder “que não
pronunciasse mais discursos que não
tenham sido, vez por vez, aprovados”
por aquela Secretaria e que o arcebispo
“não faça conferências
fora de sua diocese”.
Embora a nota da Santa Sé
desminta a censura a Dom Hélder,
Lenildo Tabosa diz que, “para
quem conhece a linguagem e os hábitos
da diplomacia vaticana (...), o texto
da nota “parece indicar que
a Santa Sé quis oficializar
publicamente sua desaprovação
também a respeito de posições
políticas de D. Hélder,
que, de resto, são quase as
únicas que aparecem em seus
discursos e conferências”.
O boato de que o Vaticano pretendia
censurar os pronunciamentos de Dom
Hélder foram divulgados pela
imprensa brasileira com base não
se sabe em que.
328 – “A
NOTA DA SANTA SÉ DESAUTORIZA
D. HELDER”. O Estado de São
Paulo, São Paulo, 27 de julho
de 1969.
O jornal publica nota da Santa Sé
e diz que, apesar dela desmentir censura
a Dom Hélder (veja referência
316), “é uma desautorização
ao arcebispo de Olinda e Recife”.
329 – “ARTICULISTA
EQUATORIANO ESCREVE SOBRE DOM HÉLDER”.
Jornal do Commercio, Recife, 31 de
julho de 1969.
Jornal transcreve artigo, assinado
por Luiz Fernandez Caubi, publicado
a 05 de junho de 1969 no El Telegrafo,
de Guaiaquil, sob o título
“Minha impressão sobre
D. Hélder Câmara”,
criticando o arcebispo por defender
a admissão da China comunista
na Organização das Nações
Unidas.
330 – “WANDENKOLK
MANTÉM PONTO DE VISTA, MAS
EVITA CRÍTICAS, POIS D.H. NÃO
FALA”. Diario de Pernambuco,
Recife, 06 de agosto de 1969.
Vereador recifense Wandenkolk Wanderley
afirma ter diminuído as freqüentes
críticas a Dom Hélder
porque, ultimamente, o arcebispo não
lhe responde.
331 – “PADRE
EXPLICA CONVITE A DOM HÉLDER”.
Jornal do Commercio, Recife, 10 de
agosto de 1969.
Representante da Arquidiocese de Olinda
e Recife fala sobre notícias
veiculadas na imprensa dando conta
de que o Papa Paulo VI teria desautorizado
Dom Hélder proferir conferências.
332 – “D.
H. E GILBERTO FREYRE TROCAM ACUSAÇÕES
EM JORNAL”. O Globo, Rio de
Janeiro, a 13 de agosto de 1969.
Em acusações publicadas
pelo jornal La Stampa, de Turim, Itália,
o sociólogo Gilberto Freyre
afirma que Dom Hélder “não
passa de um demagogo que se assemelha
muito a Goebbles”, enquanto
Dom Hélder afirma que Freyre
é um “reacionário
que tem a profundeza e a vastidão
dos intelectuais de raça”.
333 – “D.H.
E G.F. TROCAM ACUSAÇÕES
NO JORNAL LA STAMPA, DE TURIM, ITÁLIA”.
Jornal do Commercio, Recife, 14 de
agosto de 1969 (veja referência
332).
334 – CÂMARA,
Hélder e José Lamartine
Soares. “EM DEFESA DA PESSOA
HUMANA”. In. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1969-2.
Íntegra de carta enviada ao
governador de Pernambuco, Nilo Coelho,
em protesto contra torturas aos estudantes
Luís Medeiros de Oliveira e
Elenaldo Celso Teixeira, que se encontra
presos no Recife, acusados de “praticarem
atividades políticas ilegais”.
335 – CÂMARA,
Hélder. “AOS HOMENS DE
BOA VONTADE”. In. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1969-2. Texto,
datado de 28/agosto/1969, comentando
o assassinato do padre Antônio
Henrique Pereira da Silva Neto (veja
referência 319) e possíveis
erros na condução do
processo que apura o crime.
Dom Hélder fala, também,
“da proibição
estranha de a imprensa escrita e falada,
do Recife, noticiar o assassinato
e convidar para o enterro e para a
missa” e acrescenta: “a
imprensa local só logrou falar
quando já seria escandaloso
demais silenciar, dada a repercussão
mundial do crime”.
O texto de Dom Hélder diz
“haver indícios claros
de crime político”, estranha
o fato de só existir um suspeito
de envolvimento no processo e lembra
que, pouco antes do assassinato, membros
do Comando de Caça aos Comunistas
(CCC) praticaram atentados à
bomba no local de trabalho do Padre
Henrique e afirma:
“As circunstâncias de
o padre Antônio Henrique, pessoalmente,
não ser político-partidário
não o exime de ter sido vítima
de extremistas, em vista de sua real
atuação junto à
juventude, num trabalho de conscientização
que, por ser integral, não
omitia o aspecto da informação
política.”
336 – “DOM
HÉLDER E A SANTA SÉ”.
Boletim Arquidiocesano, órgão
oficial da Arquidiocese de Olinda
e Recife, vol. 1969-2.
Nota desmente notícia divulgada
pela segunda vez, agora através
do rádio e da televisão
do Recife, segundo a qual a Santa
Sé teria proibido Dom Hélder
de falar fora de sua diocese.
337 – “A
PROPÓSITO DA PENA DE MORTE”.
Carta do sr. Agostinho A. Santos Silva
ao Diário de Pernambuco, Recife,
19 de setembro de 1969.
O autor da carta contesta declarações
de Dom Hélder à imprensa
condenando a pena de morte. Cita o
pensador católico conservador
Gustavo Corção, para
quem a pena de morte é “uma
decorrência natural da situação
atravessada pelo País (Brasil)”.
338 – “AOS
CRISTÃOS E A TODOS OS HOMENS
DE BOA VONTADE”. Boletim Arquidiocesano,
órgão oficial da Arquidiocese
de Olinda e Recife, vol. 1969-2.
Texto datado de 28/11/1969, assinado
por Dom Hélder e mais 12 bispos
do Nordeste brasileiro, em protesto
contra a prisão, em Porto Alegre,
Rio Grande do Sul, do monsenhor Marcelo
Carvalheira, diretor do Instituto
de teologia do Recife.
339 – “CANDIDATARÁ
DOM HÉLDER AO PRÊMIO
NOBEL”. Diário de Pernambuco,
Recife, 04 de dezembro de 1969.
Secretário Geral da Confederação
Latino-Americana Sindical Cristã,
Emílio Maspero, disse que vai
propor , “em nome de cinco milhões
de trabalhadores e camponeses”,
a candidatura de Dom Hélder
ao Prêmio Nobel da Paz 1970.
340 – “HIPPIES:
TEORIA & PRÁTICA”.
O Globo, Rio de Janeiro, a 08 de dezembro
de 1969. Em editorial, o jornal comenta
os assassinatos da atriz Sharon Tate
e mais quatro pessoas, “cometidos
por hippies em agosto último”
na Califórnia, Estados Unidos
da América. Depois, transcreve
declarações de Dom Hélder
recomendando aos jovens que seguissem
o exemplo dos Beatles (protestar sem
violência) e dizendo entender
os hippies “com seus slogans,
seu lirismo, seus excessos psicodélicos
e a sua imensa amargura”.
Juntando os dois episódios
(os assassinatos e as declarações
de Dom Hélder), o jornal conclui
que “a aplicação
das teorias sobre a não-violência
gerou o gosto pela superviolência,
o fascínio pelas formas elaboradas
de crueldade”. E afirma que
Dom Hélder e o filósofo
Herbert Marcuse (defensores da não-violência)
“embora talvez muito bem intencionados,
não têm razão”
pois, “na prática, a
teoria é bem diferente, como
diz o povo”.
|