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A RESISTÊNCIA DEMOCRÁTICA

1968

146 – CÂMARA, Hélder. “CONVERSA CLARA FAZ BONS AMIGOS”. In. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1968-2, págs. 96-99.

Transcreve íntegra de palestra de Dom Hélder, proferida no encerramento do I Encontro das Federações dos Trabalhadores Rurais do Nordeste, realizado na cidade de Carpina, Pernambuco, a 26 de janeiro de 1968.

Na palestra, Dom Hélder se solidariza com os trabalhadores rurais que, segundo o arcebispo, “estão pagando com a vida a audácia de defender direitos fundamentais do homem”.

Trechos da palestra de Dom Hélder que, depois, provocaria reação de seus opositores, inclusive uma petição de interpelação judicial contra o arcebispo (único processo que o atingiria em toda sua vida) apresentada pelo advogado Adige Maranhão à 24ª Vara Civil do Recife:

-“O Governo exige folha corrida para que o operário possa participar de eleições sindicais. O Governo sabe que, sobretudo no interior, a polícia não tem meios de resistir ao ricaço local, manda-chuva, todo poderoso que controla, direta ou indiretamente, a política, a polícia, o juiz de direito e os jurados”.

- “Se os trabalhadores abrirem os olhos, acabarão descobrindo que, ao lado de advogados honestos e dignos, há rábulas se enriquecendo à custa de lágrimas, suor e sangue dos trabalhadores.”

- “Permiti que vos alerte para um segundo cancro que nos rói por dentro. Os trabalhadores precisam de advogados. Mas, devem repelir, como traidores, advogados de sindicatos trabalhadores que recebem dinheiro dos patrões para fazer os trabalhadores aceitarem acordos injustos e imorais.”

147 – “A IGREJA E O PROCESSO BRASILEIRO”. Boletim Cambial/Semanal, Rio de Janeiro, nº 304, 05 de fevereiro de 1968, págs. 1 e 12-15.
A revista publica reportagens sobre a relação Igreja/Estado no Brasil, da qual faz parte uma entrevista com Dom Hélder.

A revista defende a atuação das correntes progressivas da Igreja e, em editorial, afirma que os diversos conflitos entre o governo brasileiro e a Igreja são decorrentes da falta de compreensão da “semântica religiosa e social, pois é absolutamente certo que não há no País nenhum bispo a serviço de Moscou”.

148 – CÂMARA, Hélder. “CARTA AO JUIZ DE DIREITO CARLOS ALBERTO PEDROSA MARINHO”. In. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1968-2, págs. 100-03.

Publica íntegra de carta de Dom Hélder, datada de 09 fevereiro de 1968, em resposta ao juiz da 24ª Vara Cível do Recife, Carlos Alberto Pedrosa Marinho, que deferiu petição de interpelação judicial, apresentada contra o arcebispo pelo advogado Adige Maranhão, porque, em palestra proferida dia 26 de janeiro de 1968, na cidade de Carpina, Pernambuco, Dom Hélder afirmou existirem advogados honestos e desonestos. (veja referência 146).

A interpelação judicial considerou que Dom Hélder ofendeu uma “corporação inteira” e solicitou que o arcebispo apontasse, em juízo, “quem são os que se enquadram na adjetivação”, coisa que Dom Hélder não fez.

149 – CÂMARA, Dom Hélder. “DEPOIMENTO AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO”. In. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1968-2, págs. 104-06.
Publica íntegra do depoimento de Dom Hélder, apresentado por escrito ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Ribeiro do Vale, datado de 12 de fevereiro de 1968. (veja referência 148)

150 – “DOM HÉLDER CÂMARA CONFIRMA DENÚNCIA”. O Estado de São Paulo, São Paulo, 13 de fevereiro de 1968.

Notícia sobre o depoimento de Dom Hélder ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), onde uma interpelação judicial convoca o arcebispo a explicar trechos de uma palestra sobre trabalhadores rurais, na qual ele fala sobre a atuação de juizes desonestos (veja referência 146).

Segundo a notícia, o presidente do TJPE, José Ribeiro do Vale, afirmou que a imprensa errara ao falar em “interpelação judicial”, pois o que houve “foi um ofício pedindo que Dom Hélder ajudasse o Tribunal, no interesse da disciplina da classe, citando juízes faltosos”.

José Ribeiro do Vale disse, também, que o Tribunal iria apreciar o depoimento de Dom Hélder em sessão interna, “sem ser pública”, e, não tendo o arcebispo citado nomes em seu depoimento, deu o caso por encerrado.

151 – CÂMARA, Hélder. “NOVA INQUISIÇÃO OU TENTATIVA DE JUSTIÇA PARA MILHÕES”. In. Dom Hélder Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1967-69.

Publica íntegra do discurso de Dom Hélder, dia 03/03/1968, durante solenidade de instalação da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife. Um trecho do discurso:

“Rigorosamente dentro de lei e dentro da não-violência, procuraremos enfrentar injustiças venham de onde vierem, mesmo de todo-poderosos, capazes de fazer a terra desaparecer debaixo dos pés e o ar rarefazer-se, e os amigos sumirem, e testemunham se intimidarem, e fecharem-se, perigosamente, veículos de comunicação sociel.”

No discurso, Dom Hélder lembra que, quando surgiram as primeiras notícias sobre a fundação da Comissão de Justiça e Paz, um jornal publicou que “se armava, no Recife, um novo Tribunal da Inquisição”.

152 – “D. H. DIZ NO VATICANO QUE PODERÁ SER ASSASSINADO”. Diário de Pernambuco, Recife, 23 de abril de 1968.

Notícia diz que Dom Hélder declarou, em Roma, onde se encontra o seguinte: “Minha eliminação é mais fácil do que se imagina e pode ser que minha atual visita a Roma seja a última.”

153 – “Pe. H. ADMITE MORRER COMO KING”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 de abril de 1968.
Notícia diz que Dom Hélder declarou, em Strasburg, França, que “devido à minha defesa da não-violência”, poderá ter fim semelhante ao de Luther King, ou seja, assassinado.

154 – “HÉLDER CONFIRMA QUE FIM DE KINGA PODE SER O SEU”. Jornal do Commercio, Recife, 24 de abril de 1968 (veja referência 153).

155 – “PADRES ESTRANHAM ELIMINAÇÃO PREVISTA POR HÉLDER”. Jornal do Commercio, Recife, 24 de abril de 1968.
Reportagem com depoimentos de “vários padres recifenses” (o jornal não cita nomes) dizendo estranhar declarações de Dom Hélder na França (veja referência 153).

156 – “H. ADMIRA GUEVARA MAS DIZ PREFERIR KING”. Diário de Pernambuco, Recife, 25 de abril de 1968.
Notícia sobre uma conferência de Dom Hélder na França, através da qual o arcebispo diz ser necessário uma verdadeira revolução cultural no mundo e afirma: “Respeito a Camilo Torres e a Che Guevara, embora prefira a linha do doutor Martim Luther King.”

157 - CÂMARA, Hélder. “ÚNICA OPÇÃO, A VIOLÂNCIA”. In. Dom Hélder Pronunciamentos, Arquidiocese de Olinda e Recife, Recife, vol. 1967-69.
Íntegra de conferência de Dom Hélder, na Sala da Mutualidade, em Paris, a 25/04/1968, sobre a violência mundial, tanto em países capitalistas quanto nos socialistas. Dom Hélder diz existir uma violência instalada no mundo e afirma: “O mundo inteiro tem necessidade de uma revolução estrutural”.

158 – “GILBERTO FREYRE TEME QUE Pe. HÉLDER MORRA ATROPELADO PORQUE ANDA MUITO A PÉ”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 de abril de 1968.
Notícia diz que o sociólogo Gilberto Freyre, de passagem pelo Rio de Janeiro, declarou que Dom Hélder “errou de vocação, deveria ser ator” e, ao comentar informações sobre ameaças de morte contra o arcebispo (veja referência 153), afirmou: “ameaça só de atropelamento” pois trata-se de “imaginação fértil de quem errou de vocação”. Freyre disse, também, que Dom Hélder está traindo seus objetivos de sacerdote ao tratar de assuntos políticos.

159 – “FORTALEZA TEME PELA VIDA DE D.H.”. Jornal do Commercio, Recife, 26 de abril de 1968.
Notícia diz que meios eclesiásticos de Fortaleza, Ceará, ficaram perplexos com a possibilidade de assassinato de Dom Hélder, conforme vem divulgando a imprensa (veja referência 153).

160 – “PISTOLEIRO CONTRATADO PARA MATAR DOM HÉLDER, DIZ BOLETIM CAMBIAL”. Jornal do Commercio, Recife, 27 de abril de 1968. Notícia diz que o Boletim Cambial, do Rio de Janeiro, edição de 16 de abril de 1968, traz, em uma seção sob o título “Reservado”, informações de que Dom Hélder teria revelado a amigos, antes de embarcar para a Europa, que fora procurado, no Recife, por um pistoleiro que lhe disse ter sido contratado para matá-lo.

As informações da publicação afirmam que o pistoleiro teria revelado a Dom Hélder o nome da pessoa que contratara seus “serviços profissionais” e que ele resolveu contar o caso ao arcebispo porque não tinha coragem de matar um padre.

161 – “Pe. HÉLDER CHEGA HOJE AO RECIFE E DEPUTADO PEDE À POLÍCIA PARA PROTEGÊ-LO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 de abril de 1968.
Notícia diz que o deputado Edmir Régis, do Partido do Governo (Aliança Renovadora Nacional-ARENA), pediu ao secretário de Segurança de Pernambuco para enviar ao aeroporto do Recife dispositivo policial para proteger Dom Hélder que chega hoje da Europa e que, como tem divulgado a imprensa, vem sofrendo ameaças de morte (veja referência 153).

162 – “D.H. DESMENTE AO REGRESSAR DA EUROPA HAJA DENUNCIADO AMEAÇAS DE MORTE: HIPÓTESE”. Diário de Pernambuco, Recife, 28 de abril de 1968.
Notícia diz que Dom Hélder desmentiu, ao regressar da Europa, que tenha falado que estava ameaçado de morte, conforme noticiou a imprensa (veja referência 153). O arcebispo disse ter falado apenas “numa hipótese”.

163 – “Pe. HÉLDER EXPLICA SUAS DECLARAÇÕES”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 de abril de 1968. Notícia diz que Dom Hélder afirmou que a imprensa brasileira deturpou suas declarações na França, segundo às quais estaria ameaçado de morte (veja referência 153).

V. também: “AMEAÇA DE MORTE É PURA NOVELA”. Diário de Pernambuco, Recife, 28 de abril de 1968; e “D.H. INSISTE EM CLASSIFICAR DE RIDÍCULA NOTÍCIA SOBRE AMEAÇA”. Diário da Noite, Recife, 28 de abril de 1968.

164 – “D.H.: FALEI EM AMEAÇA COMO UM EXEMPLO E NÃO COMO UMA REALIDADE”. Folha de São Paulo, São Paulo, 28 de abril de 1968 (veja referência 163).

165 – “LÍDER SINDICAL DEFENDE H. DE CRÍTICAS QUE UM LOCUTOR LHE DIRIGIU”. Jornal do Commercio, Recife, 30 de abril de 1968.
Notícia diz que o presidente da Federação dos Trabalhadores de Alagoas, Antônio Jacinto, enviou ofício à Arquidiocese de Olinda e Recife lamentando críticas a Dom Hélder partidas de um locutor de rádio daquele Estado através do programa “Manhãs Brasileiras”.

166 – “HÉLDER PASSOU DOMINGO EM PAZ SEM VIGILÂNCIA E SEM TEMER ELIMINAÇÃO”. Jornal do Commercio, Recife, 30 de abril de 1968.

167 – MARINHO, Roberto. “O PADRE HÉLDER”. In. O Globo, Rio de Janeiro, 03 de maio de 1968. Em editorial, o proprietário do jornal O Globo, Roberto Marinho, diz ser Dom Hélder “um pastor que admiro com reverência” e “um atuante social de quem divirjo com respeito” e, em seguida, afirma não conceber o arcebispo “irado, pregando a violência, citando como símbolos, não importa de que, assassinos de milhares e milhares de irmãos”.

Roberto Marinho diz, também, que tem faltado a Dom Hélder, “nesses últimos dias, o senso de medida que só engrandeceria sua nobre missão”. Afirma, ainda, “não acreditar que D. Hélder pretenda, como suas últimas declarações parecem preconizar, incitar o povo ao desespero improdutivo ou a uma revolta cujo fruto, se vitoriosa, seria perdido para os piores inimigos de nossas tradições, de nosso espírito de família e afinal da própria Igreja”.

168 – “LEGISLATIVO DE PE. INSERE NOS ANAIS ARTIGO SOBRE D.H.”. O Globo, Rio de Janeiro, 04 de maio de 1968. Noticia proposta do deputado pernambucano Antônio Luiz Filho, do Partido do Governo (Aliança Renovadora Nacional-ARENA), para que seja inserido nos anais da Assembléia Legislativa de Pernambuco editorial de Roberto Marinho sobre Dom Hélder (veja referência 167).

169 – “DEPUTADO CONTRA D.H.”. Diário da Noite, Recife, 06 de maio de 1968.
Notícia informa que o deputado Milton Sales, de Minas Gerais, para atrapalhar um projeto do deputado Raul Belém, concedendo título de cidadão daquele Estado a Dom Hélder, vai apresentar emenda estendendo a honraria a todos os bispos brasileiros.

170 – “MINAS BRIGA POR HÉLDER QUE PREFERE CALAR”. Jornal do Commercio, Recife, 07 de maio de 1968. Notícia diz que Dom Hélder afirmou ser “coisa comum” (e não quis fazer maiores comentários) a briga entre dois deputados de Minas Gerais em torno de um título de cidadania que lhe seria conferido (veja referência 169).

171 – “DOM ELIZEU VÊ HÉLDER UM HOMEM ANGUSTIADO E SOB PRESSÃO DE GRUPOS”. Jornal do Commercio, Recife, 07 de maio de 1968.
Notícia diz que o bispo-auxiliar de Maceió, Dom Elizeu Maria Gomes de Oliveira, defendeu Dom Hélder das críticas que vem recebendo.

172 – “D. VICENTE SCHERER DEFENDE H. VEEMENTEMENTE”. Diário de Pernambuco, Recife, 16 de maio de 1968.
Através de pronunciamento transmitido por emissora de rádio, Dom Vicente Scherer, arcebispo de Porto Alegre, defendeu Dom Hélder de acusações de que estaria “devirtuando o caminho da Igreja e pregando a violência”.

173 – TORRES, Luiz. Jornal do Commercio, Recife, 17 de maio de 1968, coluna “De Brasília”.
O jornalista considera “magnífico” editorial do jornal O Globo, assinado por Roberto Marinho, que acusa um Hélder de “pregar a violência” (veja referência 167).

174 – “HÉLDER TEM PRONTUÁRIO NA POLÍCIA”. Jornal do Commercio, Recife, 23 de maio de 1968. A notícia diz que, segundo informações do comissário Júlio de Vasconcelos Barros, chefe do arquivo da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) no Recife, Dom Hélder encontra-se entre as 18.190 pessoas catalogadas nos prontuários daquele órgão de repressão.

Afirma a notícia que, “instalado a 10 de outubro de 1931, o arquivo da Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) é a mola mestra do combate à subversão e ao agitacionismo extremista em Pernambuco”, uma vez que dele depende o conhecimento de todos aqueles considerados perigosos por discordarem da ideologia dominante.

Diz, também, que a presença de Dom Hélder no referido arquivo “se fez sentir nos últimos tempos, em virtude de suas constantes declarações prestadas à imprensa nacional e estrangeira”.

Por, informa: “Os pronunciamentos do religioso, como os de diversas pessoas de influência política que nos últimos tempos fugiram às normas estabelecidas no País, encontram-se cuidadosamente vigiados em pastas bastante conservadas, constituindo-se documentos dignos de cuidados especiais das autoridades”.

175 – “JUIZ ACHA DESSERVIÇO A AÇÃO DO DOPS NO PAÍS”. Jornal do Commercio, Recife, 24 de maio de 1968. Jornal veicula declarações do juiz Agamenon Duarte Lima, da 2ª Vara Criminal do Recife, para quem “o pessoal do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) não vem prestando nenhum serviço à Pátria” (...) “mas contra ela e em favor de organizações estrangeiras de espionagem”.

As declarações do juiz foram motivadas por recentes notícias de quem Dom Hélder está cadastrado nos órgãos de repressão do Governo (veja referência 174).
Em suas declarações, o juiz Agamenon Duarte Lima afirma que Dom Hélder, como qualquer outra pessoa, tem o direito de ter e mudar de opinião (“Só a imbecilidade é irreversível”) e disse que os arquivos do DOPS não passam de “uma sujeira”.

176 – “Pe. H. RECEBE SEM SURPRESA NOTÍCIA DE QUE É FICHADO COMO AGITADOR”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 de maio de 1968.
Notícia diz que Dom Hélder não se surpreendeu por ser cadastrado pelos órgãos de repressão do Governo como agitador (veja referência 174).

177 – “JUIZ DEFENDE Pe. HÉLDER CONTRA DOPS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de maio de 1968 (veja referência 175).

178 – “MOACIR REFUTA: NÃO HÁ PRONTUÁRIO DE DOM HÉLDER NO DOPS”. Diário de Pernambuco, Recife, 25 de maio de 1968. Notícia diz que o delegado de Ordem Política e Social no Recife, Moacir Sales, afirmou que estava à disposição da Justiça para provar que não existe prontuário de Dom Hélder nos arquivos daquela delegacia.

Traz, também, declaração do próprio comissário que teria passado a informação à imprensa (veja referência 174). Só que, agora, ele nega ter sido a fonte da informação: “tudo foi invenção do repórter para encher página de jornal”.

179 – “WANDENKOLK CONFIRMA QUE H. TINHA PRONTUÁRIO”. Jornal do Commercio, Recife, 25 de maio de 1968.
Notícia diz que o vereador Wandenkolk Wanderley, ligado do Governo, confirmou que Dom Hélder tinha “fichário como agitador” na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) no Recife, “por conta dos seus pronunciamentos”, como foi divulgado pela imprensa (veja referência 174). Ele declarou: “Se hoje não tem..., mas já teve.”

180 – “POLÍCIA PROMETE PRONTA PROTEÇÃO SE D.H. PEDIR GARANTIA DE VIDA”. Jornal do Commercio, Recife, 25 de maio de 1968.
Secretário de Segurança de Pernambuco afirma que a Polícia dará proteção a Dom Hélder, caso ele peça, contra ameaças de morte contra o arcebispo.

181 – “DOM HÉLDER NO ALVO”. Diário de Pernambuco, Recife, 25 de maio de 1968.
Editorial do jornal afirma que as declarações de Dom Hélder em Roma (de que estaria ameaçado de morte, veja referência 152) “têm objetivo de surtir maior repercussão e confirmam que o cerco a ele tem-se apertado”.

182 – “HÉLDER NÃO TEME NOME NO ARQUIVO DO DOPS E VIAJA PARA O CANADÁ”. Jornal do Commercio, Recife, 26 de maio de 1968.
Jornal informa que Dom Hélder não teme a inclusão do nome dele nos arquivos dos órgão de repressão do Governo.

183 – SALGADO, Plínio. “EQUÍVOCOS DE D. HÉLDER”. In. A Cruz, 26 de maio de 1968.
Artigo responde uma entrevista de Dom Hélder ao jornal O Globo, do Rio de Janeiro, através da qual o arcebispo contesta acusações do sociólogo Gilberto Freyre de que ele, Dom Hélder, fora fascista em 1935, uma vez que era membro do partido político brasileiro “Ação Integralista”.

No artigo, Plínio Salgado, que foi o idealizador e chefe nacional da “Ação Integralista”, diz que Dom Hélder errou ao afirmar, na resposta a Freyre, que jamais negara ter sido fascista. Salgado faz uma longa preleção sobre o Integralismo e diz: “Deveria o prelado dizer que nunca foi fascista, pois o Integralismo não era e não é fascista.”

184 – “SEC. DE SEGURANÇA AFIRMA: NÃO HÁ PRONTUÁRIO DE HÉLDER E PAPA-FIGO É ESTÓRIA”. Diário de Pernambuco, Recife, 28 de maio de 1968.
Secretaria de segurança diz que não existe prontuário de Dom Hélder nos arquivos dos órgão de repressão do Governo, como foi noticiado recentemente (veja referência 174).

185 – “OPOSIÇÃO CRITICA DOPS PORQUE FICHOU D.H.”. Jornal do Commercio, Recife, 29 de maio de 1968.
Geraldo Pinho, deputado pernambucano da Oposição, critica delegado que incluiu o nome de Dom Hélder nos arquivos dos órgão de repressão do Governo.

186 – “VEREADOR ACUSA D.H. DE NÃO PRESTAR CONTAS”. Jornal do Commercio, Recife, 05 de junho de 1968.
Notícia diz que líder do Governo na Câmara Municipal do Recife, vereador Wandenkol Wanderley, acusou Dom Hélder (enquanto presidente da Operação Esperança) de “receber dinheiro em todas as moedas e até hoje não convocou ninguém para prestar contas”.

187 – “PADRE-PROFESSOR DIA A DOM HÉLDER QUE REFORMAS SOMENTE SE FARÃO PELA FORÇA”. Diário de Pernambuco, Recife, 11 de junho de 1968.
Notícia fala de um documento sobre a situação política na América Latina, de autoria do padre belga Joseph Comblin, professor do Instituto de Teologia do Recife, sob o título “Estudos do Instituto Teológico do Recife”, documento este que será levado por Dom Hélder à II Conferência do Conselho do Episcopado Latino-Americano (CELAM), a ser realizada em Medelim, Colômbia.

O documento afirma que a América Latina só fará reformas sociais à força; defende a dissolução das classes armadas; e acusa a Igreja de aliar-se a instituições conservadoras. Por isso, logo se transformaria em motivos de muitas críticas e acusações contra Dom Hélder, sob a alegação de que o arcebispo estaria levando ao CELAM um documento “altamente subversivo”.

A notícia traz, também, a opinião de Dom Hélder sobre o documento do padre Comblin: “Como sociólogo, a padre Joseph Comblin adota posições discutíveis”, afirmou o arcebispo que, ao mesmo tempo, defendeu o direito do sacerdote de elaborar e apresentar o polêmico texto.

188 – “WANDENKOLK DIZ QUE DOCUMENTO EM SEU PODER LEVARÁ ATÉ D.H. À CADEIA”. Diário de Pernambuco, Recife, 11 de junho de 1968.
O vereador Wandenkolk Wanderley se refere ao documento elaborado pelo padre Joseph Comblin (veja referência 187).

189 – “PROTEÇÃO AO Pe. HÉLDER É SÓ BOATO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 de junho de 1968.
Notícia afirma não ser verdadeira a informação de que existe um esquema de segurança para proteger Dom Hélder de possíveis atentados.

190 – “VEREADOR ACHA SUBVERSIVO ESTUDO QUE PADRE HÉLDER APRESENTARÁ NA COLOMBIA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 de junho de 1968.
Notícia veicula opinião do vereador recifense Wandenkolk Wanderley sobre documento que Dom Hélder apresentará durante encontro internacional (veja referência 187).

191 – “ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA APROVA MOÇAO DE SOLIDARIEDADE AO ARCEBISPO DE OLINDA E RECIFE”. Diário de Pernambuco, Recife, 14 de junho de 1968.
Voto de solidariedade é de autoria do deputado Egídio Ferreira Lima e foi encaminhado por conta das acusações do vereador Wandenkolk Wanderlei a Dom Hélder.

192 – “Pe. HÉLDER TEM APOIO DE DEPUTADOS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 de junho de 1968. (veja referência 191).

193 – “D.H. ACREDITA QUE ACUSAÇÕES FAZEM PARTE DE ALGUM PLANO OCULTO”. Folha de São Paulo, São Paulo, 14 de junho de 1968.
Dom Hélder disse acreditar que existe alguém por trás de todas acusações que lhe são feitas pelo vereador recifense Wandenkolk Wanderley (veja referência 190).

194 – “PADRE HÉLDER DIVIDE OPINIÃO CATÓLICA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 de junho de 1968.
Reportagem traz debate entre dois representantes do pensamento católico no Brasil (José Konsinsk, da ala progressista, e Gladstone Chaves de Melo, do grupo conservador) sobre as teses defendidas no livro “Revolução dentro da Paz”, de autoria de Dom Hélder Câmara.

195 – “DEPUTADOS LEVAM MOÇÃO DE SOLIDARIEDADE A BISPO”. Jornal do Commercio, Recife, 16 de junho de 1968.
Grupo de deputados, da Oposição e do Governo, foi à residência de Dom Hélder levar pessoalmente cópia de uma moção de solidariedade ao arcebispo, concedida pela Assembléia Legislativa do Estado (veja referência 191).

196 – “DOM H. DIZ QUE DEUS LHE CONCEDEU TRANQUILIDADE PARA ADMITIR DISCÓRDIA”. Diário de Pernambuco, Recife, 16 de junho de 1968.
Jornal transcreve declarações de Dom Hélder ao agradecer moção de solidariedade que lhe foi concedida pela Assembléia Legislativa do Estado (veja referência 195).

197 – “OPOSIÇÃO APROVA NOTA DE SOLIDARIEDADE A HÉLDER”. Jornal do Commercio, Recife, 16 de junho de 1968.
Notícia diz que o partido de Oposição (Movimento Democrático Brasileiro – MDB), no município do Cabo, apresentou uma nota de solidariedade a Dom Hélder.

198 – “CÂMARA CONSIDERA SUBVERSIVO, MAS VOTA SOLIDARIEDADE A D.H.”. Diário de Pernambuco, Recife, 18 de junho de 1968.
Notícia diz que a Câmara de Vereadores do Recife considerou “subversivo” um documento escrito pelo padre Joseph Comblin, do Instituto Teológico do Recife (veja referência 187). Ao mesmo tempo, os vereadores manifestaram voto de solidariedade a Dom Hélder que vem sendo acusado de conivente com Comblin.

199 – “ASSEMBLÉIA SOLIDÁRIA COM ARCEBISPO”. Jornal do Commercio, Recife, 19 de junho de 1968.
Jornal informa que o deputado Diniz Câmara apresentou à Assembléia Legislativa de Pernambuco um requerimento “de irrestrita solidariedade” a Dom Hélder “que vem sofrendo ataques de longos tempos” do vereador Wandenkolk Wanderley.

200 – “VOTO APOIA AÇÃO DE HÉLDER CÂMARA”. Jornal do Commercio, Recife, 19 de junho de 1968.
Câmara municipal do Cabo aprovou, por unanimidade, um voto de solidariedade a Dom Hélder (veja referência 197).

201 – “HÉLDER DIZ QUE ESTÁ BEM ACOMPANHADO”. Diário de Pernambuco, Recife, 20 de junho de 1968.
Notícia diz que Dom Hélder respondeu críticas do deputado Carvalho Neto, do Rio de Janeiro, para quem o arcebispo, juntamente com o pensador católico Alceu Amoroso Lima, estaria contribuindo “para o processamento da revolução brasileira”.

202 – “HÉLDER CÂMARA RECEBE SOLIDARIEDADE DOS VEREADORES DE MACEIÓ”. Jornal do Commercio, Recife, 20 de junho de 1968.
Afirma a notícia que o vereador Sebastião Teixeira, de Maceió, deu entrada a requerimento solicitando à Câmara Municipal da capital de Alagoas um “voto de louvor” a Dom Hélder que vem sofrendo críticas de um vereador recifense.

203 – “CÂMARA DE CARUARU TEM VOTO DE DESAGRAVO PARA PASTOR DOS MANGUINHOS”. Jornal do Commercio, Recife, 22 de junho de 1968.
Jornal informa que a Câmara Municipal de Caruaru, no Agreste pernambucano, aprovou por unanimidade um voto de desagravo a Dom Hélder, requerido pelo vereador José Salvador Sobrinho, em face das acusações que o arcebispo vem sofrendo por parte do vereador recifense Wandenkolk Wanderly.

204 – “CONGRESSO DE PARLAMENTARES DE SANTA CATARINA APROVOU APOIO A D.H.”. Diário de Pernambuco, Recife, 26 de junho de 1968.
Notícia diz que a Reunião Parlamentar Interestadual, realizada em Florianópolis, Santa Catarina, aprovou por unanimidade voto de solidariedade a Dom Hélder, em especial, e a todos os demais arcebispos brasileiros “que lutam contra o subdesenvolvimento”.

205 – “OBSTRUÇÃO IMPEDIU TÍTULO A D.H.”. Folha de São Paulo, São Paulo, 30 de junho de 1968.
Jornal informa que um grupo de deputados impediu a aprovação, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, de projeto concedendo a Dom Hélder o título de cidadão mineiro (veja referência 169).

206 – CÂMARA, Hélder. “RÉVOLUTION, VIOLENCE, COMMUNISME – DOM HÉLDER S’EXPLIQUE”. In. Informations Catholiques Internationales, Paris, 01 de julho de 1968.

Entrevista através da qual Dom Hélder responde a um conjunto de 130 perguntas formuladas pelos jornalistas da revista sobre as idéias que o arcebispo expôs na conferência “Única Opção, a Violência” (veja referência 157).

A revista faz também um balanço das críticas e ataques a Dom Hélder por parte de alguns veículos da imprensa brasileira e membros da própria Igreja Católica, entre os quais o arcebispo de Porto Alegre, Dom Vicente Scherer, para quem “ninguém pode ser ao mesmo tempo adepto do socialismo e cristão”.

207 – “PARLAMENTARES DOS DOIS PARTIDOS APÓIAM AÇÃO DO Pe. HÉLDER”. Folha de São Paulo, São Paulo, 02 de julho de 1968.
Notícia informa que 118 parlamentares brasileiros, entre deputados federais e senadores, sendo 31 deles do partido do Governo, disseram no Senado Federal apoiar a atuação pastoral de Dom Hélder.

208 – “ARENA E MDB SOLIDÁRIOS A D.H.”. Jornal do Commercio, Recife, 02 de julho de 1968.
Representantes dos dois únicos partidos políticos brasileiros solidários a Dom Hélder (veja referência 207).

209 – “VEREADOR FAZ CARGA CERRADA CONTRA D.H.”. Folha de São Paulo, São Paulo, 04 de julho de 1968.
Jornal informa que, ao participar de programa de televisão em São Paulo, o vereador recifense Wandenkolk Wanderley disse que “o homem mais perigoso do Brasil, no momento, é Dom Hélder Câmara”.

210 – “HÉLDER FALA DE CORAGEM A VEREADOR”. Jornal do Commercio, Recife, 04 de julho de 1968.
Resposta de Dom Hélder ao vereador Wandenkolk Wanderley, para quem o arcebispo “incita os estudantes brasileiros a fazerem passeatas mas não participa delas por não ter coragem”.

211 – “EVANGELISTA ODILON NA AUSÊNCIA DE WANDENKOLK FAZ CRÍTICAS A PADRES”. Jornal do Commercio, Recife, 04 de julho de 1968.
Vereador Evangelista Odilon substitui seu colega Wandenkolk Wanderly, que está viajando, como crítico implacável de Dom Hélder na Câmara Municipal do Recife.

212 – “DEPUTADO MINEIRO NÃO QUER DAR TÍTULO DE CIDADÃO A Pe. HÉLDER”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 06 de julho de 1968.
Para evitar a concessão de um título de cidadão mineiro a Dom Hélder, deputado Milton Sales encaminhou requerimento propondo que a Assembléia Legislativa de Minas Gerais “não dê mais título a ninguém a partir daquela data”.

213 – “COMANDANTE DO IV EXÉRCITO CONFERENCIA COM HÉLDER NO PALÁCIO DOS MANGUINHOS”. Diário de Pernambuco, Recife, 06 de julho de 1968.
General Alfredo Malan, comandante do IV Exército, no Recife, visitou Dom Hélder na sede da Arquidiocese, onde os dois conversaram durante 20 minutos. Sobre o encontro, Dom Hélder disse:

“Quando houve transmissão do comando do IV Exército, eu me achava no Canadá. Regressando, fiz uma visita de cortesia ao novo comandante. O general Malan veio, amavelmente, retribuir a visita que lhe fiz.”

Segundo a notícia, Dom Hélder negou que o seu encontro com o militar tivesse o objetivo de discutir algum tema específico como, por exemplo, as relações entre a Igreja e o Estado.

214 – “PRISÃO DE ASSESSOR PASMA HÉLDER”. Jornal do Commercio, Recife, 06 de julho de 1968. Dom Hélder se diz surpreso com a prisão, a 05/07/1968, no Rio de Janeiro, do diretor da revista Paz e Terra, Luís Eduardo Vanderlei, que há muito tempo é seu assessor. A notícia diz que Luís Eduardo foi libertado no mesmo dia e que, sobre o episódio não explicado pelas autoridades, Dom Hélder declarou:
“O Supremo Tribunal tem absolvido, por unanimidade, pessoas envolvidas em IPMs (Inquéritos Policiais Militares) durante meses e anos. Não é difícil oferecer motivos para perder a liberdade. Qualquer suspeita de suspeita é válida.”

215 – “VEREADOR RECIFENSE DENUNCIA D.H.” O Estado de São Paulo, São Paulo, 07 de julho de 1968.
Em entrevista para o programa de TV “Quarto Poder”, da TV Tupi, em São Paulo, o vereador recifense Wandenkolk Wanderley afirma que Dom Hélder “é subversivo”.

216 – “HÉLDER SEM NOTÍCIA DE COMBLAIN (Sic) AFIRMA QUE ELE CONTINUARÁ NO RECIFE”. Jornal do Commercio, Recife, 11 de julho de 1968. Jornal diz que Dom Hélder negou saber o paradeiro do padre belga Joseph Comblin, que se encontra em viagem pela Europa, nem quando ele retornará ao Recife, pois tinha certeza de que o regresso do sacerdote deveria ter acontecido no fim de junho passado.

Dom Hélder, conforme a notícia, também negou boatos de que o padre Comblin, que é professor do Instituto Teológico do Recife, será expulso do Brasil, por conta do documento “Estudos do Instituto Teológico do Recife”, de sua autoria (veja referência 187).

217 – “D.H: PADRE COMBLIN CONTINUARÁ NO INSTITUTO”. O Globo, Rio de Janeiro, 12 de julho de 1968. Dom Hélder afirmou que o padre Joseph Comblin, acusado de subversivo por ter escrito o documento “Estudos do Instituto Teológico do Recife” (veja referência 187) continuará no Recife. Obs. Boatos davam conta de que o padre seria expulso do Brasil pelo governo militar.

218 – “PASTOR DOS MANGUINHOS NÃO RECEBERÁ APOIO DOS VEREADORES NATALENSES”. Jornal do Commercio, Recife, 13 de julho de 1968.
Câmara Municipal de Natal rejeitou moção de solidariedade a Dom Hélder, proposta pelo vereador Luís Sérgio de Oliveira, sob a alegação de que o arcebispo é “subversivo e marxista”.

219 – “HÉLDER JÁ ACOSTUMADO A CRÍTICAS”. Jornal do Commercio, Recife, 18 de julho de 1968. Enquanto participava de reunião na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no Rio de Janeiro, Dom Hélder afirmou já estar acostumado a ser chamado de subversivo.

220 – “DOM HÉLDER LANÇA UM NOVO MOVIMENTO”. Folha de São Paulo, São Paulo, 20 de julho de 1968. Um grupo de 32 bispos, liderado por Dom Hélder, assinou documento que servirá de “pacto” para o lançamento, a 02 de outubro de 1968, de um movimento denominado “Pressão Moral Libertadora” cujo objetivo “é lutar pela reforma de estrutura no Brasil, defender o integral cumprimento da Declaração dos Direitos do Homem, especialmente quanto à libertação de qualquer escravatura e aos direitos à vida, à liberdade, à segurança pessoal e ao trabalho”.

O jornal informa que Dom Hélder explicou que “o movimento visa libertar o povo brasileiro da servidão, não pregará a violência e não terá características de articulação de católicos, pois estará aberto aos fiéis de todas as religiões”.

221 – “HÉLDER CONCORDA 100% COM O TEÓLOGO JOSEPH COMBLIN”. Diário de Pernambuco, Recife, 23 de julho de 1968.
Dom Hélder declara, em entrevista no Rio de Janeiro, concordar com o teólogo Joseph Comblin, autor do documento “Estudos do Instituto Teológico do Recife” (veja referência 187), e acrescenta: “Discordo, em parte, como é natural, do sociólogo. Graças a Deus que os cristãos podem divergir em questões abertas”.

222 – “BISPOS SÃO CONTRA ESQUERDISMO E CONCLAMAM À HARMONIA”. Diário de Pernambuco, Recife, 24 de julho de 1968. Jornal transcreve íntegra de uma carta enviada ao presidente do Brasil, marechal Artur da Costa e Silva, por 19 religiosos (embora o jornal só cite 12 nomes) liderados pelo arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo de Proença Sigaud, através da qual os religiosos discordam da “parte do clero de tendência esquerdista e subversiva”.

Embora o texto da carta na se refira nominalmente a Dom Hélder, logo após a sua divulgação Dom Sigaud deu entrevista à imprensa, afirmando que a Confer~encia Nacional dos Bispos do Brasil manteve uma linha de atuação esquerdista até 1964, exatamente o ano em que o arcebispo de Olinda e Recife deixou a secretaria-geral da entidade, cargo que ocupou durante 12 anos.

A carta é assinada pelos seguintes bispos: Geraldo de Proença Sigaud (Diamantina), João B. Costa (Porto Velho), Delfim Peres (São João Del Rei), Antônio Novaes (Campos), Manuel O. C. Cintra (Petrópolis), José Veloso (bispo-auxiliar de Petrópolis), Antônio Zoltera (Pelotas), José D’Ângelo Neto (Pouso Alegre), José Vasquez Dias (Bom Jesus de Guargueia), Guido Castelo (prelado de Mendes), Bernardo Holher (Paranaguá) e Jackson Prado, bispo de Feira de Santana.

223 – “ESQUERDAS SOFREM GRANDE DERROTA, AFIRMA DOM SIGAUD”. O Globo, Rio de Janeiro, 24 de julho de 1968. Em entrevista coletiva em que analisou os resultados da 9ª Reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, que acabara de ser realizada no Rio de Janeiro, D. Geraldo de Proença Sigaud, arcebispo de Diamantina, afirmou que, nos seus primeiros anos, a CNBB seguiu mais a orientação de D. Hélder (que era seu secretário geral), mas que, a partir de 1964, “as esquerdas da Igreja” sofreram uma grande derrota.

Na entrevista, D. Sigaud concorda com o papel do Conselho de Segurança Nacional, diz aceitar a interferência do órgão e dos militares na vida política brasileira e defende “certas repressões” para amenizar a ameaça de implantação da “ditadura comunista” no Brasil. O arcebispo de Diamantina falou também, durante a entrevista, de uma carta que ele e mais outros religiosos enviaram ao presidente do Brasil denunciando “a parte do clero de tendência esquerdista”. (veja referência 222).
Referindo-se nominalmente a D. Hélder, D. Sigaud afirmou que ele é “um homem de grande capacidade de trabalho, inteligente, mas não é um teólogo ou filósofo”.

224 – “D. GERALDO SIGAUD JUSTIFICA A AÇÃO DO CONSELHO DE SEGURANÇA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 de julho de 1968.
O jornal publica uma entrevista de D. Geraldo de Proença Sigaud e revela que uma carta enviada ao presidente do Brasil foi escrita pelo próprio Sigaud, pelo bispo de Campos, D. Antônio Maier, e pelo arcebispo de Niterói, D. Antônio de Moraes. (veja referência 223)

225 – “D. SIGAUD EXPLICA DECISÕES DA ASSEMBLÉIA DOS BISPOS”. Diário de Pernambuco, Recife, 25 de julho de 1968 (veja referência 223).

226 – “TAUBATÉ: MANIFESTO PRÓ D. HÉLDER NÃO REFLETE PENSAMENTO DA DIOCESE”. Folha de São Paulo, São Paulo, 01 de agosto de 1968.
O bispo diocesano de Taubaté, D. Francisco Borja do Amaral, disse que não tinha conhecimento antecipado de apoio de alguns sacerdotes de sua diocese que, através de manifesto, se solidarizam com D. Hélder pelo lançamento, a 20 de julho de 1968, do movimento “Pressão Moral Libertadora” (veja referência 220).

Segundo a notícia, D. Francisco Borja do Amaral afirmou que o manifesto dos sacerdotes trata-se de uma “carta de manifestação isolada de alguns padres, que não reflete o pensamento da clero diocesano”. O manifesto dos padres afirma: “(...) Estamos disposto a dar nossa contribuição sincera para que o mencionado movimento seja uma força a mais na luta pela libertação política, econômica e intelectual do povo brasileiro”. (...) Diz que o movimento lançado por D. Hélder tem idéias “plenamente de acordo com as exigências evangélicas e com o humanismo cristão ensinado pelo Vaticano II e pelas Encíclicas Sociais” (...)

227 – “DOM HÉLDER CONDICIONA SEU DENATE NA TV COM O MINISTRO PASSARINHO”. Jornal do Commercio, Recife, 06 de agosto de 1968.
Jornal informa que o ministro do Trabalho e Previdência Social do Brasil, coronel Jarbas Passarinho, gostaria de debater com Dom Hélder sobre “questões de âmbito nacional” e que o arcebispo teria dito: “dependerá das condições do eventual convite: quem, quando, como, dentro de que esquema?”. O debate seria transmitido por uma emissora de TV do Rio de Janeiro.

228 – “Pe. H. NÃO RECEBEU CONVITE MAS ADMITE IR À TELEVISÃO COM PASSARINHO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 06 de agosto de 1968 (veja referência 227).

229 – “Pe. H. EXPLICA PRESSÕES”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 07 de agosto de 1968. Informa que Dom Hélder explicou a 80 sacerdotes a finalidade do movimento “Pressão Moral Libertadora” (veja referência 220) e que ele foi escolhido para liderar o movimento por 44 bispos.

230 – “ARCEBISPOS E BISPOS CONDENAM EXCESSOS COMETIDOS EM NOME DA REFORMA DA IGREJA”. Diário de Pernambuco, Recife, 11 de agosto de 1968.
Jornal publica íntegra de mensagem dos arcebispos mineiros Dom Geraldo de Proença Sigaud, Dom José D’Ângelo Neto, Dom Oscar de Oliveira Mariana e Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, além de 40 bispos cujos nomes não foram citados, encaminhada ao cardeal Agnelo Rossi, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Na mensagem, os religiosos reconhecem que a CNBB se preocupa em promover a unidade do episcopado; dizem que essa unidade é necessária, embora não venha sendo conseguida; e afirmam: “vimos observando que, em algumas regiões, sem vem dando maior relevância aos aspectos sociais e políticos em detrimento da missão espiritual da Igreja”.

Os religiosos recomendam que “se evite a criação de um clima de luta de classes e que desapareça a orientação esquerdista para a solução destes problemas, pois isto só serve para agrava-los e dificultar nossa ação sobre aqueles que devem dispor-se os ensinamentos do magistério da Igreja”.

231 – “EXTREMA ESQUERDA CRITICA D.H.”. Última Hora, Rio de Janeiro, 12 de agosto de 1968.
Jornal afirma que Dom Hélder é criticado por pessoas tanto da esquerda quanto da direita.

232 – “HÉLDER INDIFERENTE ÀS CRÍTICAS DO CLERO MINEIRO DIZ-SE FIEL À IGREJA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1968.
Dom Hélder não deu muita importância a mensagem enviado ao presidente da CNBB por representantes do clero mineiro (veja referência 230).

233 – “HÉLDER NÃO SERÁ HÓSPEDE DA MÃE DE CAMILO TORRES”. Jornal do Commercio, Recife, 14 de agosto de 1968.
Jornal informa que Dom Hélder recusou convite para se hospedar na casa de Isabel Restrepo Torres, mãe do padre Camilo Torres, “sacerdote-guerrilheiro morto pelo exército colombiano”. Dom Hélder estava em Bogotá, a caminho de Medelim onde iria participar da II Conferência do Conselho do Episcopado Latino-Americano.

234 – “D.H. DIZ QUE É FIEL À IGREJA”. O Globo, Rio de Janeiro, 14 de agosto de 1968.
Declarações de Dom Hélder a respeito de uma mensagem enviada ao presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil por um grupo de religiosos mineiros criticando a “corrente esquerdista” da Igreja (veja referência 230).

235 – “MÃE DE GUERRILHEIRO PADRE DIZ QUE H. TEM AS MESMAS IDÉIAS”. Diário de Pernambuco, Recife, 14 de agosto de 1968.
Informa sobre carta enviada a Dom Hélder por Isabel Restrepo Torres, mãe do padre Camilo Torres, assassinado pelo exército colombiano.

236 – “COMUNISMO PROCURA DIVIDIR A IGREJA – AFIRMA ARCEBISPO”. O Globo, Rio de Janeiro, 14 de agosto de 1968.
Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, arcebispo de Niterói, afirmou que “sacerdotes comunistas” pretendem dividir a Igreja no Brasil.

237 – “D. ANTÔNIO DIZ QUE COMUNISMO ESTÁ PROCURANDO DIVIDIR A IGREJA”. Diário de Pernambuco, Recife, 15 de agosto de 1968 (veja referência 236).

238 – “D. GERALDO SIGAUD DIZ SABER DE UM SEMINÁRIO ONDE RÁDIO DE MOSCOU É A MAIS OUVIDA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1968.
Arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo Sigaud, afirmou que “é inegável a presença de comunistas em nossos seminários” e disse saber de um “em que o programa mais ouvido é o das 19 horas da Rádio de Moscou”. Condenou, também, o movimento “Pressão Moral Libertadora”, a ser lançado por Dom Hélder (veja referência 220).

239 – “SENADOR CONDENA AÇÃO DE ENTIDADE QUE PEDE A EXPULSÃO DE HÉLDER”. Jornal do Commercio, Recife, 17 de agosto de 1968.
Artur Virgílio, senador amazonense pelo partido de Oposição (Movimento Democrático Brasileiro-MDB), condenou a ação da entidade “Tradição, Família e Propriedade” que enviou abaixo-assinado ao Papa pedindo a expulsão de Dom Hélder da Igreja.

240 – “WANDENKOLK PEDE PRISÃO PREVENTIVA DE COMBLIN”. Jornal do Commercio, Recife, 18 de agosto de 1968.
Informa que o vereador recifense Wandenkolk Wanderley vai encaminhar ao comandante da 7ª Região Militar, general Antônio Augusto Gomes Tinoco, representação pedindo a prisão do padre Joseph Comblin, autor do documento “Estudos do Instituto Teológico do Recife” (veja referência 187), de teor considerado “subversivo”.

Publica íntegra da representação, na qual existe o seguinte comentário sobre Dom Hélder: “(...) Sem sombra de dúvida, o arcebispo de Olinda e Recife é um agitador incontrolável. Nas suas andanças, não prega o amor e nem difunde a compreensão, mas lastra o ódio, a vingança e a incompreensão.”

241 – “MUDO E QUEDO”. Jornal do Commercio, Recife, 18 de agosto de 1968.
Em editorial, o jornal transcreve cinco perguntas que Dom Geraldo Sigaud, arcebispo de Diamantina, formulou a Dom Hélder durante uma reunião de sacerdotes no Rio de Janeiro: a) se ele admitiria, na sociedade que defende, a iniciativa privada; b) se permitiria, ou achava que era lícito, a posse, por parte de particulares, dos meios de produção; c) se o Estado teria um papel supletivo, ou seria o patrão, o dono, nas questões sociais e econômicas; d) se seria lícito o mercado livre; e) se admitiria a propriedade particular. E, seguida, o editorial concluiu que Dom Hélder, por ter dito que responderia às perguntas após algum estudo, “só fala quando lhe parece conveniente”.

242 – “AÇÃO CATÓLICA APOIA MOVIMENTO DE PRESSÃO”. Jornal do Commercio, Recife, 18 de agosto de 1968.
Informa que a Ação Católica Operária lançou, no Recife, um manifesto em apoio ao movimento “Pressão Moral Libertadora” que Dom Hélder pretende lançar no Recife (veja referência 220).

243 – “Pe. H. FARÁ MANIFESTO DE PROTESTO CONTRA PRISÃO DE ESTUDANTE NA PARAÍBA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1968.
Dom Hélder anunciou que lançará, juntamente com Dom José Maria Pires, arcebispo de João Pessoa, um manifesto contra a prisão de estudantes na Paraíba.

244 – “WANDENKOLK ENTREGOU À 7ª RM REPRESENTAÇÃO CONTRA PADRE COMBLIN”. Jornal do Commercio, Recife, 20 de agosto de 1968 (veja referência 240).

245 – “HÉLDER AFIRMA ESTAR CANSADO DE TANTAS ACUSAÇÕES SEM FUNDAMENTO FEITAS À IGREJA”. Diário de Pernambuco, Recife, 20 de agosto de 1968.

246 – “Pe. HÉLDER SE IRRITA COM DOM SIGAUD”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 de agosto de 1968.
Dom Hélder reagiu a uma série de críticas do arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo Sigaud, e afirmou que as acusações “estão passando da conta”.

247 – “ARCEBISPO CONDENA A AGRESSÃO”. Jornal do Commercio, Recife, 21 de agosto de 1968.
Dom Hélder divulgou nota condenando a invasão, no dia anterior, da Tchecoslováquia por países comunistas vizinhos.

248 – “D. GERALDO ACHOU DESLEAL ELEIÇÃO PARA IR À CELAM”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 de agosto de 1968.
O arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo Sigaud, afirmou que a delegação de sacerdotes brasileiros que irá participar da Conferência do Conselho do Episcopado Latino-Americano, na Colômbia, não é representativa “porque a eleição dos seus membros foi desleal”, resultado “de manobra de grupos”. Dom Sigaud fez acusações contra Dom Hélder e disse que, apesar de não ser profeta, acredita que o arcebispo de Olinda e Recife e o bispo de Volta Redonda, Dom Valdir Calheiros, “não permanecerão por muito tempo em seus cargos”.

249 – “COLÔMBIA DIVIDIA ESPERA O PAPA”. Realidade, São Paulo, agosto de 1968.
Reportagem de Carlos Alberto Christo sobre os preparativos para o 39º Congresso Eucarístico Internacional, a ser realizado em Bogotá, faz uma análise da situação política na Colômbia; sobre as correntes políticas na Igreja naquele país e, em determinado trecho, diz:

“(...) Comenta-se também que, por não aceitar a sua linha de ação social, a hierarquia colombiana não teria convidado o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara. Os padres do Sul pensaram em faze-lo. Antecipando-se a eles, a senhora Isabel Restrepo Torres, mãe de Camilo Torres, enviou um convite a Dom Hélder, para que vá a Bogotá e fique hospedado na sua casa” (veja referência 233).

Obs: Camilo Torres, padre, está desaparecido desde outubro de 1965, quando aderiu a guerrilhas camponesas na Colômbia. Ele foi professor e capelão da Universidade Nacional, trabalhou com camponeses no interior, quando chegou à conclusão de que só através de uma reforma de estruturas a Colômbia sairia do subdesenvolvimento. Escreveu sua plataforma de ação, foi proibido de falar em público, esteve preso e foi renegado como sacerdote.

250 – “D. SIGAUD CONDENA AS IDÉIAS DE COMBLIN”. Folha de São Paulo, São Paulo, 22 de agosto de 1968.
O arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo Sigaud, diz que são de “um perfeito comunista” as idéias contidas no documento “Estudos do Instituto Teológico do Recife”, escrito pelo padre Joseph Comblin (veja referência 187).

251 – “MANIFESTANTES ATACAM HÉLDER E SOVIÉTICOS DEFENDENDO OS TCHECOS”. Jornal do Commercio, Recife, 23 de agosto de 1968.
Cerca de 50 pessoas, entre as quais estudantes ligados ao Movimento Anticomunista da Frente Nacional da Juventude Democrática, realizaram ato de protesto na Cinelândia, Rio de Janeiro, contra a invasão da Tchecoslováquia. Criticaram Dom Hélder e a Rússia.

252 – CHATEAUBRIAND, Fernando. “O ENIGMÁTICO D. HÉLDER”. In. Diário de Pernambuco, Recife, 30 de agosto de 1968.
Artigo criticando as posições políticas de Dom Hélder.

253 – “DIABO ESTÁ SOLTO NO LEGISLATIVO BAIANO APÓS VISITA DO ARCEBISPO H. CÂMARA”. Diário de Pernambuco, Recife, 31 de agosto de 1968.
Deputado Aloísio Short sugeriu ao presidente da Assembléia Legislativa de Salvador, Bahia, que mande benzer o edifício da instituição “porque o diabo anda solto aqui depois de uma visita de Dom Hélder”.

254 – “BISPO REAFIRMA QUE HÁ COMUNISTA NA IGREJA”. Jornal do Commercio, Recife, 01 de setembro de 1968.
Em palestra na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Vila Militar, o bispo de Diamantina, Dom Geraldo Sigaud, falou sobre “a tentação que a esquerda exerce sobre parte do clero brasileiro” e comentou que “se houvesse ditadura no país, Dom Hélder não teria liberdade para dizer o que diz”.

255 – “REVOLUCIÓN COM AMOR, GAMBETEANDO IMPERIALISMOS – ENTREVISTA EXCLUSIVA A MONSEÑOR HÉLDER CÂMARA”. Panorama, 03 de setembro de 1968.
Em entrevista concedida em Medelim, Colômbia, Dom Hélder fala de suas propostas de reforma de estruturas sem uso da violência.

256 – “TFP DECLARA EM CARTA QUE NUNCA CHAMOU PADRE HÉLDER DE ARCEBISPO VERMELHO”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 08 de setembro de 1968.
Plínio Correia de Oliveira, chefe nacional da entidade Tradição Família e Propriedade (TFP), em carta enviada ao bispo-auxiliar de Porto Alegre, Dom Ivo Lorscheider, afirma que nunca chamou Dom Hélder de “bispo vermelho”, conforme Dom Ivo declarara ao Jornal do Brasil a 23/08/1968.

257 – “D. SIGAUD DIZ QUE SÓ NÃO ENTRA PARA A TFP PORQUE É MOVIMENTO CIVIL”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1968.
Após audiência com o presidente do Brasil, marechal Artur da Costa e Silva, o arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo Sigaud, afirmou que só não ingressará na Tradição, Família e Propriedade porque a entidade é “um movimento religioso civil”.

258 – “VIGÁRIO DO CABO AFIRMA QUE IGREJA NOVA É BLEFE”. Jornal do Commercio, Recife, 15 de setembro de 1968.
Padre Antônio Melo da Costa, vigário do Cabo, Pernambuco, afirmou, em entrevista que a Igreja Nova (ala progressista da Igreja Católica) é “um blefe”.

259 – Hora Extra, Recife, 2ª semana de setembro de 1968.
Em editorial, o jornal condena a Tradição, Família e Propriedade por várias acusações contra Dom Hélder.

260 – “WANDENKOLK ESPERA QUE CLERO SAIA AGORA PELAS RUAS PORTANDO CASSETETES”. Jornal do Commercio, Recife, 17 de setembro de 1968.
O vereador recifense Wandenkolk Wanderley condenou declarações de Dom Hélder sobre os resultados da II Conferência do Episcopado Latino-Americano, realizada na Colômbia, e disse que ao arcebispo “só falta pregar revolução pelas ruas”.

261 – “OLÍMPIO CONDENA EXAGERO E VEDETISMO DE HÉLDER”. Jornal do Commercio, Recife, 17 de setembro de 1968.
Deputado Olímpio Mendonça diz, na Assembléia Legislativa de Pernambuco, que Dom Hélder “em muitas de suas atitudes, tende para o vedetismo e não tem ética”.

262 – “OLÍMPIO DEIZ QUE D.H.C. É UM VIOLENTADOR DA ÉTICA”. Diário de Pernambuco, Recife, 17 de setembro de 1968.
Deputado Olímpio Mendonça diz, na Assembléia Legislativa de Pernambuco, que Dom Hélder “é um violentador da ética” e justifica: “porque se aproveite de horas impróprias para apontar erros do sistema”.

263 – “CRÍTICA A D.H. PROVOCA DEBATE NA AL”. Diário de Pernambuco, Recife, 17 de setembro de 1968.
Na Assembléia Legislativa de Pernambuco, deputado Andrade Lima condena campanha da entidade Tradição Família e Propriedade contra Dom Hélder.

264 – “D. NIVALDO VÊ EM H. UM LÍDER CARISMÁTICO”. Jornal do Commercio, Recife, 25 de setembro de 1968.
Arcebispo de Natal, Dom Nivaldo Monte, afirmou que Dom Hélder não é “um líder comunista” como costumam rotular seus críticos, é apenas “um líder carismático e, por isso, difícil de ser compreendido”.

265 – “TFP EXPLICA CAMPANHA CONTRA Pe. COMBLIN”. Diário de Pernambuco, Recife, 27 de setembro de 1968.
Paulo Teixeira Campos, representante em Pernambuco da entidade Tradição, Família e Propriedade justifica campanha contra o padre Joseph Comblin, autor do documento “Estudos do Instituto Teológico do Recife” (veja referência 187).

266 – “D.HÉLDER: BISPOS NÃO VOLTARÃO ATRÁS”. Folha de São Paulo, São Paulo, 29 de setembro de 1968.
Jornal publica íntegra de palestra de Dom Hélder no encerramento de um ciclo de debates sobre a II Conferência do Episcopado Latino-Americano, realizada na Colômbia entre 26 de agosto e 06 de setembro. Dom Hélder afirmou: “Se exigir, com urgência, reformas das estruturas latino-americanas é subversão e comunismo, a acusação passará a cobrir, de cheio, os bispos da América Latina. Ou todos ou nenhum.”

267 – “D. HÉLDER, DELEGADO OFICIAL”. Realidade, São Paulo, setembro de 1968, seção CARTAS.
Revista publica carta de Dom Hélder, através da qual o arcebispo diz não ter conhecimento, “conforme se afirma na reportagem Colômbia Dividida Espera o Papa, de nenhuma restrição à minha pessoa, por parte da hierarquia colombiana”.

268 – “O QUE AUEREM ESTES PADRES”. Realidade, São Paulo, setembro de 1968.
Em reportagem de 10 páginas, o repórter Gabriel Romeiro faz uma análise das diferenças de opinião entre membros da Igreja Católica no Brasil e cita vários episódios envolvendo o nome de Dom Hélder Câmara.

269 – “D.H. DIZ QUE IGREJA NÃO É FASCISTA”. Folha de São Paulo, São Paulo, 01 de outubro de 1968.
Entrevista do arcebispo concedida no Rio de Janeiro.

270 – CHRISTO, Carlos Alberto. Cartas, Realidade, São Paulo, outubro de 1968.
Autor da carta é o repórter que assinou reportagem Colômbia Dividida Espera o Papa. Ele contesta afirmações de Dom Hélder de que não recebera convite da senhora Isabel Torres para se hospedar na casa dela (veja referências 249 e 267).

271 – “ASSEMBLÉIA NEGA MOÇÃO PEDINDO HÉLDER CARDEAL”. Jornal do Commercio, Recife, 04 de outubro de 1968.
Assembléia Legislativa de Salvador, Bahia, recusa moção do deputado Marcelo Duarte, do partido de Oposição, pedindo ao Papa Paulo VI que escolha Dom Hélder para cardeal da Bahia.

272 – “WANDENKOLK CONSIDERA SUBVERSIVO PROGRAMA DA AÇÃO, JUSTIÇA E PAZ”. Diário de Pernambuco, Recife, 04 de outubro de 1968.
Vereador recifense Wandenkolk Wanderley afirma que é “altamente subversivo” o movimento Ação, Justiça e Paz, lançado pela Arquidiocese de Olinda e Recife.

273 – “ARCEBISPO NÃO QUIS FAZER COMENTÁRIOS SOBRE DENÚNCIA DE WANDENKOLK WANDERLEY”. Diário de Pernambuco, Recife, 04 de outubro de 1968 (veja referência 272).

274 – “REPORTER AGREDIDO DE MADRUGADA DEPOIS QUE ENTREVISTA A D. HÉLDER”. Jornal do Commercio, Recife, 06 de outubro de 1968.
Repórter Mário Sabino, do Jornal do Commercio, foi agredido, no Aeroporto Guararapes, Recife, após entrevistar Dom Hélder que chegava de viagem. Os agressores fugiram numa Vemaguete placa 296-PE e não foram identificados.

275 – “HÉLDER: NÃO SOU COMUNISTA NEM SUBVERSIVO”. Diário da Noite, Recife, 07 de outubro de 1968.
Jornal reproduz trechos de entrevista de Dom Hélder ao jornal italiano Concretezza.

276 – RODRIGUES, Nelson. “AS CONFISSÕES DE NELSON RODRIGUES”. In. Jornal do Commercio, Recife, 08 de outubro de 1968.
Artigo condenando uma colocação feita pelo pensador católico Alceu Amoroso Lima sobre “a violência justificada”. Nelson Rodrigues afirma que, se Alceu tiver razão, “tudo é permitido, não há Deus, não há nada, e está certo Dom Hélder quando, de mãos postas, propõe a missa cômica”. Rodrigues diz, também, que “no dia em que levarmos a nossa fé para as missas cômicas (...), nesse dia estaremos todos, de quatro, no bosque mais próximo, urrando à lua”.

277 – “ERIVAN QUER Pe. HÉLDER LIVRE”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 09 de outubro de 1968.
Deputado Erivan França diz ser inacreditável informação, divulgada pelo jornal carioca O Globo, segundo a qual o governador de Pernambuco (Nilo Coelho) estaria empenhado em conseguir do Governo federal o confinamento de Dom Hélder.

278 - “ARCEBISPO NÃO ACREDITA QUE POSSA SER CONFINADO”. Jornal do Commercio, Recife, 09 de outubro de 1968.
Dom Hélder declarou não acreditar que o governador de Pernambuco, Nilo Coelho, tenha “qualquer proposta de confinamento de minha pessoa”.

279 – “BOATO DE CONFINAMENTO DE HÉLDER PROVOCA FORTE REAÇÃO DO CLERO”. Diário de Pernambuco, Recife, 09 de outubro de 1968 (veja referência 277).

280 – “MOVIMENTOS CATÓLICOS DARÃO MANIFESTO CONJUNTO PARA CONDENAR VIOLÊNCIA NO PAÍS”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 09 de outubro de 1968.
Os movimentos Ação Coletiva Pela Justiça (apoiado pelo cardeal Dom Agnelo Rossi, do Rio de Janeiro) e Ação, Justiça e Paz (criada por Dom Hélder) anunciam a divulgação de manifesto conjunto condenando “a violência que se verifica no País”.

281 – “DEPUTADO CULPA EXTREMA DIREITA PELA DIVULGAÇÃO”. Diário de Pernambuco, Recife, 10 de outubro de 1968.
Deputado Egídio Ferreira Lima, do Partido de Oposição, defendeu o governador de Pernambuco, Nilo Coelho, e afirmou que as informações de que o governador teria recomendado a prisão de Dom Hélder “não passaram de boatos divulgados pela extrema direita” (veja referência 279).

282 – “MINISTRO EXALTA DESEJO DE PAZ QUE NOTOU EM D. HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 11 de outubro de 1968.
Ministro do Trabalho e Previdência Social do Brasil, Jarbas Passarinho, afirmou que ficou “sensibilizado com a figura de Dom Hélder”.

283 – “HÉLDER DIZ QUE JÁ NÇAO TEME AMEAÇAS”. Diário de Pernambuco, Recife, 15 de outubro de 1968.
Dom Hélder diz não temer ameaças que lhe são feitas porque elas não têm consistência.

284 – PESSOA, Lenildo Tabosa. “DOM HÉLDER E A VERDADE”. In. Jornal da Tarde, São Paulo, 22 de outubro de 1968.
O artigo trata de polêmica entre Dom Hélder e o frade dominicano Carlos Alberto Christo, este autor da reportagem Colômbia Dividida Espera o Papa (veja referência 249), segundo a qual Dom Hélder recebera convite para se hospedar na casa de Isabel Restrepo Torres, mãe do padre Camilo Torres, informação esta negada por DH.

No artigo, Lenildo Tabosa chama Dom Hélder de mentiroso e reproduz carta do arcebispo em resposta ao convite de Isabel Torres (esta carta é datada de 27/07/1968 e teria sido publicada pelo número 8 do jornal colombiano Frente Unido). A carta é a seguinte:

“Somente ontem recebi sua amável carta datada de 09 do corrente. Peço-lhe que entenda as razões que me levam a não poder aceitar seu fraternal convite: desejo passar o mais humildemente possível por Bogotá. Estarei ali de passagem para Medelim e apenas somente para a inauguração do Segundo Encontro da Hierarquia Latino-Americana, além da procissão de encerramento do Congresso Eucarístico Internacional. Ainda em Medelim, farei tudo o que estiver ao meu alcance para evitar muito movimento em torno de minha pessoa. O que importa é o trabalho em equipe, a ação colegiada.

Tenho certeza de que, do Céu, Camilo me entende, me aprova e me abençoa. Na Santa Missa pedirei sempre pela Sra. Seu amigo e admirador em Cristo – Hélder Câmara.”

Lenildo Tabosa diz que a polêmica é “uma briga em família”, porque tanto Dom Hélder quanto Christo são “dois eméritos membros da famosa e tradicional família progressista” da Igreja, mas justifica seu artigo como sendo uma peça que vem comprovar “a contradição entre suas (de Dom Hélder) palavras e seus atos”, “motivo da oposição a D. Hélder por parte de tão numerosos católicos”.

285 – “TERRORISTAS ATIRAM CONTRA A RESIDÊNCIA DE DOM HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 25 de outubro de 1968.

Jornal informa que a Igreja das Fronteiras, residência oficial de Dom Hélder, foi atacada por um grupo de quatro homens armados e mascarados, às 03 da manhã do dia anterior. Enquanto atiravam contra o muro da igreja, os homens gritavam: “Morte ao arcebispo vermelho, Arcebispo de Moscou”.
Este teria sido o segundo ataque à casa de DH naquela semana e, em ambas ocasiões, o arcebispo se encontrava viajando. O jornal atribui os ataques à organização Comando de Caça aos Comunistas (CCC).

286 – “HÉLDER SÓ QUER FALAR SOBRE ATENTADOS QUANDO REGRESSAR A PE”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1968.
No Rio de Janeiro, Dom Hélder não quis comentar ataques à sua residência (veja referência 285).

287 – “BISPOS CRIAM COMISSÃO DE DIÁLOGO COM O GOVERNO PARA DESANUVIAR TENSÕES”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 de outubro de 1968.
Presidente da Segunda Reunião Anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Vicente Scherer, anuncia a criação de comissão para estabelecer contatos com o Governo “cada vez que a Igreja sentir que há necessidade desse encontro para desanuviar tensões”.

288 – “H. DIZ QUE ATENTADOS NÃO O ATEMORIZAM”. Jornal do Commercio, Recife, 27 de outubro de 1968.
Ao desembarcar no Recife, Dom Hélder afirma que atentados contra sua residência (veja referência 285) são “uma reação contra o movimento Ação Justiça e Paz” e que não teme nada porque agressões desse tipo já fazem parte de sua rotina.

289 – “H. DIZ QUE ATENTADOS NÃO O ATEMORIZAM”. Jornal do Commercio, Recife, 27 de outubro de 1968.
Ao desembarcar no Recife, Dom Hélder afirma que atentados contra sua residência (veja referência 285) são “uma reação contra o movimento Ação Justiça e Paz” e que não teme nada porque agressões desse tipo já fazem parte de sua rotina.

290 – “ATENTADO É REAÇÃO CONTRA AJP-AÇÃO JUSTIÇA E PAZ – ATRIBUI D.H. QUE FARÁ PROGRAMA COM PELÉ”. Diário de Pernambuco, Recife, 27 de outubro de 1968 (veja referência 288).

291 – “COM ATOS DE TERRORISMO”. Diário de Pernambuco, Recife, 27 de outubro de 1968 (veja referência 288).

292 – “COSTA LIMA ACHA QUE O ATENTADO É PUBLICIDADE”. Jornal do Commercio, Recife, 27 de outubro de 1968.
Álvaro da Costa Lima acha que atentado à bala contra a residência de Dom Hélder (veja referência 285) “é parte de um plano promocional elaborado por um Departamento de Divulgação e Propaganda que faz parte do sistema de promoções com o qual as esquerdas pretendem transformar em herói e mártir o padre Hélder”.

293 – “D.H. DIZ QUE NÃO SE APAVORA COM ATENTADOS”. O Globo, Rio de Janeiro, 28 de outubro de 1968 (veja referência 288).

294 – “D.H: NÃO HÁ DESVIOS”. Última Hora, Rio de Janeiro, 28 de outubro de 1968.
Dom Hélder diz que não vai mudar de residência em função de atentado à bala (veja referência 285).

295 – “CASA DE DOM HÉLDER VOLTOU A SER ALVEJADA POR TERRORISTAS, DESTA VEZ EM PLENO DIA”. Diário de Pernambuco, Recife, 29 de outubro de 1968.
Residência oficial de Dom Hélder sofre novo atentado à bala, desta vez às 11h30 do dia anterior. Desconhecidos chegaram num automóvel DKV de cor creme e dispararam tiros de revólver contra o muro da igreja (veja também referência 285).

296 – “NÚNCIO LAMENTA ATAQUE A Pe. HÉLDER”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1968.
Núncio Apostólico no Brasil, Dom Sebastião Baggio, lamentou atentado contra Dom Hélder (veja referência 295).

297 – “CASA DE D.H. É GUARNECIDA POR POLICIAIS”. Jornal do Commercio, Recife, 30 de outubro de 1968.
Após atentado (veja referência 295), casa de Dom Hélder é guarnecida por policiais.

298 – “CARDEAL CONDENA ATOS DE TERRORISMO CONTRA RESIDÊNCIA DE HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 31 de outubro de 1968.
Após audiência com o presidente do Brasil, o cardeal Jaime Câmara condenou atentados contra a residência de Dom Hélder (veja referência 295).

299 – “DEPUTADO DIZ QUE D. SIGAUD DELATA PADRE”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 31 de outubro de 1968.
Deputado paulista Evaldo de Almeida Pinto, do partido de Oposição, diz que o arcebispo de Diamantina, Dom Geral de Proença Sigaud, denunciou um grupo de padres ao Serviço Nacional de Informações (SNI).

300 – OLIVEIRA, Plínio Corrêa de. “DOM HÉLDER: 3 ÊXITOS MARCANTES”. In. Diário de Pernambuco, Recife, 09 de novembro de 1968.
Em artigo, o fundador da entidade Tradição, Família e Propriedade (TFP) comenta movimento Ação Justiça e Paz, criado por Dom Hélder, e declara: “A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil não teve uma palavra de preocupação com a infiltração esquerdistas em meios católicos” (...) “mas toma atitude contra a TFP que teve a coragem de denunciar tal infiltração”.

301 – “HÉLDER: PRISÃO DE D. FRAGOSO LEVARIA 40 BISPOS AO CÁRCERE”. Diário de Pernambuco, Recife, 23 de novembro de 1968.
Dom Hélder afirmou que, se Dom Antônio Fragoso (bispo de Crateús que participa de curso de atualização no Recife) for preso (ele estava sob ameaça de prisão, por parte da delegacia de Ordem Política e Social, sob acusação de “atividade subversiva”), os 40 bispos que participam do curso irão ao cárcere com ele.

302 – “DIRETOR DE ESCOLA IMPEDE HOMENAGEM A D.H.”. Diário de Pernambuco, Recife, 29 de novembro de 1968.

Concluintes da Escola Superior de Educação Física de Pernambuco cancelaram a solenidade de formatura porque o diretor da escola, coronel Manoel Costa Cavalcanti, não aceitou a escolha de Dom Hélder como paraninfo da turma.

303 – “PADRE HÉLDER ESPERA RESISTÊNCIA”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1968.
Jornal diz que Dom Hélder continua esperando que, “para a dignidade do Brasil no estrangeiro, e para salvaguarda do próprio regime, o Congresso Nacional resista à licença para cassação do deputado Márcio Moreira Alves”.

304 – “WANDENKOLK SUGERE A PRISÃO DE Pe. HÉLDER”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 08 de dezembro de 1968.
Vereador recifense Wandenkolk Wanderley, do partido do Governo, afirma que “o Exército comprovou a subversão da Igreja” e sugere a prisão de Dom Hélder como “solução imediata de problemas perigosos para a segurança nacional”.

305 – “HÉLDER APÓIA PRONUNCIAMENTO DE DOM LAMARTINE”. Diário da Noite, Recife, 09 de dezembro de 1968.
Ao desembarcar no Recife, procedente de Dakar, África, onde proferiu o discurso inaugural do 6º Congresso Mundial de Juristas Católicos, Dom Hélder disse apoiar pronunciamento de Dom José Lamartine Soares, da Arquidiocese de Olinda e Recife, manifestando irrestrita solidariedade a um grupo de padres presos recentemente em Belo Horizonte.

306 – “DEVE HAVER EQUÍVOCO TOTAL SOBRE O QUE DISSE O PAPA, DIZ HÉLDER”. Diário de Pernambuco, Recife, 10 de dezembro de 1968.
Jornal publica a seguinte declaração de Dom Hélder sobre palavras atribuídas ao Papa Paulo VI segundo as quais “a igreja marcha para a destruição”:
“Deve haver, no caso, equívoco total. Ninguém mais do que o Papa tem obrigação de crer nas promessas de Cristo em manter sua Igreja. Dizer que a Igreja marcha para a autodestruição é afirmação inadmissível nos lábios de um Sumo Pontífice.”
O Papa teria emitido tal opinião durante discurso no Seminário Lombardo, Itália.

307 – “TEÓLOGO: IGREJA NÃO É PERSEGUIDA NO BRASIL”. O Globo, Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1968.
Cônego Emílio Silva afirma ser um absurdo dizer que o Governo brasileiro persegue a Igreja: “Jamais se ouviu aqui que um padre fosse perseguido por celebrar missa, ensinar o catecismo ou pregar a genuína doutrina social da Igreja”.

308 – “HÉLDER CONSIDERA NOTÍCIA SOBRE OS 40 MIL IMAGINOSA”. Jornal do Commercio, Recife, 12 de dezembro de 1968.
Dom Hélder diz ser afirmação imaginosa, sem base real, a notícia sobre existência, em Pernambuco, de 40 mil homens devidamente treinados para tirar do poder os governantes brasileiros, “quando chegar o momento oportuno”.

309 – “D.H. RECEBE VOTO DE CONGRATULAÇÕES E LOUVOR DO DELIBERATIVO CARUARUENSE”. Diário de Pernambuco, Recife, 12 de dezembro de 1968.
Câmara de Vereadores de Caruaru aprova voto de louvor a Dom Hélder.

310 – “ACONTECIMENTOS, NO RECIFE”. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1968-2.
Notícia sobre a prisão, a 15 de dezembro 1968, no bairro do Jordão, Recife, dos padres Dario e Pedro, além de dois leigos que com eles se encontravam. Os presos foram recolhidos à Secretaria de Segurança do Estado para, segundo o secretário, “averiguações a fim de apurar o que havia a respeito daqueles sacerdotes”.

311 – CÂMARA, Hélder. “HOMILIA DO IV DOMINGO DO ADVENTO”. In. Boletim Arquidiocesano, órgão oficial da Arquidiocese de Olinda e Recife, vol. 1968-2, 22 de dezembro de 1968.

Texto para leitura “em todas as nossas matrizes, igrejas, oratórios públicos e semipúblicos”, do IV domingo do Advento à estação do Evangelho, como homilia para a ocasião”. Fala sobre a prisão de dois leigos e dois padres recifenses (veja referência 310).

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