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Fundado em 1932, o clube carnavalesco
de alegoria misto "O Homem da Meia-Noite"
é uma das mais famosas agremiações
de Olinda. Com o seu boneco gigante, sai às
ruas a zero hora do sábado, abrindo
o carnaval da cidade. Atualmente, o bloco
nada mais é que o gigantesco boneco
e o estandarte, acompanhados por uma orquestra
de frevos, arrastando uma multidão
pelas históricas ladeiras olindenses.
Mas, nem sempre foi assim. Já houve
épocas em que o clube desfilava com
carros alegóricos, enredo previamente
definido e fantasias luxuosas. |
| Foto:
Beto Figueirôa |
De acordo com o autor do Livro "Olinda,
Carnaval e Povo", o carnavalesco José
Ataíde, mais conhecido por Zé de
Marli, uma das maiores exibições
de "O Homem da Meia-Noite" aconteceu
no carnaval de 1945. Naquele ano, o clube levou
às ruas quatro carros alegóricos,
uma cavalariça com 40 cavaleiros e dezenas
de participantes luxuosamente fantasiados. Entre
as alegorias, uma representava as ruínas
do antigo senado de Olinda e as outras compunham
o enredo do desfile que se referia aos trabalhadores,
ao trabalho.
"O Homem da Meia-Noite" surgiu como
troça, categoria a qual pertenceu até
1936. Seus fundadores foram: Benedito Bernardino
da Silva, Cosme José dos Santos, Sebastião
Bernardino da Silva, Luciano Anacleto de Queiroz,
Eliodora Pereira de Lira e Manuel dos Santos.
O Clube tem sede própria, na Rua do Bonsucesso,
e desde a sua fundação mantém
a tradição de desfilar seguindo
exatamente o mesmo percurso. O boneco gigante
tem a aparência do seu construtor, Benedito
Bernardino da Silva que também é
do hino do clube cuja letra tem apenas quatro
versos:
Lá vem o Homem da Meia-Noite
Vem pelas ruas a passear
A fantasia é verde e branca
Para brincar o carnaval.
O nome da troça, pelo menos de acordo
com uma das versões mais populares, deve-se
ao seguinte fato: todo dia, exatamente à
meia-noite, um homem voltava para casa, na Rua
do Bonsucesso, seguindo, a pé, o mesmo
caminho. Depois de um certo tempo, essa rotina
do homem foi descoberta e ele passou a ser aguardado,
com ansiedade, pelas donzelas da rua que se plantavam
atrás das janelas para, através
das frestas, apreciar o bonitão. Esse episódio
ganhou fama e, em seguida, surgiu o troça
que, curiosamente, desfila seguindo o mesmo percurso
desde a sua fundação.
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